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efeito da cafeína

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Além de apreciar os deliciosos aromas e sabores do café, você sabe para que serve a cafeína?

A história do café nos traz a lenda do pastor Kaldi, como o primeiro a cientificar o efeito da cafeína no organismo. Segundo a lenda, o pastor observou seu rebanho consumindo alguns frutos de um arbusto, e em seguida, percebeu uma certa euforia em suas cabras. 

Levou o tal fruto para um monge, que o preparou em infusão e bebeu. Diante do efeito de vigília provocado, passou a noite em oração, concebendo aquela infusão como algo sagrado. Essa é apenas uma das histórias que se conta, mas tanto o café, como o efeito da cafeína têm sido objetos de estudo de diversos cientistas, desde à antiguidade.

Quer saber mais sobre a cafeína? Continue a leitura para entender sobre o que é, seus benefícios e muito mais!

O que é cafeína?

fórmula estrutural da cafeína
Fórmula estrutural da cafeína

A cafeína é classificada como um alcaloide do grupo das xantinas (1,3,7-trimetilxantina).

Está presente na planta como um repelente natural às pragas, por isso seu sabor é amargo, para ser reconhecida como algo tóxico. Sendo assim, é uma das responsáveis pelo amargor presente no sabor do café, além da própria torra dos grãos. 

Mesmo com a característica de amargor,  para garantir que alguns insetos (como as abelhas) atuem como polinizadores, as flores do cafeeiro são mais doces, têm menor concentração de cafeína, mas em quantidade suficiente para atuar no sistema nervoso central desses insetos, agindo em sua memória.

Dessa forma, a cafeína faz com que os insetos memorizem e sintam a necessidade de retornar com frequência ao cafezal, contribuindo no ciclo da polinização.

Benefícios da cafeína

A cafeína é considerada uma das drogas mais consumidas no mundo. Presente em alimentos e fármacos, tem alta biodisponibilidade, ou seja, é absorvida quase que integralmente, através do trato digestório e distribuída aos tecidos pela corrente sanguínea. Portanto, seu efeito no organismo tem seu pico entre 30 a 90 minutos, após ser consumida, mas isso pode variar diante de vários fatores,  quando ingerida juntamente com outros alimentos, por exemplo.

Atua no nosso organismo como estimulante do sistema nervoso central, inibindo os receptores de adenosina e elevando os níveis de dopamina. 

Sensação de energia

A adenosina é um neurotransmissor responsável por desacelerar nosso organismo, estimulando a sensação de sono e fadiga, reduzindo a atividade motora e a frequência respiratória. Já a dopamina, atua sobre as emoções e estado de alerta, melhora o humor, aumentando a atenção e a capacidade cognitiva, combatendo a depressão.

Por isso, a cafeína traz essa sensação de energia e disposição, pois altera a percepção do cansaço, e eleva o bem-estar.

Ação diurética, emagrecimento e muito mais…

Tem ação diurética e termogênica (eleva a temperatura corporal) e portanto, pode acelerar o metabolismo e ser um colaborador no emagrecimento (aliada à alimentação equilibrada e prática de atividade física), além de auxiliar na redução dos sintomas de doenças como depressão, asma, cefaleia e prevenção de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson. Estudos recentes a apontam como preventiva do Diabetes Mellitus tipo 2.

cafeína pode ser benéfica para o emagrecimento
Créditos: Chander R em Unsplash

Claro que, para todos esses efeitos, devem ser levados em conta a soma de outros fatores coadjuvantes, interação com outras drogas e hábitos de vida, além da própria genética.

Efeito ergogênico

Sua função ergogênica contribui para o estado de alerta e tempo de reação, sendo utilizada como suplementação por atletas para melhora de performance, já que intensifica a potência física e mental, auxiliando na recuperação muscular.

Mas, CUIDADO! Nesses casos deve ser usada de forma controlada e orientada por profissional capacitado. A dosagem deve levar em conta o tipo de atividade física, o nível de condicionamento, o peso, a dieta, entre outros fatores, que devem considerar a tolerância e aceitabilidade da substância pelo indivíduo.

E outras razões podem interferir na metabolização, como peso corporal, gênero, estado de hidratação, consumo cotidiano de cafeína, hábitos alimentares, uso de medicamentos, o que também vai interferir na quantidade de metabólitos excretados pela urina.

cafeína pode ser usada como ergogênico nutricional
Créditos: Kelli Sikkema em Unsplash

Cafeína em Cosméticos

Segundo a ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária), a cafeína é a substância que apresenta maior número de estudos clínicos utilizando a via de administração cutânea, e vem sendo bastante aplicada em cosméticos.

Alguns estudos apontam as metilxantinas (como a cafeína, a teofilina, a aminofilina e a teobromina), para tratar a lipodistrofia (gordura localizada), bem como para tratamento da celulite, pois estimula a lipólise, aumenta a circulação sanguínea e contribui na síntese de colágeno.

A substância também indica eficácia para transpor a barreira cutânea, sendo recomendada em produtos tópicos.

Já são comercializados shampoos com cafeína, que prometem aceleração no crescimento e combate a queda dos fios de cabelo, porém os estudos que comprovem essa eficácia ainda são iniciais.

A ANVISA  recomenda que a concentração de cafeína em cosméticos  não deve ultrapassar 8% (Parecer técnico nº 1, de 29 de junho de 2002).


LEIA: COMO FAZER UM BOM CAFÉ EM CASA


administração da cafeína
Créditos: James Yarema em Unsplash

A diferença entre o remédio e o veneno está na dose

Vimos então as vantagens do consumo da cafeína, mas, por outro lado, o excesso pode trazer malefícios como insônia, irritabilidade, agitação, desconfortos gastrintestinais, desidratação, taquicardia, tremores e ansiedade.

Por seu efeito diurético, pode promover a perda de vitaminas e minerais importantes, como o cálcio.

Portanto, seu consumo é restrito para portadores de hipertensão arterial, gastrite, arritmias cardíacas, e os que sofrem de insônia, devem evitar seu consumo.

Lembremos também que, quanto maior o consumo, mais o organismo vai se habituando e requerendo quantidades cada vez maiores para atingir os mesmos efeitos, tornando-se prejudicial.

Recomenda-se o consumo máximo de 400 miligramas de cafeína por dia, ou 4 xícaras de 150 ml de café para um consumo seguro. Mas não podemos esquecer que nem só o café é fonte dessa substância, já que ela também é encontrada em alimentos comumente consumidos, como cacau, chocolate, mate, chás (preto e verde), bebidas à base de guaraná e cola, e também em alguns medicamentos como analgésicos, além das bebidas chamadas “energéticas”.

Em crianças é preferível que se consuma somente depois dos dois anos e ainda sim com parcimônia, pelo menos até os sete anos de idade, sempre observando como os efeitos da cafeína interferem em sua qualidade de vida.

Créditos: Ryan Holloway em Unsplash

Café descafeinado

Para alguns, café descafeinado  seria como beber cerveja sem álcool, ou seja, não faria sentido algum. Mas não podemos esquecer que existem indivíduos com intolerância à cafeína, como por exemplo, os portadores de síndromes como labirintite e pressão alta. 

Como uma maneira de atender esses consumidores, foram desenvolvidos os processos de descafeinação, que reduzem a cafeína a 0,1%, no máximo.

O processo de descafeinação (descoberto pelo químico alemão Ludwig Roselius, em 1903) era feito quimicamente, utilizando-se cloreto de metileno. Porém, na década de 80, essa substância foi classificada como cancerígena e outros métodos foram desenvolvidos, como o método hídrico, método do filtro de carvão, método da água saturada e método do gás carbônico.

As espécies e variedades de café possuem teores de cafeína diferenciados também. Os Canephoras (conilon e robusta) possuem em torno de 4% de cafeína, praticamente o dobro da cafeína dos grãos da espécie Arábica (1 a 2,5%). Dentre os arábicas, destacamos a variedade laurina, como um dos mais baixos teores de cafeína, sendo conhecido como o café “descafeinado natural”.


VEJA TAMBÉM: TDS E EXTRAÇÃO: COMPREENDA OS FUNDAMENTOS


Coado x Espresso

Sempre nos deparamos com a dúvida: onde há mais cafeína: no café espresso ou no coado?

Como são processos diferentes, que usam proporção de cafés distintos, e o tempo de contato com a água e a dose não são iguais, não há uma verdade absoluta, pois há que se levar em conta muitas variáveis nos processos de ambos.

A cafeína é hidrossolúvel, ou seja, quanto maior o tempo de contato com a água, mais cafeína terá a bebida, mas o gradiente de concentração durante a extração, também deve ser considerado.

No espresso, temos pouco tempo de contato do café com a água, e a dose é apenas 30 ml. No entanto, temos a ação da pressurização na extração, e a proporção de café é água é bastante concentrada (1:2, ou 15 g de café para 30 ml de água).

Nos coados, em que a dose é em torno de 200 ml, temos maior tempo de contato com a água na extração. Porém, a concentração de café é bem mais diluída (1:10, até 1:15 ou mais), sem contar as diferenças entre o teor de cafeína entre as variedades dos grãos.

Diante dessa dificuldade comparativa, essa é uma pergunta sem resposta definitiva, até o momento.


LEIA MAIS NESTE ARTIGO CIENTÍFICO: TEOR DE CAFEÍNA EM CAFÉS BRASILEIROS


extração de cafeína no espresso
Café espresso. Créditos: Wherda Arsianto em Unsplash

Café é mais que cafeína

É válido dizer, que o café tem inúmeros outros compostos, tão ou mais nobres do que a própria cafeína, nutrientes como fósforo, manganês e magnésio, vitaminas do complexo B e ácidos orgânicos com função antioxidantes e anti-inflamatórias.

Como barista, eu recomendo que o consumo de café seja motivado pelos sabores e aromas e experiências sensoriais que ele pode lhe proporcionar, não somente pelo efeito da cafeína. 

Mas, para isso, consuma cafés de qualidade, que passaram por processos laboriosos de seleção e torra, portanto, favorecendo sua saúde, além do prazer em saborear um café gostoso, de verdade. E assim, os efeitos da cafeína serão um bônus.