fbpx
Tag

café especial

Browsing

Dentre as riquezas do nosso Brasil, além dos cafés, temos uma jovem cafeicultora, atleta de tiro esportivo, que mira seus esforços para chegar nas Olimpíadas, cujo alicerce está no café especial. Neste artigo, vamos apresentar a história de Brenda Pereira, sua relação com o café e como ela se prepara para o maior evento esportivo do mundo.

Confira todos os detalhes nos tópicos abaixo!

FAMÍLIA DE CAFEICULTORES

Brenda Pereira é filha de Luciano e Elizângela Pereira, faz parte da quarta geração de uma família de cafeicultores da cidade de Manhuaçu, em Minas Gerais, região das Matas de Minas.

O Sítio da Tapera, propriedade da família de Brenda, está localizado aos pés do Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó.


VEJA TAMBÉM : A IMPORTÂNCIA DA INDICAÇÃO GEOGRÁFICA PARA O CAFÉ


Seu bisavô foi um dos pioneiros na região a cultivar cafés, cultura que permaneceu e foi se desenvolvendo, passando por gerações.

Desde o princípio,  seu avô e seu pai, que somaram à renda, a agricultura de subsistência, como o cultivo de milho e feijão,  mantiveram o café sempre como o protagonista em suas terras.

Cafeicultora do tiro esportivo
Brenda Pereira é atleta de tiro esportivo

Atualmente, a própria Brenda, com apenas 16 anos, que busca as inovações para o negócio da família, conciliando seus estudos, os treinos no esporte e o trabalho na lavoura.

Cada geração deu sua contribuição, aumentando a área plantada, introduzindo novas cultivares, implementado novas técnicas, novos equipamentos, até que a nova geração (da Brenda), trouxe a tecnologia para dentro do sítio. Dessa forma, possibilitou o contato com os compradores e admiradores do café lá da cidade grande, o que nos despertou o interesse pela oportunidade de vender nosso café diretamente ao consumidor final, diz Luciano, pai da Brenda. 

Segundo Brenda, o envolvimento com o café vem de forma natural. Ela cita que começou carregando água, depois foi auxiliando em tarefas leves, e quando percebeu, já está fazendo de tudo, no processo de colheita e pós colheita.

De acordo com a jovem “atualmente, é através do celular e da internet que buscamos abrir novos horizontes e possibilidades, mas as dificuldades ainda são muitas”, comenta.

Brenda Pereira na lavoura de café
Brenda Pereira, 16 anos participa ativamente da produção de cafés

ATLETA DO CAFÉ

O talento de Brenda, vai além da cafeicultura, ela também se destaca como uma atleta brasileira recordista de tiro esportivo. 

Em 2016, seu pai adquiriu uma carabina de chumbinho e diante da curiosidade da filha, entendeu que era prudente ensinar-lhe o manuseio correto, a fim de evitar qualquer acidente com o equipamento.

Em janeiro de 2017, Brenda e o pai, ingressaram em um clube de tiro da cidade e, apesar da pouca experiência e idade (com apenas 12 anos, na ocasião), a menina já se destacou pela habilidade com o tiro. 


MAIS SOBRE CAFÉ E ESPORTE: CAFÉ E BIKE, UMA CAFETERIA FORA DA CAIXA


Essa habilidade notável de Brenda os motivaram para a participação em competições de outros níveis em diversas cidades.

A cada competição, despertavam curiosidade nos demais participantes por sua origem na cafeicultura. Ficavam satisfeitos em apresentar seu café a outras pessoas, e dessa forma, animaram-se a aprimorar seus processos, buscando cada vez mais qualidade em seus grãos.

CURRÍCULO DE CAMPEÃ

Como sabemos, os atletas brasileiros dependem muito de suporte, e Brenda recebeu incentivo de alguns apoiadores, como o Clube de Tiro Guardiões do Caparaó, da empresa Dematek com o empréstimo de equipamento para treino e competição. Além disso, o ex- atleta Mauro Salles a presenteou com uma Carabina Fein 800, e a jovem recebeu uma roupa olímpica confeccionada a mando de um empresário do Paquistão.

A junção dessas forças, sobretudo o talento e força de vontade de Brenda, lhe garantiram esta lista de classificações:

  • Tri-campeã Mineira – CMA (Carabina Mira Aberta)
  • Tetracampeã Brasileira – CMA
  • Tricampeã do Campeonato CenBra (Centro Brasileiro) – CMA
  • Tri-campeã da Copa Brasil – CMA
  • Bi-campeã Mineira – Carabina de Ar 
  • Campeã Brasileira – Carabina de Ar
  • Bi-campeã da Copa Brasil – Carabina de Ar
  • Recordista na CMA e na Carabina de Ar, nível mineiro e brasileiro. 
  • Melhor colocação internacional:  11º lugar no Campeonato RWS COP em Dortmund, Alemanha

E os títulos não ficaram apenas no esporte. A família de Brenda compreendeu que poderia desenvolver seus processos para uma melhor qualidade de seus grãos, e implementaram melhorias, desde o manejo do solo até o pós-colheita para a produção de cafés de classificação especial e em 2020, receberam o 3º lugar no Concurso Municipal de Qualidade do Café de Manhuaçu.

Brenda Pereira com medalhas
Brenda Pereira no pódio

AS OLIMPÍADAS NO ALVO

Brenda nos conta que procura evoluir cada vez mais, dedicando-se muito e participando de competições internacionais e chegar até as Olimpíadas. 

Tentará disputar o campeonato mineiro e brasileiro, que lhe possibilitará a busca por vagas nas disputas internacionais.

Os campeonatos mineiro e brasileiro estão previstos para outubro e dezembro de 2021, respectivamente, se o calendário não sofrer alterações diante da instabilidade que a pandemia impõe em relação aos eventos.

DESAFIOS 

Brenda revela que, dentre tantas dificuldades, um dos seus maiores desafios é quebrar a barreira do preconceito, pois como qualquer esporte, o tiro envolve disciplina, calma, concentração e treino, e nada tem a ver com a violência de armas de fogo, como algumas pessoas confundem.

O outro grande desafio, é captar recursos para as despesas, sejam os custos de viagens para treino e provas, assim como os próprios equipamentos, que são, em sua maioria, importados.

A família Pereira procura ingressar no mercado de cafés de qualidade, inclusive para que essa renda colabore na missão de Brenda como atleta, mas esse também é outro desafio.

Sabemos do potencial do nosso café, mas nos deparamos com a dificuldade de ter acesso nas grandes cidades e conseguir vender um produto 100% puro, com nossa marca ainda pouco conhecida, concorrendo com outros cafés de preço baixo, mas que não valorizam a qualidade dos grãos, nem a história de suas origens” diz Brenda.

Para colaborar nessa empreitada, receberam apoio da EMATER com suporte técnico e do projeto Rota do Café do Brasil

CONCLUSÃO 

O Café da Brenda foi abraçado pelo projeto Café Delas, uma iniciativa social da mestre de torras Karla Lima, que tem como missão fomentar renda para mulheres através do café, e agora, também colaborar para o sonho olímpico de Brenda.

Café Delas by Karla Lima

Karla desenvolveu um perfil de torra para esse primeiro lote e conseguiu colaborações de parceiros com a embalagem e rotulagem, e o próximo passo é alavancar as vendas do café, para trazer os recursos para esse propósito.

Para contribuir, é possível adquirir o Café da Brenda pelo site clicando aquiOu você pode colaborar com o projeto Café Delas pela vaquinha eletrônica, contribuindo com qualquer valor.

Para saber mais sobre a história inspiradora da Brenda Pereira, acesse aqui e vamos juntos torcer por essa brilhante atleta do café!

E se o empreendedorismo te levasse a abrir um negócio fora dos padrões, que somasse duas paixões, como café e bike, uma cafeteria fora da caixa, mas dentro dos seus propósitos?

Quando você pensa em uma cafeteria, podem vir à sua mente vários modelos e conceitos de serviços diferenciados. Desde as mais sofisticadas, com ambientes confortáveis, coworking ou até mesmo o conceito “to go”, sem mesas para receber os clientes.

Mas, se inovação é a palavra de ordem, uma cafeteria “fora da caixa” pode ser um negócio alinhado a muitos propósitos, que podem atender aos anseios de um nicho de mercado e ao sonho de um empreendedor.

coffee bike
Café e Bike. Imagem de Unsplash

COFFEE BIKE

Não é novidade que café e ciclismo criam um lifestyle que muitas vezes andam (ou pedalam) juntos. Muitas cafeterias surgiram nessa temática e vêm conquistando cada vez mais clientes. Algumas agregam ao negócio a venda de peças, acessórios, equipamentos, serviço de manutenção às bikes, acolhendo praticantes do esporte e outros consumidores também.

O café especial avança nessa comunidade, por ser um produto selecionado e trazer mais qualidade, e portanto, mais saúde aos seus consumidores, que muitas vezes já priorizam a alimentação saudável.

bike food
Conceito de bike food vem do food truck. Imagem de Unsplash

O conceito food bike é um derivado do food truck, ou seja, um modelo de negócio de comida de rua em um veículo adaptado para esse fim, criando, assim, mobilidade e oportunidade para atender eventos, feiras, shows, etc. Pode até mesmo estar instalado em locais fixos (food parks), como uma opção diferente de praça de alimentação ou qualquer outro local onde haja demanda.

Requer investimento menor em relação à lojas físicas e pode ser o primeiro passo para muitos empreendedores.

Existem legislações específicas para esse comércio, e além de um bom plano de negócios para o retorno do investimento, exige concessão da prefeitura para trabalhar em locais públicos, como ruas e avenidas, e da vigilância sanitária para manusear alimentos.


VEJA: VOCÊ SABE PARA QUE SERVE A CAFEÍNA?


COMO SURGIU A IDEIA?

cafeteria na bicicleta
Coffee Run Bike. Créditos: David Lucena

O executivo de negócios, Oséias Matoso, natural de Santa Catarina, há 15 anos em São Paulo, vislumbrou nesse modelo de cafeteria, uma maneira de empreender, aliando duas de suas paixões: o pedal e cafés especiais. 

Atuando em uma multinacional de tecnologia e informação jurídica, tornou-se praticante do ciclismo, no entanto, quase não consumia café na ocasião. Foi apresentado ao café especial por um amigo em uma cafeteria de São Paulo e sentiu-se arrebatado por esse universo, por sua extensa variedade de grãos e métodos de preparo.

Procurou aprofundar-se no assunto, estudou e provou muitos cafés, buscando saber mais sobre toda a ciência que o compreende, desde o fruto, a torra, até a xícara.

Servir café especial em food bikes (ou coffee bikes) já era comum. No entanto, para que seu negócio tivesse sua identidade, Oséias criou a Coffee Run Bike, agregando seus valores pessoais às novas oportunidades de negócio.

A CAFETERIA

Localizada na Ciclovia da Marginal Pinheiros, em São Paulo, atende desde ciclistas de alta performance, usuários da ciclovia que utilizam a bicicleta como mobilidade urbana, até às famílias que passeiam de bicicleta pela ciclovia, aos finais de semana. 

Ele próprio faz a curadoria dos grãos em torrefações parceiras, reconhecendo os pequenos produtores que possuem os mesmos valores de sustentabilidade. 

Cafés apresentados por Oséias Matoso
Oséias Matoso, da Coffee Run Bike

Os cafés são servidos em métodos filtrados de preparo e também em drinks, com sua receita exclusiva de cold brew (café extraído a frio, servido gelado), puro ou com tônica.

A qualidade do café é o foco principal, por isso, a coffee bike dá a mesma importância para a água do preparo, utilizando filtros específicos instalados no próprio equipamento. Os clientes são atendidos por profissionais baristas, que oferecem opções de grãos diferenciados em métodos como V60 e Aeropress.


LEIA TAMBÉM: CAFÉ SENSÍVEL: UM ESTADO DE PRESENÇA


ALÉM DO CAFÉ

Para proporcionar mais experiências para seus clientes, também vende café em grãos, com sua marca própria nas embalagens, assim como o cold brew, produzido e engarrafado por ele, em duas versões (puro e com baunilha e rooibos, que funciona como um isotônico natural).

A Coffee Run Bike funciona como um verdadeiro pit stop, aquela pausa rápida e providencial para quem se exercita na ciclovia. Pensando nisso, o empreendedor buscou agregar snacks saudáveis, como brownies fit, gelato vegano, e outros, que seguem a mesma linha conceitual, além de acessórios com sua marca própria, que incrementam o faturamento e ajudam na divulgação da marca.

ciclistas bebendo café na Marginal Pinheiros
Ciclovia da Marginal Pinheiros – SP

DESAFIOS

A inauguração das atividades ocorreu em agosto de 2020, em meio à pandemia do covid-19, com todas as regras de restrição e distanciamento social.

Segundo Oséias, a principal dificuldade desse empreendimento, além da burocracia inerente a qualquer negócio, é driblar as condições climáticas, pois está localizado ao ar livre, sob a marquise de uma ponte. Quando chove, além de ficar sujeito à ação do vento, seu público diminui e essa é uma variável imprevisível.

Nestas ocasiões, focamos na entrega de pacotes de cafés e cold brew para os clientes tomarem antes, durante ou depois do seu treino indoor, mas já estamos planejando outra estrutura” (Oséias Matoso)

VISÃO E VALORES

Oséias busca apresentar o café de qualidade de forma educativa, sensibilizando e criando consciência sobre as diferenças entre cafés em seus consumidores, e para isso, procura estar alinhado ao perfil e à necessidade deles. Compreende que a comunicação é fundamental para estabelecer essa conexão com seu público.

Nota-se a preocupação com a sustentabilidade, pelo uso de copos biodegradáveis, opções de filtros de metal no preparo dos cafés (dispensando os filtros de papel), além da coleta de lixo seletiva. Oséias apoia a mobilidade urbana sustentável pelo exemplo, locomovendo-se de bicicleta pela cidade, diariamente, no trajeto de sua casa ao trabalho.

A Coffee Run Bike proporciona ações solidárias, como nas ocasiões em que oferece cafés para os trabalhadores da ciclovia, como os garis e os que fazem a limpeza do Rio Pinheiros.  Também apoia causas sociais, um de seus colaboradores veio do projeto Fazedores de Café, um programa que realiza capacitação gratuita para baristas. 

Créditos: David Lucena

A Coffee Run Bike procura oferecer produtos feitos por microempreendedores usuários da ciclovia, que usam a bike como mobilidade urbana, treino ou lazer, fortalecendo uma rede de apoio mútua, diz o empreendedor.

Nestes posicionamentos, a cafeteria sobre rodas de Oséias está aliada aos ideais da empresa administradora da ciclovia, que visa melhoria urbana, contando com empresas que desejam gerar benfeitorias para a população e para cidade no geral.

A maior riqueza que se pode ter são as pessoas, então é nossa obrigação ajudar aos que estão começando a empreender” (Michel Farah, fundador da Farah Service, administradora da ciclovia)

Para o futuro, Oséias busca crescimento. Para isso, está organizando uma estrutura que lhe possibilite uma operação melhor, já planeja expandir para outros pontos, bem como atender eventos.

E se podemos dizer que o café nos permite infinitas possibilidades, certamente uma coffee bike de cafés especiais, direcionada pelos valores de seu idealizador, é mais uma delas.


SAIBA MAIS: CAFETERIA MÓVEL, CONHEÇA OS PRÓS E OS CONTRAS


Abaixo, alguns referências importantes para quem pensa em empreender em coffee bike:

Anvisa -RDC 49 – Boas Práticas para MEI 

Sebrae – Como montar uma food bike 

Dicas para Microempreendedor Individual de Food Bike

Você já reparou em algumas imagens de selos e certificações nas embalagens de café? Vamos entender o que elas significam?

Acima de tudo, a embalagem é a conexão entre o produto e o consumidor e justamente por ser um instrumento atrativo (tanto pelo design, como pelas informações), é um meio de promoção do produto. Sendo assim, suas qualidades costumam ser destacadas. 

Atualmente, o conceito de qualidade vai além do produto. A sustentabilidade e valorização humana, por exemplo, são cada vez mais considerados. 

Essa busca pela melhoria contínua, impulsiona novas tecnologias e processos nas produções agrícolas e alguns programas são criados para esse engajamento.

Desses programas, os selos surgem como a identidade visual das certificações, que podem ser consideradas como valor agregado ao produto.  Vamos conhecer quais são os principais utilizados nos cafés.

Créditos: Sangga Rima em Unsplash

PARTICIPE DO GRUPO VIP DE ANIVERSÁRIO DO BARISTA WAVE E CONCORRA A PRÊMIOS E DESCONTOS EXCLUSIVOS!
CLIQUE AQUI


1.SELOS ABIC

A Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) representa as indústrias de torrefação e moagem do país, e atua para melhorias do setor. 

Em 1985, motivado pela baixa qualidade e adulterações no produto, o consumo per capita de cafés caiu em torno de 50% no Brasil, prejudicando drasticamente o mercado. 

Posteriormente, em 1989,  foi criado o Selo de Pureza ABIC, promovendo inovações para a melhoria de qualidade. Os desdobramentos desse programa reverteu os baixos índices de consumo e o modelo tornou-se referência para a Organização Internacional do Café (OIC), sendo adotado também em outros países. 

1.1 SELO DE PUREZA ABIC

Selo de Pureza ABIC

O selo pertence ao Programa Permanente de Controle da Pureza do Café. Está relacionado à qualidade e segurança alimentar, pois certifica que o produto é puro, sem adulteração ou misturas. São realizadas análises em amostras para essa qualificação.

 

 

1.2 SELOS DE QUALIDADE ABIC (PQC)

Selos e Certificações de Qualidade ABIC

O Programa de Qualidade do Café (PQC), classifica-o em quatro categorias, distintas por suas características sensoriais e qualidade: Extra Forte, Tradicional, Superior e Gourmet. 

Sendo assim, para obter o direito de informar o selo na embalagem, o café deverá ser enviado para classificação e a empresa solicitante será auditada, para que comprove também, as boas práticas de fabricação em todos os processos de produção, armazenamento e distribuição.

1.3 SELO CAFÉS DO BRASIL

Selo Cafés do Brasil

Você sabia que o símbolo do grão brasileiro tem a ver com futebol?

O I.B.C. (Instituto Brasileiro do Café) foi patrocinador da C.B.F. (Confederação Brasileira de Futebol), e o ícone foi criado na Copa do Mundo de 1982, para promover os cafés brasileiros.

Tornou-se oficial nas sacas de cafés do Brasil, fortalecendo a marca e criando identidade visual pelo mundo todo.

A cor vermelha no S da palavra Cafés, é uma referência à diversidade dos grãos produzidos aqui.

No ano de 2000, a imagem foi registrada pela ABIC no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e para utilizá-la, é preciso ser associado à ABIC, além de respeitar as instruções do manual de uso da marca.

2.BSCA (Brazilian Specialty Coffee Association)

Exemplo de Selo BSCA

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, em inglês) é a entidade que regulamenta os padrões para cafés especiais no país. O selo da BSCA possui numeração individual e um QR Code para consulta, conferindo rastreabilidade total ao produto. 

Para adquirir o Selo de Qualidade BSCA, o produtor deverá ter sua propriedade certificada, e também ser associado na categoria produtor. Após codificação, avaliação e aprovação da amostra de café pelos classificadores, receberá o certificado BSCA.

Os selos para as embalagens serão fornecidos aos compradores do lote certificado, controlados pela quantidade comprada do café avaliado.

3. SELO ORGÂNICO

Selo Produto Orgânico

Certifica que o produto foi cultivado sem o uso de nenhum adubo químico ou agrotóxico, nem radiação ou produto geneticamente modificado. Também preconiza práticas de manejo que promovam a harmonia ecológica do sistema.

É concedido por meio de auditorias, de certificadoras credenciadas pelo Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg), que oferecerão orientação aos produtores quanto à produção e comercialização, dentro dos padrões técnicos para produção orgânica. 

A certificação é feita, após visitas periódicas de inspeção, tanto na unidade de produção agrícola como nas unidades de processamento. 

Conheça a lei sobre agricultura orgânica no Brasil, lendo aqui 

4. CERTIFICAÇÕES RAINFOREST ALLIANCE  e UTZ

Selo Utz Certified

A UTZ surgiu em 2002 na Holanda como Utz Kapeh, que significa “Bom Café” na língua maia. Foi fundada por um cafeicultor belga-guatemalteco, e por uma torrefadora holandesa, com o objetivo de implantar a sustentabilidade em larga escala no mercado mundial.

Voltada à agricultura de café, chá, cacau e avelãs, a certificação segue um conjunto de critérios sociais e ambientais, para práticas de cultivo responsável ​​e gestão agrícola eficiente. 

Foi considerado o maior programa de cultivo sustentável de café e cacau no mundo.

A Rainforest Alliance é uma organização internacional sem fins lucrativos, com sede em Nova York e Amsterdã e abrange inúmeras produções agrícolas. Articula a responsabilidade dos negócios em produções agrícolas, florestais ou turísticas.

Selo Rainforest Alliance

É orientada por princípios básicos, como sistema eficaz de planejamento e gestão, conservação da biodiversidade e dos recursos naturais, assim como melhores condições de vida e bem-estar das pessoas.

No Brasil, o café é uma das principais agriculturas chanceladas pela Rainforest Alliance, principalmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Em 2018, ocorreu a fusão da UTZ e Rainforest Alliance, e um novo protocolo global deverá ser anunciado ainda em 2020. A nova organização seguirá apenas com o nome e marca Rainforest Alliance, porém até a conclusão dessa união, tanto os processos de certificação, como o selos, permanecem paralelamente.


VEJA TAMBÉM : WORLD COFFEE RESEARCH IDENTIFICA QUATRO PRIORIDADES PARA PESQUISA & DESENVOLVIMENTO


5. CERTIFICAÇÃO 4C

Selo certificação 4C

Presente em países como Colômbia, Brasil, Uganda, Kenya, Vietnam, Indonésia, Guatemala, entre outros, o Código Comum para a Comunidade Cafeeira (4C) surgiu na Alemanha como um programa de valorização e suporte ao setor. 

A 4C Services é responsável por operar e garantir a conformidade com o código de conduta 4C (4C Certification System), no entanto, conta com instituições certificadoras para auditorias e capacitação.

Baseado em sustentabilidade, busca o desenvolvimento e equilíbrio do meio ambiente, capacitação e profissionalização. Como resultado, surgem melhorias na produção, processamento (pós-colheita) e comercialização de café verde. 

6. INDICAÇÃO DE PROCEDÊNCIA (I.P.)

Selo I.P. Alta Mogiana

A I.P. de um produto tem a ver com o território (cidade, estado, país ou região) que se tornou famoso por sua tradição em determinado produto ou serviço.

Diversas regiões brasileiras são produtoras de cafés, porém o selo de Indicação de Procedência expressa que aquela região se especializou para oferecer um produto de qualidade e diferenciado sensorialmente. Consequentemente, agrega valor e inibe o uso indevido do nome da região.

Para adquirir a licença aos selos na embalagem, o produtor deverá cumprir os requisitos das associações pertinentes à sua região, como pontuação mínima de cafés especiais e responsabilidade sócio-ambiental, por exemplo.

Atualmente, o Brasil conta com quatro regiões classificadas como I.P. : Alta Mogiana (SP), Região de Pinhal (SP), Oeste da Bahia e Norte Pioneiro do Paraná.

7. DENOMINAÇÃO DE ORIGEM (D.O.)

Selo D.O. Cerrado Mineiro

No Brasil, o processo de Denominação de Origem é feito pelo INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) .  Após um processo laborioso de pesquisas, reconhece o território, demarcado por produzir um produto de características exclusivas.

Assim sendo, quando um produto faz a transição de I.P. para D.O., as normas e controles ficam mais específicos.

O selo de D.O. do café, portanto, valoriza a produção daquela região, por seus traços únicos. Isto vai além dos fatores naturais do terroir (clima, solo, relevo, altitude), pois leva em conta a tecnologia e o fator humano empregado, o que confere maior peculiaridade.

Selo D.O. Mantiqueira de Minas

Para ter direito ao selo, o produtor necessita seguir alguns critérios, como por exemplo, identidade e qualidade e rastreabilidade do café.

Até o momento, o Brasil conta com apenas duas regiões certificadas como Denominação de Origem: Cerrado Mineiro e Mantiqueira de Minas.

8. CUP OF EXCELLENCE (CoE)

Prêmio Cup of Excellence

Concurso realizado em vários países, no intuito de reconhecer os esforços dos produtores, e premiá-los. 

No Brasil, é organizado anualmente pela BSCA, com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Alliance for Coffee Excellence (ACE).

Qualquer produtor brasileiro de café arábica pode se inscrever nas diversas categorias, relacionadas ao processamento do Café.

Como resultado, a venda dos cafés vencedores é feita por leilões, e atingem recordes de preços pagos em sacas de cafés, fortalecendo a marca do produtor e a qualidade dos cafés brasileiros no mundo. 

9. COFFEE OF THE YEAR (COY)

Prêmio Coffee Of The Year

Outro concurso anual que valoriza os melhores cafés, o Coffee Of The Year foi desenvolvido no Brasil, e premia produtores brasileiros nas categorias arábica e conilon e muitas vezes transforma a vida dos produtores.

Os cafés passam por uma série de avaliações dos especialistas, porém, a fase final do concurso, acontece na Semana Internacional do Café , contando com a votação do público, que degusta os cafés às cegas e elege os finalistas. 

Em 2020, os procedimentos do COY precisaram serem adaptados diante do distanciamento social necessário, devido a pandemia do Covid-19.  Neste ano, os cafés finalistas serão os aprovados por compradores nacionais e internacionais e a votação popular será realizada em diferentes cafeterias selecionadas. 

10.FAIR TRADE

Selo Certificação Fair Trade

O Selo Fair Trade (Comércio justo) é uma iniciativa da Fair Trade Labelling International, com sede na Alemanha e presente em mais de 94 países produtores e consumidores de diversos produtos, entre eles, o café.

Atua como uma parceria entre produtores e comerciantes, empresas e consumidores e quem valida as conformidades para a certificação Fair Trade é a FLOCERT.

Com o objetivo de estabelecer relações comerciais mais justas, estreita a relação do produtor com consumidor, e, portanto, tem impacto positivo sobre a qualidade dos produtos e sustentabilidade econômica, social e ambiental.

O café tem seu preço mínimo praticável estabelecido, para que não hajam prejuízos com custos médios de produção, por exemplo. Também se aplica uma bonificação sobre o preço de compra, destinada a investimento em projetos sociais.

Para obter a certificação Fair Trade, o produtor deverá ser associado à cooperativas ou associações compostas em sua maior parte de pequenos produtores.

Para o consumidor, significa a consciência de adquirir um produto que foi negociado com práticas de mercado mais éticas.

 11.DIRECT TRADE

É a estreita relação entre os elos da cadeia produtiva do Café, principalmente entre produtor e torrefador (e não por associações ou cooperativas).

Em suma, o processo de compra viabiliza mais oportunidades para os agricultores, e a relação direta com os torrefadores promove parcerias comerciais mais sólidas.

 Não se trata exatamente de um selo ou certificação, porém, é um conceito, um acordo, com regras específicas, e confiança mútua. 

Sendo assim, o consumidor reconhecerá o Direct Trade na embalagem do Café, quando a torrefação comunica de forma específica a origem dos grãos e as pessoas que o produziram. 

Dessa forma, sugere que produto é oriundo de valorização do pequeno produtor, consequentemente, fundamentado em princípios éticos que amadurecem o mercado.


LEIA : FEMINISMO NO CAFÉ: LUTA PELA VISIBILIDADE


Em outras palavras, os selos e certificações nas embalagens pressupõem qualidade, atestam procedência, pureza e produção responsável. Boas práticas de sustentabilidade econômica, social e ambiental, que cada vez mais, os consumidores tomam como princípios.

Certamente, é necessário o investimento de capital e bastante trabalho para implementá-los, o que muitas vezes se torna inviável para pequenos produtores. Alguns dos programas já receberam fortes críticas por serem onerosos, e sofreram até mesmo acusação de fraudes e desvios de conduta. 

Concluindo, excluindo-se esses casos, inegavelmente são conquistas de melhorias nos processos e produtos. Padrões que profissionalizam e beneficiam toda a cadeia produtiva, especialmente o consumidor, com a garantia da melhor procedência de seu café.

Precisamos falar de REPRESENTATIVIDADE NEGRA no café especial. Nunca essas palavras foram tão reproduzidas e escritas nas redes sociais.

Mas será que estamos fazendo a coisa certa? Será que basta apenas colocarmos uma tela preta no nosso feed e dizer que somos antirracistas? O racismo está entranhado nas nossas cabeças e é muito mais complicado do que se imagina.

Repare que, quando olhamos a televisão e vemos uma mulher preta com orgulho do seu cabelo crespo estamos gerando REPRESENTATIVIDADE. Representatividade é impactando. É o mesmo que plantar uma ideia na cabeça de quem está assistindo. O impacto disso é sério e relevante.

Isso faz com que os telespectadores (principalmente os mais jovens) tenham vontade de seguir o mesmo caminho que aquela mulher.

Reflita: Quantos negros você conhece como chefs de cozinha nos restaurantes renomados? Quantos negros na tv apresentando um programa de culinária? Quantos negros como baristas nos campeonatos? E torradores? Quantos negros influenciadores de cafés viajando pelo mundo falando das cafeterias? 

O café especial ainda é um produto um tanto quanto elitizado no Brasil e no mundo e o negro ainda está majoritariamente nas operações de base, seja na cafeteria, na lavoura, no carregamento ou na limpeza. Será que foi falta de esforço? Comodismo? Definitivamente, não. O nome disso é racismo estrutural.

RACISMO ESTRUTURAL

O racismo tem várias faces, não só aquela mais agressiva. Ele está aí, na falta de oportunidade de qualificação e na falta de REPRESENTATIVIDADE. É preciso ver mais negros gerindo as cafeterias, aparecendo nas revistas, nas redes sociais, nas propagandas (seja como modelo ou barista).

Para ilustrar um pouco da presença do negro no mercado de trabalho brasileiro, seguem alguns dados:

  1. No Brasil, os negros ganham em média R$1.500, enquanto a população branca uma média de R$3.000.
  2. Nos cursos superiores, apenas 2% dos professores da Universidade de São Paulo é negra.
  3. Nas 500 maiores empresas que operam no Brasil, apenas 4,7% dos postos de direção e 6,3% dos cargos de gerência são ocupados por negros.
  4. Profissões de alta qualificação: Engenheiros (90% brancos), pilotos (88% branco), professores de medicina (89% branco), veterinários (83% branco) e advogados (79% branco).
  5. Apenas 10% dos livros publicados no Brasil entre 1965 e 2014 são de autores negros e dos filmes nacionais produzidos entre 2002 e 2012, apenas 2% são negros.
os dados do texto foram retirados do livro Escravidão de Laurentino Gomes

Será que realmente não precisamos falar de REPRESENTATIVIDADE? Como um jovem negro vai querer seguir por uma carreira promissora se não os vemos lá?

Voltando para o mundo do café, o mais curioso é saber que o café nasceu na África e foi plantado no brasil com a mão-de-obra escrava negra.

A periferia hoje (na maioria negra) nem sequer sabe da existência do café especial. Ela não faz ideia que existe diversidade de grãos, e nem que o café comercial é de qualidade extremamente inferior.

Ela não sabe que existe uma profissão barista e torrador e não sabe nem quem foram os ancestrais dessa periferia negra que plantaram os primeiros grãos de café nesse país.

Podemos corrigir isso? Claro, oferecendo oportunidade de REPRESENTATIVIDADE.

É necessário usar nossos privilégios para falar com essas pessoas a respeito de cafés, ajudando na profissionalização e no conhecimento sobre a lavoura, torra e preparo, fazendo com que saibam que fazem parte desse universo das cafeterias e dos cafés especiais.

 Existem hoje alguns projetos que você pode conhecer e se envolver.

O projeto Quilombo, em parceria com o Academy Barista Wave, oferece cursos de profissionalização com descontos e condições especiais para restaurantes e cafeterias em regiões periféricas e com facilidades de pagamento.

Entendemos que é necessário abrir espaço, utilizar nossos privilégios e conhecimento para abrir as portas para essa população, e engana-se quem acha que isso é caridade…. Isso é amor, isso é reescrever a história. Ainda podemos consertar.

Fomos até o Vila Nova Parada de Taipas (zona norte de São Paulo) e conversamos com o Carlos André, um empreendedor que decidiu abrir uma cafeteria no meio de uma comunidade na cidade de São Paulo. A cafeteria do Carlos André é um dos pequenos negócios apoiados pelo projeto Quilombo.


CONHEÇA O PROJETO QUILOMBO


“A minha ideia foi trazer uma novidade para meu bairro. A gente só tem acesso aos cafés de qualidade quando vamos ao shopping ou bairros mais nobres e quando chegamos lá, não nos identificamos”.

Hoje a cafeteria do André ainda está em desenvolvimento, ela fica dentro de uma barbearia que também traz as novidades das barbearias das regiões nobres da cidade.

“Quando decidi abrir meu negócio, a primeira reação da comunidade foi de espanto, me chamaram de audacioso. As pessoas estão ansiosas para ter um local onde possam se encontrar, ligar o notebook e conversar sobre novos negócios para região”.

A maior parte dos clientes da barbearia e cafeteria do André são homens que sentem falta desses locais que estão acostumados a ver na região onde trabalham e não onde moram. O Adrian (sócio do André na cafeteria) é afrodescendente e trabalhou durante anos na manutenção de uma grande empresa de locação de máquinas. Agora chegou a hora dele estar na linha de frente de uma cafeteria e não mais nos bastidores. Bacana, né? 

E você, o que pretende fazer para acabar com o racismo?


 

 

 

 

 

 

 

 


Chegou o dia mais colorido do ano, o Dia do Orgulho LGBTIQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros – travestis, transexuais – intersexuais e queers).

Celebramos o dia 28 de junho desde 1969, quando ocorreu um episódio de afronta ao comportamento da polícia no bar Stonewall Inn em Nova York. Pessoas gays, lésbicas e trans reagiram como um sinal de revolta por serem perseguidas onde quer que estivessem.

Policiais dispersando a multidão após o tumulto de 1969. Foto de Larry Morris/NYT.

A perseguição e discriminação por pessoas LGBTIQ+ decorre simplesmente da sua orientação sexual ou identidade de gênero desde a Idade Média, quando houve direta influência dos dogmas religiosos na filosofia de vida da maior parte do mundo.

Em muitos países do mundo, sentir atração por pessoas do mesmo sexo ainda é punido com tortura e morte, levando essas pessoas a viverem em guetos, escondidas, sem poderem praticar seu sentimento mais íntimo.

Giles Muhame, editor da revista Rolling Stone da Uganda, segurando a edição de Novembro de 2010 em Kampala, depois de terem sido publicados nomes e fotos de 14 homens identificados como gays. Normalmente depois disso, são perseguidos para serem condenados. Foto: AFP/AFP/Getty Images.

No Brasil, mais de uma pessoa LGBTIQ+ morre por dia por simplesmente se sentir “diferente” e causar indignação nos próprios familiares que tiram as vidas de seus filhos em nome de Deus e dos “bons costumes”.

Boa parte do mercado de trabalho sofre pela falta de mão de obra qualificada ao mesmo tempo em que se recusa, expressamente, a expor essas pessoas pelo medo do que os clientes vão pensar. Um paradigma fechado que inibe, ainda mais, a contínua construção do ser humano, em prol da lucratividade.

Hoje quero te apresentar as histórias de pessoas, baristas, que têm muito a dizer sobre Gênero e Diversidade no Café Especial, com uma mensagem única para você, caro leitor:

Você sabia que existe um Projeto no mundo do café focado em ajudar essas pessoas?

Começamos com o Projeto Jovens Baristas, idealizado por Kivian Monique.

“Sou mulher, negra, mãe do Micael, barista, mestre de torra, consultora, empresária na Cafeteria Café Utopia e Idealizadora do Projeto Jovens Baristas”.

O Projeto Jovens Baristas “é a materialização do desejo de dar oportunidade e mostrar um mundo novo para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Café pode sim mudar vidas”, diz Kivian ao explicar o projeto.

Família Jovens Baristas.

Tudo começou na necessidade de pessoas menos favorecidas terem acesso a conteúdos de café com maior facilidade, visto que muitos assuntos são “elitizados”. O alto custo afasta as pessoas da qualificação apropriada para ingressarem ao mercado de trabalho, incluindo o de cafés especiais.

“Claro que em Minas/BH está cheio de pessoas LGBTIQ+ com condições financeiras para arcar com uma profissionalização no ramo de cafés. Mas e os que não tem?”, complementa ela.

Na maioria das vezes são expostas a trabalhos na madrugada, em bares, sem contratos de trabalho, ou qualquer outro tipo de trabalho informal, não permitindo que tenham uma vida estável.

O Projeto ensina a profissão de forma mais acessível possível, encaminhando para o mercado de trabalho e acompanhando o processo de adaptação junto ao empregador, dando suporte para evolução profissional após a conclusão do curso. caso se interessem. Tudo com o acompanhamento do nosso parceiro Psicólogo, Éverton Pereira.


VEJA TAMBÉM: A PROFISSÃO BARISTA NO BRASIL


Luar, 19 anos, barista de Belo Horizonte, define-se como uma pessoa de identidade de gênero trans não-binária, ou seja, sem gênero, que TRANSgride a norma: “não me identifico nem como homem, nem como mulher. Esse termo nasceu para designar pessoas que não se encaixam em nenhum desses dois gêneros que todos conhecemos”, afirma. 

Luar, 19 anos, barista.

Ao contrário do que muitos pensam, o termo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) já não cobre em sua integridade as infinitas formas de se sentir, se perceber e exteriorizar suas emoções. Utilizá-la é ignorar todas as pessoas que, atualmente, por fim, encontraram termos com os quais mais se identificam.

“Ah, mas isso é modinha, antes só tinha gay e lésbica” é um pensamento generalista que não representa mais nossa complexa, variada e colorida sociedade. Com o tempo e os movimentos sociais, conquistou-se a utilização da sigla LGBT, com suas respectivas variações, depois de muito sangue e suor. O “T” passou a representar todos os transgêneros, que envolve Travestis, e Transexuais, que são pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído no nascimento. 

Sentir-se assim leva essas pessoas a sofrerem preconceito diariamente, afetando diretamente sua autoestima e o modo que são percebidas. “É bem complicado ver sua identidade sempre apagada, por falta de empatia ou ignorância dos outros. Todos os dias tenho que lidar com olhares e falas estereotipadas sobre meu corpo ou quem sou”, diz Luar.

Luar entrou no mundo dos cafés especiais por meio do Projeto Jovens Baristas:

Lembro do rosto daquela mulher [Kivian] que me passou segurança, ela parecia ser tão forte, sabe? Falava com paixão sobre o projeto, o futuro das aulas, e eu me identifiquei tanto, quis ser como ela. […] Num mundo cheio de desinformação, falta quem ensine, quem dialogue de forma amigável para um melhor entendimento das coisas, seria tudo mais fácil se Gênero e Sexualidade fossem discutidos em casa, em sala de aula, desde cedo.

[…] Às vezes eu queria que as coisas fossem mais fáceis, sabe? Não ter que lutar e reafirmar pro mundo o tempo inteiro que eu existo e mereço respeito, uma chance de viver e conquistar um mundo como todos os outros.

Luar almeja conquistar a estabilidade financeira, a retificação de seu nome, a cirurgia de mastectomia e um lar. Há muita luta à sua frente por coisas que muitas pessoas não se importam e nem sabem que existem.


Gustavo Morato, 19 anos, barista também de Belo Horizonte e do Projeto Jovens Baristas, é homossexual. Ele se assumiu há cerca de 2 anos e não sofreu discriminação grave no mundo do café, mas afirma: “Que LGBTIQ+ nunca recebeu um olhar torto ou escutou palavras ou expressões homofóbicas como “Bichinha” ou “Que viadagem!”?

Gustavo, 19 anos, barista.

Falta respeito, empatia, compaixão e muitas outras coisas à essas pessoas que devem entender que o nosso amor nunca será problema, mas a discriminação delas sim. Logo, é querer a liberdade de simplesmente poder andar nas ruas com tranquilidade.

Gustavo se encontrou no ramo do café, pois adentrou num ambiente em que ele pode ser ele mesmo, sentindo-se realizado por trabalhar com o que ama. E ainda grita ao mundo: “Não deixem de acreditar em um amanhã melhor e em uma comunidade mais amorosa. Orgulhem-se de si mesmos, não há nada errado conosco. Tudo isso requer coragem. Sejam corajosos e busquem a própria felicidade!”.


VEJA TAMBÉM: O MERCADO SOMOS NÓS – JUNTE-SE!


Dênis é um homem trans, ou seja, se identifica com o gênero masculino, mas nasceu em corpo feminino. Diferentemente de trans não-binário, que não se identifica com nenhum dos dois.

Dênis, barista.

Ele nasceu no Rio de Janeiro como menina, e cresceu numa cidade pequena do Vale do Paraíba. Quando descobriu que gostava de meninas, a comunicação com a família começou a trazer problemas. 

Até meus 23 anos eu era uma garota que ficava com garotas. E constantemente me demandavam que minhas roupas e comportamento se enquadrassem ao meu sexo. O clássico “tem que furar a orelha da neném pra saberem que é uma menina”.

Eu sempre rejeitei esse estereótipo e tinha consciência de que não preciso ser feminina só por nascer com um órgão genital feminino. Nunca me entendi “mulher” e nem me acostumei com isso. Não estava confortável em ser tratado no feminino, mas achava que não havia nada que eu pudesse fazer.

[…] Eu aceitei o fato de que eu sou, sim, um homem, e que só eu posso dizer quem eu sou. Mas também precisei aceitar que as pessoas não enxergavam isso, e que eu precisaria explicar pra elas.

Incentivado pela mãe, quando Dênis começou a estudar café, se apaixonou pela área e se dedicou a continuar aprendendo. Trabalhou em algumas cafeterias, passou por treinamentos e foi acolhido por seus chefes da melhor maneira possível. Ele coloca honestidade e dignidade como sinônimos de sucesso e acima de qualquer nomenclatura de Gênero e Sexualidade.

Gênero e Sexualidade costumam ser termos facilmente confundidos pelas pessoas no geral, que interpretam os conceitos equivocadamente e julgam essas pessoas antes mesmo de conhecê-las.

Veja a seguinte ilustração para entender os principais conceitos no mundo LGBTIQ+. O grande aprendizado disso é entender que existem milhares de possibilidades e níveis de atração e identificação, não somente duas.

O Biscoito Sexual. Uma ilustração pedagógica clássica para elucidar sobre esses conceitos.

As mais confundidas são Identidade de Gênero e Orientação Sexual. A Identidade diz sobre si, e reflete na pergunta: “como me vejo, como me considero?”. Somente a pessoa dirá como se sente, independente do seu sexo biológico ou de como ela aparenta fisicamente. E a Orientação diz sobre o outro: “por quem sinto atração afetiva, física e/ou sexual?”.


Ananda também é homem trans, tem 30 anos, e durante toda sua vida se viu como homem, mesmo nascendo em corpo feminino, e não sofreu discriminação por isso, tendo sempre muito apoio da família. “Mas coisas simples como usar um banheiro público é um desafio imenso e evito ao máximo”, diz.

Ananda, 30 anos, barista.

“Estou ciente que essa não é a realidade da maioria das pessoas LBGTIQ+, e que por não sofrer com isso não significa que isso não exista. Existe, e muito! Me sinto um cara de sorte, privilegiado”, esclarece.

Meu primeiro emprego formal foi num café e dali não parei mais. Atualmente trabalho em um, e o fato de ser trans não me causa nenhum tipo de desconforto, pois lá sou aceito e respeitado, fazendo me sentir super bem. Os donos são LGBTIQ+ e super apoiam e respeitam toda nossa luta.


Não foi o caso da Thaís, por exemplo. Ela tem 26 anos, e se considera trans não-binário, sentindo-se dentro dos dois gêneros. Ela gosta de algumas de suas características femininas, mas também ama seu lado masculino. “Quero realçar esse lado masculino cada vez mais, pois desde que o abracei, me sinto muito bem e minha auto estima tem aumentado muito”, complementa. 

Thaís, 26 anos, barista.

Thaís caiu de paraquedas numa entrevista de emprego para barista, num café que fazia parte de um restaurante, iniciando sua trajetória no mundo do café especial. Foi amor à primeira vista!

Foi quando começou a se especializar, procurar cursos, investir muito nessa profissão. E nessa procura, conheceu o Barista Wave, seu primeiro curso de barista, com o Daniel Teixeira, criador desta revista eletrônica. 

Ela enfrentou desafios ao entrar no mercado do trabalho, e retrata um pouco dessa história:

Apesar de dar duro para ser uma excelente profissional, não consegui nenhum reconhecimento nesse mercado, os salários eram cada vez mais baixos, o trabalho cada vez mais desvalorizado, enfrentei o machismo de frente, pois esse mercado é, em grande maioria, dominado por homens.Sempre que falava eu era interrompida, sempre sabia menos que os outros, sempre era questionada sobre tudo que fazia. Até que chegou um ponto que eu fazia tudo na cafeteria, menos café. 

Montava marmitex, limpava chão, banheiros, mesas, lavava louça, embalava produtos congelados para venda, limpava vidros, freezer, rechaud, organizava estoque, prateleiras, fazia atendimento, cobrava, mas na hora de fazer o café era como se fosse um momento de protagonismo, onde só uma pessoa poderia bilhar e se destacar, o dono da cafeteria.

Enfim, tudo isso foi me desmotivando muito, tive experiência em uma segunda cafeteria, e acredite, foi pior. […] tive que lidar com uma total falta de preparo dos proprietários para falar com os funcionários, era tudo resolvido nos gritos, berros e ofensas. Fora a desonestidade, onde cobravam 10% dos clientes e não repassavam aos funcionários, que muitos trabalhavam de forma irregular e eram submetidos a várias funções aleatórias, tais como cuidar do filho dos proprietários durante o expediente, por exemplo.

O que falta para as pessoas é dar valor ao que realmente importa, sabe?Acho que perdemos muito tempo nos importando com o superficial, com o passageiro, com os rótulos e com a aprovação e opinião dos outros. É muito difícil se libertar do “o que vão pensar de mim”, até porque temos medo da solidão e do desprezo, mas a liberdade e a autoaceitação nos trazem amizades e amores mais sólidos, que levam tempo a serem construídos, sim, mas que permanecem durante os furacões.

Por fim, Thaís deixa as seguintes reflexões a todos:

  • Se você julga alguém pelo exterior, qual a base do seu julgamento, e o que isso diz sobre você?
  • O que importa se meu corpo é feminino, masculino, ou os dois? Ou se não me encontro dentro da minha determinação genética?
  • Qual é o problema de amar outra pessoa pelo que ela é como ser humano, seja homem ou mulher?
  • O que muda se me visto diferente do que foi imposto pela sociedade?
  • Esses são os valores mais importantes? 
  • Não deveríamos estar nos preocupando com outras coisas, já que vivemos em um mundo tão injusto e, muitas vezes, cruel?
  • O que você já fez para ajudar alguém e deixar algum legado nesse mundo? 

Por fim, como orienta Thaissa Cordeiro, também colunista desta Revista, apenas reflita sobre essas histórias e realidades apresentadas neste artigo. São pessoas que têm tanto direito quanto às demais, que envolvem ter a sua liberdade, seu reconhecimento e as mesmas oportunidades no mercado de trabalho. Chegou a hora do segmento do café acolher essas pessoas e dar voz a esses talentos.

Leia aqui as histórias completas do Projeto Jovens Baristas (Kivia Monique), Luar, Dênis, Ananda e Thaís, que abriram seus corações para compartilhar com o mundo suas mensagens.

A Coffee Science Foundation (CSF) anunciou que iniciará um novo projeto de pesquisa “buscando um entendimento mais profundo do Cold Brew”.

A CSF é uma organização de apoio da Specialty Coffee Association (SCA) que serve como braço de pesquisa da SCA. É uma organização sem fins lucrativos dedicada a promover o entendimento do café e garantir seu futuro por meio de pesquisa, construção de conhecimento e divulgação. Os resultados dos projetos gerenciados pelo CSF ​​são divulgados à comunidade cafeeira global em eventos, por meio de publicações e programas de educação cafeeira.

Esse novo projeto irá definir os parâmetros de extração do Cold Brew, incluindo análises químicas e sensoriais.

“O Cold Brew tornou-se uma parte importante na cena de cafés especiais e estamos animados em investigar as propriedades sensoriais e físicas que o tornam tão especial”, diz Peter Giuliano, diretor executivo do CSF ​​e diretor de pesquisa da Specialty Coffee Association..

O mercado de Cold Brew vem crescendo consideravelmente na última década, e as inovações em estilo e processo fizeram com que houvesse uma ampla diversidade de experiências sensoriais à disposição dos consumidores. Este último projeto de pesquisa pretende entender a extração, preparação, armazenamento e valor do consumidor de Cold Brew de uma maneira mais abrangente e detalhada.

O PLANO DE PESQUISA

  • Dois anos de projetos de pesquisa liderados por Ph.D e pesquisadores do café treinados em ciência sensorial, química, física e ciência do consumidor.
  • Exploração completa das técnicas de extração a frio, incluindo temperatura durante o preparo, tempo de preparo, porcentagem de extração e concentração, documentando seu impacto nos atributos sensoriais e químicos usando cafés especiais.
  • Exploração completa do efeito do tempo decorrido durante e após a extração nos atributos sensoriais e químicos do café.
  • Análise profunda das preferências dos consumidores nacionais e internacionais dos vários parâmetros de extração, incluindo o mapeamento de preferências e a potencial de tolerância de preço.
  • Série de publicações para o café e a imprensa popular, compartilhando resultados de pesquisas, incluindo um manual do Cold Brew.
  • Uma série de palestras (mais de 20) em vários eventos de café, realizadas por pesquisadores e líderes de projetos.
  • Resultados da pesquisa integrados ao currículo de educação da SCA.

O SUPORTE E APOIO FINANCEIRO

O suporte financeiro para este projeto é liderado pela empresa fabricante do Toddy e o projeto começará no primeiro trimestre de 2020.

“Durante anos, sabemos que o café a frio produz uma xícara muito diferente dos métodos tradicionais de extração que utilizam água quente, mas tem sido difícil para qualquer um explicar como e por que. Estamos entusiasmados em apoiar este projeto que ajudará a entender a ciência por trás do método que  esclarecerá o que torna a extração a frio única, tanto do ponto de vista químico quanto sensorial ”, diz a presidente da Toddy, Julia Leach.

“Muitas das pesquisas no sobre extração a frio nos últimos anos foram proprietárias. Achamos que era importante para a Toddy assumir um papel de liderança no apoio à pesquisa que beneficiará toda a indústria.”


LEIA TAMBÉM: RÓTULOS NOS CAFÉS ESPECIAIS: O QUE É PRECISO INFORMAR?


Artigo originalmente publicado no BeanSceneMag.
Leia o artigo original aqui.


Siga o BARISTA WAVE no Instagram, LinkedIn e Facebook

×