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Segundo a CBO 5134-40, que é a Classificação Brasileira de Ocupações, um barista é responsável por todo o atendimento de clientes, servindo alimentos e bebidas em diversos tipos de recintos.

Sendo assim, esse profissional pode trabalhar em diversos lugares, desde bares, restaurantes, hotéis, festas, eventos e muito mais.

São diversas as opções de trabalho para este tipo de profissional, principalmente devido às festas e eventos que ocorrem em todo país com frequência.

Mas, quanto ganha um barista? Essa é a dúvida que não quer calar, não é mesmo?

Portanto, fique com a gente até o final deste artigo e descubra qual é o salário médio deste profissional na sua região e se realmente vale a pena trabalhar nessa área!

Boa leitura!

O que faz um barista?

Quanto ganha um barista
Barista servindo café. Imagens de Pixabay

Em primeiro lugar, vamos esclarecer algumas dúvidas sobre o que faz este tipo de profissional.

Barista é o profissional que possui expertise o suficiente para extrair e preparar cafés de qualidade para o seu cliente.

Além disso, ele é a pessoa responsável pela preparação de drinks e bebidas a base de café.

Para isso, é necessário que o profissional dessa área possua estudo e conhecimento sobre técnicas de preparos de bebidas.

É preciso também ter conhecimento sobre a preparação dos grãos, torrefação do café, moagem e até mesmo sobre o plantio e colheita do café.

Já a origem do nome barista vem do italiano, porém na maioria dos ambientes que oferecem café no Brasil, esse termo já é bem difundido.

Quanto ganha um barista?

Quanto ganha um barista
Máquina de café. Imagens de Pixabay

Agora que você já aprendeu um pouco mais sobre o que faz este profissional, é hora de saber quanto ganha uma barista.

O salário deste profissional depende da região em que ele trabalha e também do estabelecimento, mas segundo o site salario.com.br, um barista ganha inicialmente em média R$1.286,00, variando de acordo com a localidade.

A experiência é um outro fator que pode contar bastante para receber um valor maior neste tipo de profissão.

Vamos apresentar para você uma média por região do salário deste profissional, confira!

Região Norte do Brasil

A média salarial de um barista em Manaus, por exemplo, é de R$1.160,00, ou seja, um valor acima do salário mínimo da região.

A região norte possui diversos bares e cafés com excelentes opções para os clientes da região.

Além disso, o salário mínimo na localidade é de R$1.104,61, ou seja, o salário deste profissional está acima da média mínima da região norte do país.

Região Nordeste do Brasil

Na região nordeste a situação é diferente, o salário médio de um barista é maior do que no norte, por exemplo.

Isso acontece, principalmente devido ao forte polo turístico da região nordeste, que demanda muitos profissionais desta área para o serviço.

Dessa maneira, a média salarial do barista em Fortaleza, por exemplo, é de R$1.684,00, segundo o site salario.com.br.

Região Centro-Oeste

Café, Bar, Restaurante, Pequeno Almoço, Cappuccino
Café bar. Imagens de Pixabay

Um barista em Brasília, na região centro-oeste do país, ganha de R$1.128,67 a R$1.694,38 que é o teto salarial do profissional na região.

Tudo depende da localização dos cafés e bares, pois diversas cidades no centro-oeste contam com regiões e atrações turísticas, o que demanda uma procura maior por esse tipo de serviço.

Além disso, quanto maior a experiência, maior o salário do profissional.

Região Sudeste

A média salarial de um barista em São Paulo Capital é de R$1.414,00, mas tudo depende da região e localização do café.

Esse salário é para uma carga horária média de 40 a 44 horas semanais de trabalho.

Porém, o teto de pagamento desta categoria em São Paulo pode ultrapassar os R$2.000,00.

Esses dados são oficiais e foram divulgados do Novo CAGED, eSocial e Empregador Web pela Secretaria da Previdência e Trabalho do Ministério da Economia (antigo MTE).

Região Sul

Por fim, vamos falar sobre quanto ganha um barista na região sul do país, que também possui diversas atrações turísticas e um povo apaixonado por café.

Na região de Curitiba, a média salarial é de R$1.381,00, mas esse valor pode chegar até a R$1.922,00 dependendo da região e da experiência do profissional.

Esse valor foi divulgado ainda este ano pelo site salario.com.br e conta com uma média de 42 horas semanais de trabalho.

Bom, se você tinha dúvidas sobre quanto ganha um barista, com certeza ficou mais fácil saber agora, não é mesmo?

Portanto, agora vamos falar um pouquinho sobre o que um barista precisa para se destacar nesse ambiente e ganhar mais.

Como se destacar na profissão de barista?

Essa é outra dúvida muito comum. Afinal, como você pode se destacar nessa profissão e ganhar mais dinheiro, fazendo o que gosta?

Existem algumas dicas que podem lhe ajudar bastante, confira abaixo:

  • Tenha paixão por café e hospitalidade.
  • Seja um profissional atencioso e dedicado;
  • Tenha paciência para aprender e desaprender.
  • Seja criativo(a);
  • Divulgue o seu trabalho nas redes sociais;
  • Estude sobre como empreender nesse nicho de mercado.

Com certeza, ao seguir cada uma dessas dicas, será mais fácil se destacar nessa profissão e ganhar mais.

Conclusão

Café, Restaurante, Fantasia, Estilo, Cabeça Para Baixo
Cafeteria. Imagens de Pixabay

Bom, neste artigo foi possível compreender o que faz e quanto ganha um barista.

Além disso, foi possível analisar o salário médio deste profissional em cada região do país.

Isso deverá lhe ajudar a pensar em qual é o custo de vida na região que você vive e se esse salário inicial médio é o suficiente para você trabalhar e ganhar experiência como barista.

Com certeza, podemos garantir a você que é possível ganhar bem mais nessa profissão, ao seguir as dicas que separamos acima, o destaque na sua profissão será mais rápido assim como o retorno financeiro.

Gostou do nosso artigo sobre quanto ganha um barista? Aproveite e compartilhe com os seus familiares e amigos que se interessam pelo assunto!

Portanto, não deixe de acessar este link e saber mais informações sobre o mundo dos baristas!

Os métodos Pour Over são métodos percolativos gravitacionais, pois é necessário despejar a água sobre o café moído, para ainda passar por um filtro. No Brasil, talvez o termo Pour Over seja pouco conhecido, mas se usarmos a expressão: café coado ou café passado, talvez facilite a compreensão.

Neste artigo, vamos ampliar seu repertório de métodos de preparo de café com uma coletânea caprichada de diferentes métodos tipo Pour Over. Confira nos tópicos abaixo!

O QUE É PERCOLAÇÃO?

 

Pour Over e Percolação

Antes de apresentarmos a coletânea de métodos tipo Pour Over, é importante que você entenda o que significa percolação!

Percolação ou Lixiviação é  um termo bastante usado em geologia, trata-se da extração de componentes solúveis, passando solventes por materiais porosos. Por exemplo, quando nós preparamos um café, a água é o solvente que, ao passar pelo café moído (material poroso), extrai dele as substâncias solúveis, resultando na bebida que conhecemos. 

PERCOLAÇÃO X INFUSÃO

Portanto, a percolação acontece quando a água passa pelo café, pela ação da gravidade, (como nos casos de coadores como o V60) ou pela pressão, como nas máquinas de espresso ou na cafeteira italiana, extraindo seus compostos para a bebida final.

É diferente do método de infusão, em que o café fica imerso em água, para depois ser filtrado, como na prensa francesa ou Ibrik. 

A diferença na xícara, se traduz em uma bebida mais leve e limpa (principalmente se utilizado um filtro de papel), porém menos densa e encorpada em relação aos métodos de infusão.

1. BRASILEIROS

ARAM e ARAME

Aram Espresso Maker

A união de um mestre artesão, vencedor de vários prêmios de design e um engenheiro civil e barista foi a liga certa para a criação da linha da Aram Soul Craft, que produz artesanalmente, desde máquina para espresso até tamper de compactação.

A Aram é uma cafeteira portátil de design sedutor e anatômico, que, sem uso de eletricidade, permite extrair um café espresso.

Será necessário acrescentar água quente no compartimento superior e o café moído no porta-filtro. A pressão na extração, será controlada pela velocidade aplicada na manivela, e então, o resultado será um verdadeiro café espresso, extraído manualmente.

Coador Arame

O Arame é um suporte para acomodar filtro de papel em formato cônico para o preparo do café, feito em aço inox,  e portanto,  resistente e durável.  O contato das paredes com o filtro é mínimo, o que facilita a liberação dos gases, além de permitir a visualização do processo de extração pelas paredes externas.

COADORES DE MADEIRA DA WOOD SKULL

Coador de madeira Wood Skull, modelo duplo

A WoodSkull é uma empresa de design em madeira, que desenvolveu essa linha voltada ao café, além de outros acessórios , como drip station e canecas. Como todos os produtos Wood Skull, os coadores evidenciam a beleza da madeira, que confere sua personalidade no aroma da bebida produzida neles.

Coador Aster

O Coador de Café de Madeira Woodskull, tem espirais esculpidas em formato cônico, em um bloco maciço de Itaúba, madeira que foi escolhida por garantir que seu perfume passe para a bebida na medida exata.

Entorno

O modelo Astér é feito em Jatobá maciço, com hastes anguladas que lembram o movimento da água no processo de extração e fazem com que o filtro de papel tenha menos contato direto com a madeira. Os sulcos internos colaboram para uma rápida passagem da água.

O modelo Entorno é feito em Garapeira maciça e foi desenvolvido em parceria com a torrefação Moka ClubeA capacidade de todos é para o preparo de até duas xícaras, pois comportam o filtro cônico de papel tamanho 01.

COADORES DE CERÂMICA DA FELLINE

Coadores de Cerâmica da Felline

O casal de ceramistas da Felline desenvolveram peças utilitárias em cerâmica para o preparo de café, entre eles, dois modelos de coadores. Um, para preparo individual, em formato que acomoda filtro cônico como o V60, e outro, para preparar volumes maiores, com o fundo reto e diâmetro de saída menor, que acomoda filtro como o 102 da Melitta.  As laterais, em formato de dobradura tipo leque, além de conferir beleza ao método, favorecem a aerodinâmica da extração.

COADOR Z

Coador Z

O Taiwanês Tony Chen  após apaixonar-se por cafés, já residindo aqui no Brasil, desenvolveu depois de muitos testes com diversos baristas, um coador artesanal em cerâmica, com design minimalista, linhas retas e cores inspiradas na arquitetura contemporânea.

O coador Z possui formato cônico, com ranhuras internas para direção do fluxo da água, que se alternam entre linhas contínuas até o fundo ou até a metade do cone para um equilíbrio na retenção do fluxo durante a extração.

CONE COFFEE

Cone Coffee

Com a ideia da afetividade sugerida pelo coador de pano, mas com a praticidade do filtro de papel descartável, um engenheiro e uma barista, fabricantes de suportes para coadores, desenvolveram um suporte para o filtro de papel.

No Cone Coffee, o filtro de papel fica preso apenas na parte de cima por um anel de metal, com a mínima interferência do suporte durante a extração. Comercializado exclusivamente pela Flavors, é disponível apenas no tamanho 01, portanto para o preparo de até 240 ml.

KOAR

Em março de 2017, em Pernambuco, um publicitário, uma barista e um engenheiro mecatrônico desenvolveram o KoarO design desse método cônico apresenta 16 sulcos em forma de ondas com uma profundidade que permite que o filtro de papel não fique aderido às paredes do porta-filtro. Isso cria um espaço que possibilita um fluxo de ar, de forma a favorecer maior velocidade à extração do café. 

métodos tipo pour over
Koar. Porcelana, Acrílico, Inox com válvula e Cerâmica

Com uma angulação de 55°, possui um único furo central (de 15mm) para reter a saída, resultando em um equilíbrio da passagem da água, proporcionando assim, extrair um café com o sensorial almejado pelos idealizadores: café doce e encorpado.

Em 2021, o Koar foi Certificado pela BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) como método de extração de cafés especiais e, não é à toa, que muitos baristas o escolheram para competições de barismo, incluindo a Copa Koar. É disponível em 4 tipos de materiais : cerâmica vitrificada (artesanal e pintado à mão), acrílico, porcelana e metal (aço inox), esse último possui uma válvula de retenção, tornando-o um híbrido entre infusão e percolação. 


LEIA TAMBÉM: A HISTÓRIA DO MÉTODO KOAR


2. ALEMÃES

CHEMEX

método Chemex
Chemex para 6 xícaras

Patenteada em 1939 pelo químico alemão Peter Schlumbohm e lançada em 1941, a Chemex tem esse visual de equipamento de laboratório, não é por menos. Em vidro borossilicato e um design que lembra uma ampulheta e colar de madeira de seringueiras da Malásia, foi criada com o objetivo de reduzir o amargor da bebida.

Isso se dá ao seu filtro próprio, um papel grosso, que ao ser dobrado, um dos lados fica com com três camadas de papel. O papel fica totalmente aderido às paredes do método e por essas condições, o fluxo da passagem de líquido é lento, e portanto, sugere moagens mais grossas. 

Perfeita para quem valoriza cafés delicados e bebida limpa, a Chemex ganhou inúmeros prêmios por seu design, e é encontrada em museus do mundo todo, incluindo o Museu de Arte Moderna de Nova York. Disponível em 2 tamanhos, para 3 e 6 xícaras.

MELITTA

Melitta Acrílico 1/2 e Porcelana N4

Em 1908, na Alemanha, a Sra Amalie Auguste Melitta Bentz, incomodada com os resíduos de café gerados pelo coador de pano, improvisou um coador, perfurando o fundo de uma caneca de latão com martelo e pregos. Recortou um pedaço de papel mata-borrão (um tipo de papel muito absorvente) e encaixou-o no fundo do aparato.

Preparou, enfim, um café sem resíduos e mais agradável, criando o primeiro sistema de coador com filtro descartável. Obteve sua patente registrada em 08 de julho de 1908, mudando a história do preparo e consumo do café para  sempre. 

Atualmente, existem diversos tipos de porta-filtros Melitta, em diferentes materiais e tamanhos, com ranhuras e tamanhos de furos de saídas diferentes também. O ideal é utilizar o tamanho adequado à necessidade de volume para melhor performance do aparelho.

De forma geral, a sua saída pequena resulta em um tempo de extração mais lento, mas é possível trabalhar todas as demais variáveis para balancear a extração, como granulometria, despejos, e proporção.

WALKURE BAYREUTH

WALKURE BAYREUTH

A Walkure é uma fábrica de porcelana alemã, que projetou uma cafeteira totalmente em porcelana, incluindo seu sistema de filtragem em duas peneiras, que dispensa o uso de papel. Seu design favorece tanto o preparo, quanto para servir o café, em utensílios que se encaixam e se sobrepõem. Na parte de cima, um acessório é usado para distribuir a água de maneira uniforme sobre o café moído. O ideal é utilizar moagem média a grossa nesse método.


SAIBA MAIS : CHEMEX A ARTE EM FORMA DE MÉTODO


3. ESTADUNIDENSE

AEROPRESS

Criada pelo americano Alam Adler em 2005, a Aeropress Coffee Maker teve como objetivo, preparar um café de forma prática. Feita em material plástico livre de BPA, é muito versátil. Combina percolação e infusão e o resultado da bebida é limpo, uma vez que os resíduos ficam retidos no filtro de papel da base. No entanto, o café é mais encorpado, pois a pressão aplicada no pistão, empurra os óleos essenciais da extração, para além do filtro.

Método pour over aeropress
Aeropress Coffee maker

Originalmente, foi pensada para ser usada com sua base do filtro virada para baixo, para o café ser acomodado sobre o filtro de papel, e assim a água ser despejada. 

Dessa forma inicia a extração por percolação, depois de um tempo determinado, é colocado o êmbolo para pressionar e finalizar a extração. No entanto, a criatividade dos usuários logo entendeu a possibilidade de outra forma de uso: o modo invertido, onde o café fica em infusão, para depois ser virado e pressionado.

Apaixonados pelo método organizaram a competição de preparo de café na Aeropress, que atualmente, acontece a nível mundial, a World Aeropress Championship.

4. JAPONESES

KONO MEIMON

método Kono Meimon
Kono Meimon

A Kono Coffee Siphon Company lançou em 1973 o porta-filtro Kono Meimon, considerado o primeiro método cônico sem a base achatada (como o Melitta ou Kalita). O furo de saída é bem largo, e dispõe de 12 ranhuras laterais, na metade inferior do coador. Foi o método que inspirou o famoso V60.

KALITA 

método Kalita Wave
Kalita de Inox e Filtro Wave

A Kalita Co. é uma empresa familiar japonesa, que fabrica equipamentos de café desde a década de 50.  O diferencial desse porta-filtro é sua base achatada e três furos pequenos, que promovem uma retenção do fluxo por mais tempo e a cama do café mais uniforme. Isso colabora para perfis sensoriais mais doces e encorpados.

O filtro de papel ondulado do modelo Kalita Wave cria a aerodinâmica ideal para equilibrar o fluxo e trazer mais consistência na extração.

Disponível também em outro modelo, trapezoidal, com 3 furos alinhados, bem similar ao Melitta. Disponível em materiais como vidro e inox e acrílico e cerâmica.

V60 

Lançado em 2004 pela empresa japonesa Hario, que desde 1920 fabrica produtos em vidro para laboratório, é a mesma fabricante do método Syphon (conhecido como Globinho) e outros acessórios para chá e café. 

Método V60
V60 by Tetsu Kasuya

Em formato cônico e com ranhuras internas em espirais, o termo V60 é uma referência à sua angulação, que forma um vértice de 60 graus. O diâmetro de saída permite maior velocidade e é possível controlar diversas variáveis para a extração, sendo um método muito versátil para diferentes perfis de bebida e, por isso, é um muito apreciado entre baristas e coffee-lovers.

Primeiramente, foi fabricado em cerâmica e vidro, depois em plástico e metal, tendo duas versões especiais mais populares: uma de cobre e outra com base de madeira de oliveira.

O japonês Tetsu Kasuya, barista campeão mundial de brewers de 2016, assina um dos modelos do V60, desenvolvido especialmente para a técnica de extração desenvolvida por ele, com diferenciação nas ranhuras internas.

ORIGAMI DRIPPER 

Origami Dripper

Criado em Nagoya, no Japão, o Origami Dripper foi idealizado pela Trunk Coffee, feito em Mino Ware,  uma das cerâmicas mais prestigiadas do Japão, com mais de 400 anos de história.

O porta-filtro lembra mesmo o que seu nome sugere: Origami, um papel delicadamente dobrado.

Ele é cônico, com 20 canais verticais, que criam fluxo de ar para manter o gotejamento sem obstruções, o que lhe dá grande controle sobre a velocidade de extração. Disponível em diversas cores, pode ser usado com filtro de papel cônico como o do V60, mas também acomoda perfeitamente o filtro Kalita Wave, o que trará nova experiência para a bebida.

BONMAC

método Bonmac
Bonmac

Foi elaborado pela equipe de pesquisa e desenvolvimento da empresa japonesa,  Lucky Coffee Machine Co.  Tem formato de cunha com o fundo reto, muito similar ao Melitta. Promete ser um bom método para os coffee geeks iniciantes, pois,  mesmo sem o uso de uma chaleira de bico com controle de fluxo, promete uma extração equilibrada.

É de porcelana, com furo pequeno de saída e ranhuras apenas no final do corpo do porta-filtro. Possibilita uma bebida mais doce e encorpada.  A partir do primeiro modelo , desenvolveram sua versão mais profissional, chamada Pro Cone, com dois furos de saída e ranhuras por toda a extensão das laterais

5. OUTROS PAÍSES ORIENTAIS

HSIAO 50º DRIPPER

método HSIAO 50º
HSIAO 50º

Fabricado pela HSIAO Coffee, o método em porcelana tem ângulo de 50º, sem ranhuras internas e uma leve inclinação na borda que favorece maior ergonomia nos despejos. Vem com um molde para dobrar adequadamente os filtros cônicos do tamanho do V60 para o encaixe perfeito no HSIAO 50º.

Segundo seu designer, foi projetado para elevar a taxa de extração e ressaltar as características próprias dos cafés, como as notas florais e frutadas.

CLEVER DRIPPER

método pour over Clever Dripper
Clever Dripper

De Taiwan, Clever Dripper é um método versátil (clever = esperto), fabricado em acrílico, que possui um sistema de fechamento da saída do coador (trava “shutt off”).

Ao apoiar sua base sobre a borda de uma jarra ou xícara, esse sistema permite o escoamento do líquido filtrado. Dessa forma, agrupa os dois métodos de preparo: percolação e infusão, possibilitando criar diversas receitas, com inúmeras combinações entre elas, para diferentes resultados de bebida.

O formato é trapezoidal e seu filtro próprio é similar ao da Melitta. Disponíveis em 2 tamanhos, 300 e 500 ml, acompanha acessórios como tampa e base anti respingo.

DECEMBER DRIPPER 

método December Dripper
December Dripper

É um porta-filtro de origem coreana, feito em aço inox, com um colar de borracha para a proteção das mãos.  É similar ao Kalita, cônico e de fundo chato, inclusive o filtro recomendado é o Kalita Wave.

O diferencial do December é sua base giratória, que permite ajustar a abertura dos furos de saída, regulando-os para manter fechado, ou abrir 4, 8, ou 12 furos. Dessa maneira, controla-se o fluxo de extração e na posição fechada, funciona como infusão, da mesma forma que a Clever ou Gina, com suas válvulas fechadas. Essa regulagem é possível durante a extração, inclusive, possibilitando estágios diferentes de fluxos em uma mesma receita.

PHIN VIETNAMITA

Método de café Phin Vietnamita
Phin Vietnamita

Um aparelho popular e de custo baixo, parecendo uma xícara ou uma pequena panela, feito em inox ou alumínio, e pode ser apoiado diretamente sobre a xícara. Composto por uma câmara de fundo chato e cheio de furos pequenos, uma prensa com uma alça, e a tampa. Serve apenas uma dose e não requer filtro de papel, portanto, é importante considerar a moagem correta. 

Originalmente, é usado com moagens bem finas, e o tempo de escoamento pode durar até 5 minutos. O resultado de bebida é encorpado, pela presença de óleos essenciais e alguns fines.

No popular drink de café vietnamita, usa-se leite condensado, e pode ser servido quente ou com gelo. O costume é utilizar café robusta e torras escuras, e provavelmente o uso do leite entrou para reduzir o amargor. Como o leite condensado é de fácil armazenamento, transporte e conservação em relação ao leite fresco, o drink se popularizou assim.

6. OUTROS PAÍSES EUROPEUS

GINA

Método de café Gina Smart
Gina Smart Dripper

Criado pela GOAT Story na Eslovênia, Gina é o método inteligente ou high tech no preparo de Café. 

Em formato cônico e um design futurista, possui uma válvula em sua base, permitindo três tipos de operação: com a válvula aberta, percolação; com a válvula fechada, infusão. E regulando a abertura desejada, pode funcionar como um sistema de gotejamento a frio. 

Sua versão smart possui um dispositivo eletrônico que funciona por bluetooth, através de um aplicativo conectado ao celular ou tablet. Por esse sistema é possível registrar a receita, tempos, quantidades e compartilhar com a comunidade Gina os seus resultados e também replicar outras receitas.


VEJA TAMBÉM : SAIBA COMO ESCOLHER CAFÉ PELA EMBALAGEM


ALTO AIR

Alto Air Dripper

O suporte Alto Air é feito de metal e compatível com filtros em forma de cone. Foi projetado para o menor contato do coador com o filtro de papel, minimizando entupimentos e favorecendo resultados de extrações mais consistentes.

É mais um exemplo que alia estética, design e funcionalidade.  E esses foram os objetivos de seus criadores, da fábrica Bairro Alto, que se inspiraram a desenvolver esse porta-filtro em uma viagem a Lisboa, Portugal, especificamente ao bairro do mesmo nome.

Em suas versões, diferenciam-se nos materiais empregados. Alto Air Dripper  e o Mini Dripper em aço inoxidável e o Alto Air Copper em alumínio, revestido de cobre.

CAFETEIRA BODUM POUR OVER

Cafeteira Bodum Pour Over
Bodum Pour Over

Fabricado pela Bodum, na Suíça, famosa nos utensílios para café e chá, é um sistema para o preparo de café, com filtro permanente, de plástico com tela de aço inoxidável.

Com essa característica, traz o apelo mais sustentável, já que não utiliza filtro de papel, favorecendo uma bebida mais rica em óleos essenciais.  

Em dois modelos, um em conjunto com jarra de borossilicato adornada de um colar para proteção das mãos e outro, formado por um porta-filtro de acrílico e caneca.

EVA SOLO POUR OVER

Método Pour Over Eva Solo
Pour Over Eva Solo

Eva Solo é uma empresa de design dinamarquesa que tem outro sistema para preparo de café por infusão. Mas aqui, vamos apresentar o seu sistema Pour Over

Dotado de uma jarra de serviço com alça e bico, uma chapa de alumínio cônica que é o próprio filtro e uma tampa de rolha de cortiça, para manter a temperatura e aromas do café pronto. Sustentável, traz um café mais encorpado e linhas elegantes.

7. MÚLTIPLAS NACIONALIDADES

COADOR DE PANO / NEL DRIP

coador de pano
Nel Drip Hario

O uso de pano é o mais antigo dos processos de filtragem do café, não há registros de onde surgiu exatamente, acredita-se que por volta do final do século 18, início do século 19. Primeiramente, usados tecidos como o linho, e depois as flanelas de algodão, em diversas tramas.

Esse métofo foi criado em uma época onde a qualidade do café era pouco explorada, a ideia foi produzir uma bebida com menos presença do pó, deixando-a mais agradável ao paladar. 

O filtro de pano retém menos os óleos essenciais do café e permite um fluxo mais rápido, quando comparado aos filtros de papel, por isso, usar moagens mais finas é um bom recurso para equilibrar a extração. 

A empresa Hario, do Japão, desenvolveu o modelo Nel Drip, trazendo uma jarra com design mais elegante ao popular coador de pano. Lembrando que os coadores de pano exigem maiores cuidados com a higiene, armazenamento adequado (sob refrigeração) para evitar a proliferação de microrganismos como fungos e bactérias.

COADOR DE INOX POUR OVER

Coador pour over
Coador de Inox pour over

Com o apelo de ser mais sustentável, feito em aço inox, portanto bastante durável, dispensa o uso de filtro de papel. Em formato cônico, os filtros de metal possuem buracos com diâmetro aproximado de 50 micrômetros (quase três vezes maior que os poros dos filtros de papel), por isso é comum a passagem do micro pó para a bebida, além de maior presença dos óleos essenciais também.

Uma das marcas famosas a fabricar esse modelo é a Bialetti, criadora da cafeteira italiana Moka.

COLLAPSIBLE COFFEE DRIPPER OU COADORES DOBRÁVEIS

Brass Collapsible Adaptável a qualquer formato de filtro

Para facilitar a vida de quem não abre mão de levar seu próprio  sistema de preparo de café por onde for, existem diversos modelos portáteis e dobráveis.

Chapa de metal, Foto de Kevin Kelly

Em diversos materiais e formatos, o mais versátil é o Brass Collapsible Coffee Driper, que é adaptável a filtros de papel diferentes como o V60, Kalita Wave ou Melitta.

CONCLUSÃO

Como vimos, são diversos modelos e cada qual com suas características e capacidades de nos proporcionarem bebidas diferenciadas, possibilitando que, desde o consumidor até os baristas mais experientes, possam explorar cada um deles.

A influência do design, materiais, angulações, diâmetro de saída e principalmente as paredes ou ranhuras que irão facultar aderência do filtro de papel em diferentes níveis em cada um deles é o que tornarão o desempenho de cada utensílio desse, único e desafiador.

Independentemente do utensílio que você prefira para preparar seu café, o que eu recomendo é que você adquira cafés de boa qualidade, de preferência em grãos, para que você possa moer na hora do preparo. Dessa forma, preservará toda a experiência aromática para sua xícara.

E lembrando que em cada coador, caso sejam alterados quaisquer parâmetros do seu jeito de fazer café, como a granulometria, temperatura da água ou a maneira como se despeja água sobre o café moído, você terá oportunidades diferentes de produzir perfis de sabores com o mesmo café. 

Neste artigo, eu trouxe apenas alguns dos exemplares de modelos pour over gravitacionais, mas ainda existem inúmeros outros, de diversos desenhos e tipos de preparo.

Diante disso, e imaginando a infinidade de tipos de grãos e processamentos dos cafés, dos diversos tipos de regiões diferentes de onde são produzidos e beneficiados, mais ainda as diferentes torras que vão conferir complexidades distintas aos grãos, eu te garanto que o preparo de cafés é um universo de infinitas possibilidades. Vamos aproveitá-las? 

Agora que você conhece a coletânea de métodos Pour Over, não deixe de compartilhar esse conteúdo com seus amigos!

Essenciais em cafeterias, restaurantes e hotelarias, os baristas são responsáveis por preparar diferentes tipos de bebida e drinks à base de café. A atividade barista foi reconhecida como uma ocupação em 2013, a partir do registro da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). 

Para saber detalhes sobre o dia a dia desse profissional, conversamos com as baristas Luiza Burleigh e Rebeca Farias, que comentaram sobre suas experiências e principais desafios na carreira.

Escolha da profissão

Luiza Burleigh, cita que se tornou barista porque já tinha uma paixão pelo café, que o sentimento ganhou maiores proporções ainda na faculdade, quando realizou um estágio em uma cafeteria de cafés especiais.

Luiza Burleigh é barista e instrutora de cafés

“Era o Il Barista e a Isabela Raposeiras estava começando uma carreira de consultora e já tinha ganhado o campeonato nacional de barista. Foi ali que ouvi falar de cafés especiais pela primeira vez e tudo fez muito sentido”, destaca.

Rebeca Farias, atualmente reside em Manaus, mas é natural de Natal, Rio Grande do Norte. Ela comenta que se encantou com a profissão, após observar o trabalho de alguns amigos baristas.

“Achava tudo aquilo o máximo e comentava com eles ‘deve ser muito bacana trabalhar com isso’. Acabei sendo chamada pra uma entrevista (eu não sabia nada de café ou barismo), fiz um intensivão com eles e só comprovei que a paixão era real”.

Muito além do preparo

O barista é responsável pela produção de café, mas não se limita apenas a esse universo. O profissional que almeja conquistar um destaque no mercado precisa desenvolver um conhecimento técnico sobre as cadeias de produção, torrefação, moagem do grão, temperatura da água e demais variações de extração.

Características para ser um bom barista

As entrevistadas apresentam algumas dicas necessárias para se tornar um bom barista. Segundo Luiza Burleigh, é fundamental ter disciplina e gostar de pessoas, pois os baristas fazem a ponte entre toda a cadeia produtiva e o cliente final.

Saber provar é outra habilidade importante e vem com a prática. A técnica é fundamental, mas se aprende. Já gostar de gente e ter disciplina para continuar aprendendo sempre é algo intrínseco a essa profissão e precisa fazer parte da personalidade de um bom barista”, salienta.


SAIBA MAIS SOBRE A PROFISSÃO BARISTA NO BRASIL


Na visão de Rebeca Farias, além do amor, e encantamento por todo o universo do café especial, o profissional precisa ter carisma e bom atendimento, deve saber explicar cada método e se prontificar a tirar as dúvidas dos clientes.

Barista Rebeca Farias

“Muitas vezes nem o cliente sabe qual café ele quer tomar, cabe ao barista também saber indicar a bebida certa, caso necessário. Claro, também saber executar cada método que a cafeteria tenha, saber diferenciar granulometrias, temperaturas, texturas de vaporização, regular o moinho para um bom espresso”, cita.

Além da parte técnica, Rebeca destaca a importância da limpeza da máquina de café. “As máquinas de café tem uma performance muito maior quando estão bem limpas e cuidadas”, pontua a barista.

Dificuldades da profissão

Um os principais obstáculos enfrentados pelos baristas é a remuneração, conforme aponta Luiza. Segundo ela, essa é a maior dificuldade do setor, pois há uma relação desigual entre aprendizado e dedicação x volume de trabalho e remuneração.

método de extração
Barista convive com baixa remuneração

Portanto, os baristas precisam ter um vasto conhecimento técnico, com muitas horas de estudo, mas o mercado de trabalho não oferece um salário condizente com a atividade.

Mas sabemos que essa relação desigual é algo da área de A&B e hospitalidade. É comum o profissional estudar muito, se dedicar durante muitos anos a uma profissão enquanto o mercado continua remunerando mal e oferecendo condições de trabalho bastante aquém do profissional, Luiza Burleigh.

Outra dificuldade apresentada na área, corresponde ao gênero, Rebeca Farias comenta que as mulheres precisam “performar” em dobro para se destacar de alguma maneira.


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Barista e pandemia

A pandemia de Covid-19 afetou a forma de trabalho das cafeterias e baristas, que precisaram se adequar à nova realidade do mercado.

Para Luiza Burleigh, é importante que os baristas façam um esforço para continuar o processo de difusão e valorização do café, seja nas redes sociais, relações diretas ou nas cafeterias em funcionamento.

“O barista é um representante da cadeia, um formador de opinião, um conversor de consumidores e também um professor, ao menos até que esse mercado mostre-se mais maduro e consolidado no Brasil”.

Na concepção de Rebeca Farias, a pandemia trouxe um cuidado redobrado com a limpeza. Segundo ela, todo bom barista precisa carregar essa característica de mania de limpeza.

O cuidado redobrou, tanto com a louça (barista tem que lavar louça sim!) quanto com o álcool nas mesas e balcão. Um bar limpo significa que o barista se importa com o cliente e com o seu local de trabalho, explica Rebeca. 

Conselho das baristas

O barista é o profissional que domina as técnicas de café, mas que também revela a qualidade da bebida ao cliente, e sempre está disposto a aprender mais sobre a área.

Para quem deseja seguir a profissão, Rebeca Farias destaca a  importância dos estudos e a persistência no aprendizado. “Ninguém nasce sabendo, todo o conhecimento a gente adquire com estudo e muita repetição. Ver vídeos, fazer cursos online, não é um bicho de sete cabeças, tenho certeza que com alguns estudos e prática você o domina”.

Luiza Burleigh também pontua a necessidade de esforço e dedicação, acrescenta a necessidade de abraço aos cafés de qualidade. “Entenda a cadeia e todos os benefícios – e também incoerências – desse mercado. Há muitas áreas de atuação no café e amadurecer a profissão de barista é uma das missões a serem realizadas nos próximos anos”, finaliza. 

Agora que você sabe o que um barista faz, não deixe de compartilhar esse conhecimento com os seus amigos!

A rede Il Barista , uma das pioneiras casas de cafés especiais no Brasil, completou 18 anos no dia 13 de janeiro de 2021. E para saber mais da história de como tudo começou, conversamos com Gelma Franco, mestre de torra e proprietária da rede. Continue a leitura para saber mais!

O INÍCIO DE TUDO

É impossível dissociar o sucesso da cafeteria Il Barista de sua criadora, a empresária Gelma Franco, formada em turismo e publicidade, especialista em cafés, mestre de torra, uma das profissionais mais atuantes no mercado de cafés de qualidade.

Gelma Franco, fundadora da Il Barista

Tudo começou em 2002 em uma viagem à Bélgica. Gelma procurava um lugar aconchegante e aquecido para se aliviar do frio intenso da rua, quando adentrou em um lugar que lhe pareceu convidativo, uma cafeteria.

Ao ser recepcionada, veio a pergunta que a embaraçou: ” Como você gosta do seu café?” Gelma não escondeu sua curiosidade, mas não soube o que responder, pois até então, café era apenas um café (no singular, e não cafés).

Nesse momento, recebeu uma pequena aula sobre os tais cafés, e ficou perplexa diante das diversas qualidades e possibilidades dos grãos. E mais ainda, quando o barista da casa lhe ofereceu um grão brasileiro, dizendo-lhe: “vocês têm um produto maravilhoso em seu país, mas não sabem explorá-lo”.

Aquele comentário lhe causou indignação, mas da mesma forma, soou-lhe como um desafio e uma oportunidade de empreender em seu país.


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No entanto, como e por onde começar, se no Brasil não existia público consumidor e o produto era praticamente todo voltado ao mercado externo?

Essa é a história que a torna um case de sucesso, uma vez que a empreendedora percebeu que, primeiramente, seria necessário criar o mercado de cafés especiais, arregaçando as mangas e indo à luta. E foi o que fez.

BARISTA? O QUE É ISSO?

Gelma atuava em uma agência de publicidade, onde realizou um trabalho para a embrionária BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), e para uma empresa de exportação de cafés. Essas oportunidades lhe aproximaram dos protagonistas da cena do café na ocasião. E com isso, foi estreitando os laços com produtores e outros empreendedores alinhados ao mesmo objetivo: desenvolver o mercado de cafés especiais no Brasil.

A empreendedora promoveu diversas ações e eventos para que o café especial fosse conhecido por aqui, sendo inclusive, uma das organizadoras da extinta ACBB (Associação Brasileira de Café e Baristas). Esteve presente desde a coordenação dos primeiros campeonatos nacionais de baristas e permanece em projetos atuais com produtores de cafés e a BSCA.

A profissão barista não existia aqui no Brasil, muitos nunca tinham ouvido falar essa palavra. Precisávamos criar demanda, capacitar pessoas e desenvolver produtos, completamente do zero”. (Gelma Franco)

Loja do Shopping Morumbi – São Paulo

LINHA DO TEMPO

A Il Barista iniciou como uma consultoria em café, e em 2003, inaugurou a primeira Boutique de cafés especiais, junto ao Hotel Melia.

Em 2005, integrou um conceito inédito ao espaço Samsung Experience, no Shopping Morumbi, e logo avançou para outro ponto, onde permanece até os dias atuais.

Neste local, em 2014, iniciou suas atividades como torrefação e trouxe a experiência ao público de poder acompanhar ao vivo, os cafés sendo torrados, despertando curiosidade e admiração dos que presenciavam a cena, fisgando-os pelos aromas.

Nem a chegada da famosa rede americana de cafeterias no Brasil,  a Starbucks, que escolheu iniciar suas atividades no mesmo Shopping, onde fica a Il Barista, abalou a confiança de Gelma. Uma vez que seu negócio e seu público já estavam fidelizados. Foi uma oportunidade de comprovar como os produtos e serviços da Il Barista eram diferenciados, destacou a empresária.


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Torrefação Il Barista

No ano de 2013, a Il Barista assume a gestão da consagrada Cafeteria do Museu do Café, na cidade de Santos (SP), redesenhando todo o branding e layout do espaço atual, como cafeteria, torrefação e venda de cafés e acessórios.

Ao longo dessa trajetória, a rede inaugurou muitas lojas, como a Casa do Saber, a Livraria da Vila e em outros shoppings, sempre aliando o conceito de serviço de excelência e boutique de cafés. No entanto, algumas já encerraram suas atividades por questões estratégicas.

IL BARISTA, A CASA E ESCOLA DO CAFÉ

O grande marco e realização de um sonho, aconteceu em janeiro de 2018, momento em que houve a inauguração da Il Barista Casa, na Vila Nova Conceição, em São Paulo (SP). Um espaço que reúne tudo o que sua fundadora acreditou e ajudou a desenvolver no Brasil.

Além da cafeteria em um espaço amplo e aconchegante, lá está a torrefação aos olhos dos clientes, bem como um espaço para eventos e campeonatos, e uma sala para cursos. Foi pensada para ser um ponto de encontro de coffee lovers, baristas e produtores.

A Escola do café Il Barista oferece desde cursos básicos, para os consumidores que buscam melhorar sua performance nos cafés preparados em casa, até profissionais, com certificação pela SCA (Specialty Coffee Association).

NOTAS SENSORIAIS E MUSICAIS

Sofisticada e voltada para o público A e B, a Il Barista traz em sua marca, a relação entre o café e a música. Todos os cafés levam nomes que remetem à música, ou gêneros musicais. Seu logotipo é uma clave de sol, simulando uma xícara com uma estilosa fumaça saindo do café.

O barista é o maestro que rege os aromas e sabores, criando uma sinfonia com todos os acordes do café”. (Gelma Franco)

Gelma Franco, Il Barista
Gelma Franco, inaugurando a Il Barista Shopping Cidade Jardim

Desde o princípio, os cafés carros-chefes da casa são: Maestro, com perfil mais suave, Ópera, trazendo intensidade e Jazz, apresentando um café mais equilibrado. Além destes, proporciona outras experiências sensoriais por meio de diversas variedades, de diferentes regiões produtoras, todas com a música como inspiração para nomear seus blends: Blues, Bossa, Rock, Samba, Soul, Tango etc.

PARA SE DELICIAR

A cafeteria ainda oferece ao consumidor a chance de criar seu próprio blend personalizado de grãos, de acordo com suas preferências, além das edições limitadas, e os lotes de cafés premiados. Esses últimos, são arrematados em leilões e torrados exclusivamente pela própria Gelma.

Além da carta clássica de espressos, lattes e coados, você encontrará doces e bolos de encher os olhos e também os salgados como pães, quiches, muffins e pães de queijo, além dos diversos drinks (quentes, gelados e alcoólicos). 

Vitrine de Produtos

Acessórios como coadores, canecas, moedores, métodos de preparo, semi joias e kits presenteáveis fazem parte da gama de produtos oferecidos.


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A II Barista recebeu diversos prêmios e indicações, como a de melhores do ano pela Revista Veja SP, por nove anos consecutivos, além de ter formado pessoas de destaque em campeonatos de café e latte art. 

Também atende eventos empresariais e sociais, prezando em oferecer a mesma qualidade. Sempre se reinventando, avançando para outras cidades, como na temporada de inverno em Campos do Jordão (SP), e em lojas de outros estados como Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE).

FORTALECER O MERCADO E EDUCAR O CONSUMIDOR

participantes de eventos da Il barista
Il Barista também realiza eventos

Nos eventos promovidos frequentemente pela casa II Barista, observamos essa filosofia, em que se nota a busca incessante pelo fortalecimento do mercado.

A casa oferece cuppings gratuitos e degustações orientadas, que encantam e estimulam aprendizado para os consumidores, sobre a diversidade de sabores e aromas.  Nesse ambiente, acontecem os Talkings com os produtores, que aproximam os elos da cadeia, onde o consumidor conversa diretamente com quem produz seus cafés, em um encontro descontraído, elevando a percepção de valor do café especial. 

18 ANOS DE HISTÓRIA

O ano de 2020 trouxe as dificuldades impostas pela pandemia do Covid-19, e precisou, como tantos outros empreendimentos, realinhar seu posicionamento. A Il Barista optou por encerrar as atividades de algumas unidades, e obrigou-se a demitir muitos colaboradores. Devido ao distanciamento social, suspendeu temporariamente os cursos e precisou se adaptar ao delivery e ao e-commerce.

No início da pandemia, eu tive apenas duas certezas: que essa fase seria longa e que eu não poderia contar com ajuda do governo. Então, precisei agir”.

Cafeteria Il Barista
Il Barista do Shopping Cidade Jardim

No entanto, este ano começou com comemorações! Além do aniversário de 18 anos, houve a inauguração de mais uma loja no conceito Boutique, no Shopping Cidade Jardim, no dia 25 de janeiro de 2021, e haverá uma próxima, muito em breve, em CJ Shops, na Rua Haddock Lobo, Jardins.

Portanto, a missão da Il Barista é servir com excelência, e a máxima que Gelma destaca como seu objetivo perante seus clientes é pessoas encantando pessoas

Eu costumo dizer que a Il Barista é o lugar onde os olhos brilham, pelo ambiente elegante e acolhedor, seja pela qualidade dos cafés, produtos e atendimento primoroso, mas principalmente pela sua trajetória e pelas experiências compartilhadas. 

Gostou de conhecer a história de uma das pioneiras casas de cafés especiais no Brasil? Então, compartilha com os amigos!

Quem está bem envolvido na área do café já deve ter notado o padrão “barista tatuado”. Afinal, é um segmento que atrai muitas pessoas alternativas. Mas será que tatuagem de barista é um arquétipo real? Se sim, será que é positivo para os aspirantes e profissionais já inseridos no mercado?

O assunto é mais amplo do que parece. Da Austrália até o Brasil, há muitas opiniões e depoimentos que podem fazer com que você veja a tatuagem para além de uma escolha pessoal: para alguns, ela chega a ser característica da profissão.

Continue lendo para entender toda essa conversa!

O que estão falando

Internacionalmente, já se fala sobre o assunto há alguns anos. Em 2014, a barista Candy Weiss — na época já com 14 anos de atuação — analisou a situação a partir de sua perspectiva vivendo em Melbourne, na Austrália. Vale lembrar que o país é conhecido por sua forte cultura de café, inclusive sendo o berço de alguns drinks clássicos.

Em um artigo escrito para a Cafe Culture, Candy conversa com outros profissionais e amantes do café para entender como a tatuagem impacta na impressão do barista aos olhos dos empregadores e dos clientes.

Ela descobre que há cafeterias suburbanas com um público mais velho e conservador, o que pode significar dificuldades na contratação de alguém cheio de tatuagens, piercings, cabelos coloridos e modificações corporais no geral. 

 

Contudo, ela também percebe que, em outros locais, esse visual “descolado” é exatamente o que a clientela espera de quem está atrás do balcão.

De 2014 para cá, essa impressão se tornou mais acentuada. Em fevereiro de 2020, mesmo, o site de sátiras The Knockbox publicou um post brincando com a situação, com o título “Barista sem tatuagens ou piercings não é levado a sério pelos clientes”. Ou seja, a coisa já virou até motivo para piada.

No ano passado, o barista JP Blignaut também teve um artigo sobre o assunto publicado, dessa vez na Coffee Magazine. Ele traz o tema para a união de paixões, que é a tinta na pele e o trabalho com café em si. O que nos leva a outro ponto…

Tatuagem de barista tem que destacar o café?

Esse é um outro lado do debate. Até agora, falamos sobre as tatuagens como parte do visual esperado do barista, o que pode ou não acontecer dependendo da região onde a cafeteria se encontra. O que o público espera tem mais a ver com ele próprio do que com os trabalhadores.

Com isso em mente, há também os profissionais que não apenas possuem tattoos, como também fazem delas uma extensão do ofício que tanto amam. Blignaut, que citamos há pouco, fez exatamente isso: tatuou uma cafeteira AeroPress no braço. A ideia é ter uma lembrança permanente de onde ele começou e do que ele escolheu como carreira.

Temos um exemplo também no Brasil: Renato Gutierres, do Barista At Work, falou sobre como a tatuagem significa, para ele, a “eternização de algo significativo” e que sempre esteve presente em sua vida. 

Se você pesquisar por “tatuagens de barista” em sites como o Pinterest ou Instagram, encontrará uma infinidade de exemplos para se inspirar. Portanto, realmente não é difícil que cada vez mais baristas apaixonados se rendam a essas artes, seja com simples xícaras ou com imagens que representem a produção dos grãos.

Ainda assim, o debate sobre tatuagem de barista é muito mais relacionado ao possível dilema de ter ou não tattoos, do que sobre o que elas ilustram. A escolha por representar o café na pele vem de um lugar de paixão, portanto, é natural para muitos profissionais.

Como sociedade, no geral, estamos bem mais avançados do que décadas atrás a respeito de tatuagens no trabalho. Ainda não é possível dizer que elas são esperadas, necessariamente, em baristas — mas certamente não são rejeitadas.

 

A profissão barista exige conhecimento que vai além das técnicas de preparo do café, características dos grãos e demais informações sobre a extração. O domínio do inglês também se torna um diferencial para esse profissional se destacar no mercado de trabalho.

Para entender mais sobre o tema inglês e café: importância do idioma para o barista brasileiro, conversamos com Luan Goria, barista da Ona Coffee, cafeteria localizada em Canberra, capital da Austrália, Daniel Teixeira, idealizador da revista digital BARISTAWAVE.COM e da escola digital de café Barista Wave Academy e entrevistamos a Simone Caveleiro, fundadora da escola Upper Idiomas.

Primeiros contatos com o inglês

O inglês está presente no nosso cotidiano, principalmente no mundo das artes, seja na música, filme ou literatura. Luan comenta como foi o seu primeiro contato com o idioma e como conseguiu fluência na língua.

“O inglês me foi apresentado na infância e dos 10 aos 15 anos de idade, eu estudei inglês e adquiri fluência no idioma, porém o que realmente me ajudou a dominar a língua foi consumir variados tipos de conteúdo em inglês tais como, filmes, livros, e música”, disse.

O barista afirma que o aprendizado por meio de filmes, livros e música foi importante para ter uma vivência no idioma e continuar praticando o que aprendeu, mesmo vivendo no Brasil.

Inglês e café

A relação entre a língua inglesa e o café acontece de diferentes maneiras, começando pelos métodos de extração como cold brew, french press, aeropress, e assim por diante. 

Para Luan, exercer o trabalho diário de barista no exterior não está ligado simplesmente ao domínio das técnicas de café (extração de espresso, latte art, degustação, velocidade e limpeza), mas a capacidade de comunicar-se tanto com os colegas de trabalho, quanto com os clientes.

“Muitos clientes irão preferir ir a um café onde o barista é simpático e está sempre sorrindo e tem um bom papo, o que aqui chamamos de “small talk“, eu acredito que a habilidade social de um barista é a sua ferramenta mais relevante, por isso a importância do domínio da língua”, salienta Goria.

Daniel Teixeira também segue a mesma linha de raciocínio quando o assunto é a profissão do barista no exterior, algo que vai muito além da técnica.

“Muitos baristas pensam que o trabalho no exterior se limita ao preparo de café, mas isso é apenas o começo. O barista é um profissional da hospitalidade e tem como principal função criar bons momentos através do café, boa conversa e de um bom atendimento”, afirma.

Ainda para o idealizador da Barista Wave, trabalhar na hospitalidade com pouco domínio da língua é um desafio constante. Isso acontece porque os clientes não têm paciência com quem ainda está começando no idioma.

“A maior dificuldade de se trabalhar com café no exterior não é o domínio da técnica. Mas o domínio da língua e da cultura local”, comenta.

Oportunidades

Daniel Teixeira trabalhou como barista em muitas cafeterias na Austrália. Começou em uma pequena cafeteria de bairro, na cidade de Brisbane, chamada Sibro Coffee, onde o dono era Húngaro. Em outra cafeteria de maior porte, era o único estrangeiro de uma equipe de 20 funcionários da cafeteria e restaurante Fuzzy Duck. Ele comenta que chegou ao país com inglês intermediário, mas que o dia a dia com os colegas de equipe, ajudaram na fluência do idioma.

Daniel Teixeira foi barista da cafeteria de bairro, Sibro Coffee, na Austrália.

Além disso, cita que alguns livros foram importantes para o seu conhecimento na língua inglesa e essenciais para se aprofundar na cultura australiana de café.

“O livro em inglês que balizou o meu conhecimento na cultura australiana de café foi o Barista Bible, da Christine Cottrell. É um livro local, vendido somente na Austrália. Eu fiquei tão fã do livro que o meu é autografado pela autora, que depois se tornou uma grande amiga de profissão”, destaca.

Daniel também relata que o inglês permitiu que alcançasse novos feitos na área. Como por exemplo,  o projeto da revista digital de café Barista Wave foi selecionado para participar da ReCo Symposium (Simpósio de Cafés Especiais da Specialty Coffee Association) e isso só foi possível graças ao domínio da língua, já que o processo de seleção e as palestras e eventos eram todos em inglês.

A Importância de começar o quanto antes

Aprender uma nova língua é um projeto de médio-longo prazo. É necessário prática, dedicação e professores que acompanhem e otimizem o desenvolvimento do aluno.

Por isso, nós do BARISTAWAVE.COM temos uma parceria com a UPPER IDIOMAS, uma escola digital de inglês, que já participou como empresa responsável pela tradução simultânea em Simpósios Internacionais de Café.

Leitores da revista digital BARISTAWAVE.COM e alunos do BARISTA WAVE ACADEMY terão acesso a descontos exclusivos para os mais diversos cursos da escola. Se você é aluno oficial de algum curso do Barista Wave Academy, entre em contato pelo Canal do Telegram da Upper Idiomas ou pelo site.

Assista abaixo a entrevista que fizemos com a Simone Cavaleiro, fundadora da Upper Idiomas, que possui vivência internacional em Cambridge (Inglaterra) e cursos em Nova York. Simone possui o certificado CELTA pela Universidade de Cambridge (University of Cambridge) e pós-graduação em Tradução na Universidade Estácio de Sá.

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CLIQUE NA IMAGEM PARA SABER MAIS

Chegou o dia mais colorido do ano, o Dia do Orgulho LGBTIQ+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros – travestis, transexuais – intersexuais e queers).

Celebramos o dia 28 de junho desde 1969, quando ocorreu um episódio de afronta ao comportamento da polícia no bar Stonewall Inn em Nova York. Pessoas gays, lésbicas e trans reagiram como um sinal de revolta por serem perseguidas onde quer que estivessem.

Policiais dispersando a multidão após o tumulto de 1969. Foto de Larry Morris/NYT.

A perseguição e discriminação por pessoas LGBTIQ+ decorre simplesmente da sua orientação sexual ou identidade de gênero desde a Idade Média, quando houve direta influência dos dogmas religiosos na filosofia de vida da maior parte do mundo.

Em muitos países do mundo, sentir atração por pessoas do mesmo sexo ainda é punido com tortura e morte, levando essas pessoas a viverem em guetos, escondidas, sem poderem praticar seu sentimento mais íntimo.

Giles Muhame, editor da revista Rolling Stone da Uganda, segurando a edição de Novembro de 2010 em Kampala, depois de terem sido publicados nomes e fotos de 14 homens identificados como gays. Normalmente depois disso, são perseguidos para serem condenados. Foto: AFP/AFP/Getty Images.

No Brasil, mais de uma pessoa LGBTIQ+ morre por dia por simplesmente se sentir “diferente” e causar indignação nos próprios familiares que tiram as vidas de seus filhos em nome de Deus e dos “bons costumes”.

Boa parte do mercado de trabalho sofre pela falta de mão de obra qualificada ao mesmo tempo em que se recusa, expressamente, a expor essas pessoas pelo medo do que os clientes vão pensar. Um paradigma fechado que inibe, ainda mais, a contínua construção do ser humano, em prol da lucratividade.

Hoje quero te apresentar as histórias de pessoas, baristas, que têm muito a dizer sobre Gênero e Diversidade no Café Especial, com uma mensagem única para você, caro leitor:

Você sabia que existe um Projeto no mundo do café focado em ajudar essas pessoas?

Começamos com o Projeto Jovens Baristas, idealizado por Kivian Monique.

“Sou mulher, negra, mãe do Micael, barista, mestre de torra, consultora, empresária na Cafeteria Café Utopia e Idealizadora do Projeto Jovens Baristas”.

O Projeto Jovens Baristas “é a materialização do desejo de dar oportunidade e mostrar um mundo novo para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Café pode sim mudar vidas”, diz Kivian ao explicar o projeto.

Família Jovens Baristas.

Tudo começou na necessidade de pessoas menos favorecidas terem acesso a conteúdos de café com maior facilidade, visto que muitos assuntos são “elitizados”. O alto custo afasta as pessoas da qualificação apropriada para ingressarem ao mercado de trabalho, incluindo o de cafés especiais.

“Claro que em Minas/BH está cheio de pessoas LGBTIQ+ com condições financeiras para arcar com uma profissionalização no ramo de cafés. Mas e os que não tem?”, complementa ela.

Na maioria das vezes são expostas a trabalhos na madrugada, em bares, sem contratos de trabalho, ou qualquer outro tipo de trabalho informal, não permitindo que tenham uma vida estável.

O Projeto ensina a profissão de forma mais acessível possível, encaminhando para o mercado de trabalho e acompanhando o processo de adaptação junto ao empregador, dando suporte para evolução profissional após a conclusão do curso. caso se interessem. Tudo com o acompanhamento do nosso parceiro Psicólogo, Éverton Pereira.


VEJA TAMBÉM: A PROFISSÃO BARISTA NO BRASIL


Luar, 19 anos, barista de Belo Horizonte, define-se como uma pessoa de identidade de gênero trans não-binária, ou seja, sem gênero, que TRANSgride a norma: “não me identifico nem como homem, nem como mulher. Esse termo nasceu para designar pessoas que não se encaixam em nenhum desses dois gêneros que todos conhecemos”, afirma. 

Luar, 19 anos, barista.

Ao contrário do que muitos pensam, o termo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) já não cobre em sua integridade as infinitas formas de se sentir, se perceber e exteriorizar suas emoções. Utilizá-la é ignorar todas as pessoas que, atualmente, por fim, encontraram termos com os quais mais se identificam.

“Ah, mas isso é modinha, antes só tinha gay e lésbica” é um pensamento generalista que não representa mais nossa complexa, variada e colorida sociedade. Com o tempo e os movimentos sociais, conquistou-se a utilização da sigla LGBT, com suas respectivas variações, depois de muito sangue e suor. O “T” passou a representar todos os transgêneros, que envolve Travestis, e Transexuais, que são pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído no nascimento. 

Sentir-se assim leva essas pessoas a sofrerem preconceito diariamente, afetando diretamente sua autoestima e o modo que são percebidas. “É bem complicado ver sua identidade sempre apagada, por falta de empatia ou ignorância dos outros. Todos os dias tenho que lidar com olhares e falas estereotipadas sobre meu corpo ou quem sou”, diz Luar.

Luar entrou no mundo dos cafés especiais por meio do Projeto Jovens Baristas:

Lembro do rosto daquela mulher [Kivian] que me passou segurança, ela parecia ser tão forte, sabe? Falava com paixão sobre o projeto, o futuro das aulas, e eu me identifiquei tanto, quis ser como ela. […] Num mundo cheio de desinformação, falta quem ensine, quem dialogue de forma amigável para um melhor entendimento das coisas, seria tudo mais fácil se Gênero e Sexualidade fossem discutidos em casa, em sala de aula, desde cedo.

[…] Às vezes eu queria que as coisas fossem mais fáceis, sabe? Não ter que lutar e reafirmar pro mundo o tempo inteiro que eu existo e mereço respeito, uma chance de viver e conquistar um mundo como todos os outros.

Luar almeja conquistar a estabilidade financeira, a retificação de seu nome, a cirurgia de mastectomia e um lar. Há muita luta à sua frente por coisas que muitas pessoas não se importam e nem sabem que existem.


Gustavo Morato, 19 anos, barista também de Belo Horizonte e do Projeto Jovens Baristas, é homossexual. Ele se assumiu há cerca de 2 anos e não sofreu discriminação grave no mundo do café, mas afirma: “Que LGBTIQ+ nunca recebeu um olhar torto ou escutou palavras ou expressões homofóbicas como “Bichinha” ou “Que viadagem!”?

Gustavo, 19 anos, barista.

Falta respeito, empatia, compaixão e muitas outras coisas à essas pessoas que devem entender que o nosso amor nunca será problema, mas a discriminação delas sim. Logo, é querer a liberdade de simplesmente poder andar nas ruas com tranquilidade.

Gustavo se encontrou no ramo do café, pois adentrou num ambiente em que ele pode ser ele mesmo, sentindo-se realizado por trabalhar com o que ama. E ainda grita ao mundo: “Não deixem de acreditar em um amanhã melhor e em uma comunidade mais amorosa. Orgulhem-se de si mesmos, não há nada errado conosco. Tudo isso requer coragem. Sejam corajosos e busquem a própria felicidade!”.


VEJA TAMBÉM: O MERCADO SOMOS NÓS – JUNTE-SE!


Dênis é um homem trans, ou seja, se identifica com o gênero masculino, mas nasceu em corpo feminino. Diferentemente de trans não-binário, que não se identifica com nenhum dos dois.

Dênis, barista.

Ele nasceu no Rio de Janeiro como menina, e cresceu numa cidade pequena do Vale do Paraíba. Quando descobriu que gostava de meninas, a comunicação com a família começou a trazer problemas. 

Até meus 23 anos eu era uma garota que ficava com garotas. E constantemente me demandavam que minhas roupas e comportamento se enquadrassem ao meu sexo. O clássico “tem que furar a orelha da neném pra saberem que é uma menina”.

Eu sempre rejeitei esse estereótipo e tinha consciência de que não preciso ser feminina só por nascer com um órgão genital feminino. Nunca me entendi “mulher” e nem me acostumei com isso. Não estava confortável em ser tratado no feminino, mas achava que não havia nada que eu pudesse fazer.

[…] Eu aceitei o fato de que eu sou, sim, um homem, e que só eu posso dizer quem eu sou. Mas também precisei aceitar que as pessoas não enxergavam isso, e que eu precisaria explicar pra elas.

Incentivado pela mãe, quando Dênis começou a estudar café, se apaixonou pela área e se dedicou a continuar aprendendo. Trabalhou em algumas cafeterias, passou por treinamentos e foi acolhido por seus chefes da melhor maneira possível. Ele coloca honestidade e dignidade como sinônimos de sucesso e acima de qualquer nomenclatura de Gênero e Sexualidade.

Gênero e Sexualidade costumam ser termos facilmente confundidos pelas pessoas no geral, que interpretam os conceitos equivocadamente e julgam essas pessoas antes mesmo de conhecê-las.

Veja a seguinte ilustração para entender os principais conceitos no mundo LGBTIQ+. O grande aprendizado disso é entender que existem milhares de possibilidades e níveis de atração e identificação, não somente duas.

O Biscoito Sexual. Uma ilustração pedagógica clássica para elucidar sobre esses conceitos.

As mais confundidas são Identidade de Gênero e Orientação Sexual. A Identidade diz sobre si, e reflete na pergunta: “como me vejo, como me considero?”. Somente a pessoa dirá como se sente, independente do seu sexo biológico ou de como ela aparenta fisicamente. E a Orientação diz sobre o outro: “por quem sinto atração afetiva, física e/ou sexual?”.


Ananda também é homem trans, tem 30 anos, e durante toda sua vida se viu como homem, mesmo nascendo em corpo feminino, e não sofreu discriminação por isso, tendo sempre muito apoio da família. “Mas coisas simples como usar um banheiro público é um desafio imenso e evito ao máximo”, diz.

Ananda, 30 anos, barista.

“Estou ciente que essa não é a realidade da maioria das pessoas LBGTIQ+, e que por não sofrer com isso não significa que isso não exista. Existe, e muito! Me sinto um cara de sorte, privilegiado”, esclarece.

Meu primeiro emprego formal foi num café e dali não parei mais. Atualmente trabalho em um, e o fato de ser trans não me causa nenhum tipo de desconforto, pois lá sou aceito e respeitado, fazendo me sentir super bem. Os donos são LGBTIQ+ e super apoiam e respeitam toda nossa luta.


Não foi o caso da Thaís, por exemplo. Ela tem 26 anos, e se considera trans não-binário, sentindo-se dentro dos dois gêneros. Ela gosta de algumas de suas características femininas, mas também ama seu lado masculino. “Quero realçar esse lado masculino cada vez mais, pois desde que o abracei, me sinto muito bem e minha auto estima tem aumentado muito”, complementa. 

Thaís, 26 anos, barista.

Thaís caiu de paraquedas numa entrevista de emprego para barista, num café que fazia parte de um restaurante, iniciando sua trajetória no mundo do café especial. Foi amor à primeira vista!

Foi quando começou a se especializar, procurar cursos, investir muito nessa profissão. E nessa procura, conheceu o Barista Wave, seu primeiro curso de barista, com o Daniel Teixeira, criador desta revista eletrônica. 

Ela enfrentou desafios ao entrar no mercado do trabalho, e retrata um pouco dessa história:

Apesar de dar duro para ser uma excelente profissional, não consegui nenhum reconhecimento nesse mercado, os salários eram cada vez mais baixos, o trabalho cada vez mais desvalorizado, enfrentei o machismo de frente, pois esse mercado é, em grande maioria, dominado por homens.Sempre que falava eu era interrompida, sempre sabia menos que os outros, sempre era questionada sobre tudo que fazia. Até que chegou um ponto que eu fazia tudo na cafeteria, menos café. 

Montava marmitex, limpava chão, banheiros, mesas, lavava louça, embalava produtos congelados para venda, limpava vidros, freezer, rechaud, organizava estoque, prateleiras, fazia atendimento, cobrava, mas na hora de fazer o café era como se fosse um momento de protagonismo, onde só uma pessoa poderia bilhar e se destacar, o dono da cafeteria.

Enfim, tudo isso foi me desmotivando muito, tive experiência em uma segunda cafeteria, e acredite, foi pior. […] tive que lidar com uma total falta de preparo dos proprietários para falar com os funcionários, era tudo resolvido nos gritos, berros e ofensas. Fora a desonestidade, onde cobravam 10% dos clientes e não repassavam aos funcionários, que muitos trabalhavam de forma irregular e eram submetidos a várias funções aleatórias, tais como cuidar do filho dos proprietários durante o expediente, por exemplo.

O que falta para as pessoas é dar valor ao que realmente importa, sabe?Acho que perdemos muito tempo nos importando com o superficial, com o passageiro, com os rótulos e com a aprovação e opinião dos outros. É muito difícil se libertar do “o que vão pensar de mim”, até porque temos medo da solidão e do desprezo, mas a liberdade e a autoaceitação nos trazem amizades e amores mais sólidos, que levam tempo a serem construídos, sim, mas que permanecem durante os furacões.

Por fim, Thaís deixa as seguintes reflexões a todos:

  • Se você julga alguém pelo exterior, qual a base do seu julgamento, e o que isso diz sobre você?
  • O que importa se meu corpo é feminino, masculino, ou os dois? Ou se não me encontro dentro da minha determinação genética?
  • Qual é o problema de amar outra pessoa pelo que ela é como ser humano, seja homem ou mulher?
  • O que muda se me visto diferente do que foi imposto pela sociedade?
  • Esses são os valores mais importantes? 
  • Não deveríamos estar nos preocupando com outras coisas, já que vivemos em um mundo tão injusto e, muitas vezes, cruel?
  • O que você já fez para ajudar alguém e deixar algum legado nesse mundo? 

Por fim, como orienta Thaissa Cordeiro, também colunista desta Revista, apenas reflita sobre essas histórias e realidades apresentadas neste artigo. São pessoas que têm tanto direito quanto às demais, que envolvem ter a sua liberdade, seu reconhecimento e as mesmas oportunidades no mercado de trabalho. Chegou a hora do segmento do café acolher essas pessoas e dar voz a esses talentos.

Leia aqui as histórias completas do Projeto Jovens Baristas (Kivia Monique), Luar, Dênis, Ananda e Thaís, que abriram seus corações para compartilhar com o mundo suas mensagens.