pacote de café branco sendo entregue

Diante de consumidores cada vez mais antenados e da ampla oferta de produtos no mercado, além da funcionalidade e de um design atrativo, a informação nos rótulos das embalagens passa a ser fator chave para a decisão de compra.

homem pagando café no balcão de uma cafeteria

Crédito: Blake Wisz no Unsplash

A embalagem é um dos elementos de conexão com o produto e por isso é muito importante na construção da relação entre produtor e o consumidor final. Atrair o comprador pode ser apontado como um dos principais objetivos do produtor na hora de confeccionar a sua embalagem.

Nesse sentido, a indústria utiliza esses recursos de forma a agregar valor e com a mesma força induzir o consumidor na tomada de decisão. Por esse mesmo motivo, o cliente também precisa estar atento à que tipo de informação é veiculada, seja no café ou em qualquer outro tipo de produto.

 O QUE DIZ A LEI

No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078-90), no Art. 31, determina

“A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, […} sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, […], bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores”.

Tratando-se de Informações sobre alimentos e bebidas, o rótulo da embalagem merece atenção especial, sendo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o principal órgão regulamentador sobre essas informações. 

A Resolução RDC nº 727 /2022, determina que algumas informações são obrigatórias nos rótulos de alimentos em geral, tais como:

  •         Denominação de venda (o nome do produto, muitas vezes orientado por regulamento técnico específico do produto)
  •         Informação nutricional (que pode ser dispensada em alguns alimentos como o café)
  •         Lista de Ingredientes (exceto quando seja de um único ingrediente, como café, açúcar etc.)
  •         Conteúdos Líquidos (peso ou volume, que devem obedecer aos padrões de alimentos pré-medidos entre outros)
  •         Identificação de Origem (Razão Social e endereço completo do produtor e do distribuidor, e país de origem)
  •         Identificação do Importador (quando for o caso)
  •         Identificação do lote (que no caso do Café, pode ser inclusive, a data de torra)
  •         Prazo de validade
  •         Instruções sobre o preparo e uso do alimento, quando necessário
  •         Modo de conservação do produto
  •         Advertências sobre lactose, alérgenos alimentares e ativos como aromatizantes e conservantes

Além disso, a lei 10674/2003 diz que todos os alimentos industrializados deverão conter em seu rótulo e bula, obrigatoriamente, as inscrições “contém Glúten” ou “não contém Glúten”, conforme o caso.

O glúten é uma proteína presente em grãos como trigo, cevada, aveia, e a informação nos rótulos tornou-se obrigatória para a proteção dos portadores de doença celíaca.

Naturalmente o café é isento de glúten, mas há que se ter atenção e informar no rótulo caso haja possibilidade de contaminação cruzada com algum dos alimentos fontes de glúten durante a cadeia produtiva, pelo compartilhamento de maquinário ou até o mesmo ambiente de armazenamento. A mesma responsabilidade deve considerar o possível contato com alimentos alergênicos , que também deverão ser informados.

Além dessas, outras informações exigidas por normas específicas, como as do Código de Defesa do Consumidor, as estabelecidas pelo InMetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), e MAPA (Ministério da agricultura e pecuária), bem como Regulamentos técnicos específicos, como o do Padrão Oficial de  Classificação do Café Torrado, Portaria SDA 570/22.

As normas ditam não apenas quais os dados obrigatórios, mas também qual a posição na embalagem deverão estar, assim como tamanho mínimo de fonte, cor e formato, bem como as expressões permitidas para esses dados.

Omitir dados ou descrever no rótulo dados proibidos por essas normas, ou que confundam o consumidor também causam transtornos aos produtores, portanto, a rotulagem deve ser bem planejada, para evitar esses riscos.

Por exemplo, nunca devemos destacar no rótulo de um café que é um produto rico em cafeína, pois caracterizaria o seu uso como suplementação, e não como alimento, tal qual ele é, quando está em grãos, moído, cápsulas ou drips.

Descumprir essas regulamentações nos rótulos implica em advertências, autuações e até mesmo recolhimento dos produtos, prejudicando assim a imagem do produtor e do comercializador.

O QUE É PRATICADO NAS EMBALAGENS DE CAFÉS

Frente de caixa de uma cafeteria com produtos visíveis

Crédito: Siyan Ma no Unsplash

Especificamente nas embalagens de cafés, dentre eles os Cafés Especiais, além do que é imposto pelos órgãos regulamentadores, algumas informações são significativas, tanto para a valorização do produto como para auxiliar na decisão de compra do consumidor.

Alguns selos e certificações da indústria (ABIC, BSCA, UTZ, Biodinâmicos, Orgânicos, Denominação de origem, premiações etc.) são utilizados também como informativos sobre a qualidade do café e colaboram para a credibilidade da marca.

INFORMAR SIM, CONFUNDIR NÃO!

Com o inquestionável crescimento do mercado de cafés especiais no Brasil, o consumidor está atento sobre o que esperar do perfil sensorial do grão que estará adquirindo e tem observado dados de rastreabilidade como:

  • procedência (nome do produtor, fazenda ou região)
  • terroir (altitude e clima)
  • varietal do grão
  • tipo de processamento
  • nível e data de torra (algumas vezes até o mestre de torra conta como atributo)
  • pontuação (que é questionável, já que se trata de um dado de avaliação no café cru)
  • descrição sensorial

As possibilidades são muitas na utilização dessas referências. Contudo é importante estar atento ao excesso de informações com dados demasiadamente técnicos ou termos subjetivos que podem, em alguns casos, acabar confundindo o consumidor.

Por outro lado, muitos produtores desconhecem a consistência necessária aos rótulos de alimentos, ou optam por uma arte ou design minimalista na embalagem e por isso, acabam não informando o suficiente, deixando de incluir o que é regulamentado como informação obrigatória.

Temos visto também o aumento da utilização de QR Codes, para que o consumidor acesse dados mais específicos, mas será que esse é um meio eficiente para o comprador?

biscoitos em primeiro plano e pacote de café em segundo plano

Crédito: Sara Dubler no Unsplash

Infelizmente a observação e leitura de rótulos não é uma prática habitual nos brasileiros e talvez por isso ainda não haja um movimento para a padronização dessas informações nas embalagens de cafés especiais.

Com a evolução e consolidação desse mercado no Brasil, há uma clara perspectiva de que o consumidor provoque em toda a cadeia produtiva, um olhar mais atento  sobre a questão.

Nessa lógica, os produtores valorizam seus produtos ao mesmo tempo em que valorizam a opinião de seus consumidores finais, oferecendo informações relevantes e padronizadas em suas embalagens.