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CARREIRA

REPRESENTATIVIDADE NEGRA NO CAFÉ ESPECIAL

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Precisamos falar de REPRESENTATIVIDADE NEGRA no café especial. Nunca essas palavras foram tão reproduzidas e escritas nas redes sociais.

Mas será que estamos fazendo a coisa certa? Será que basta apenas colocarmos uma tela preta no nosso feed e dizer que somos antirracistas? O racismo está entranhado nas nossas cabeças e é muito mais complicado do que se imagina.

Repare que, quando olhamos a televisão e vemos uma mulher preta com orgulho do seu cabelo crespo estamos gerando REPRESENTATIVIDADE. Representatividade é impactando. É o mesmo que plantar uma ideia na cabeça de quem está assistindo. O impacto disso é sério e relevante.

Isso faz com que os telespectadores (principalmente os mais jovens) tenham vontade de seguir o mesmo caminho que aquela mulher.

Reflita: Quantos negros você conhece como chefs de cozinha nos restaurantes renomados? Quantos negros na tv apresentando um programa de culinária? Quantos negros como baristas nos campeonatos? E torradores? Quantos negros influenciadores de cafés viajando pelo mundo falando das cafeterias? 

O café especial ainda é um produto um tanto quanto elitizado no Brasil e no mundo e o negro ainda está majoritariamente nas operações de base, seja na cafeteria, na lavoura, no carregamento ou na limpeza. Será que foi falta de esforço? Comodismo? Definitivamente, não. O nome disso é racismo estrutural.

RACISMO ESTRUTURAL

O racismo tem várias faces, não só aquela mais agressiva. Ele está aí, na falta de oportunidade de qualificação e na falta de REPRESENTATIVIDADE. É preciso ver mais negros gerindo as cafeterias, aparecendo nas revistas, nas redes sociais, nas propagandas (seja como modelo ou barista).

Para ilustrar um pouco da presença do negro no mercado de trabalho brasileiro, seguem alguns dados:

  1. No Brasil, os negros ganham em média R$1.500, enquanto a população branca uma média de R$3.000.
  2. Nos cursos superiores, apenas 2% dos professores da Universidade de São Paulo é negra.
  3. Nas 500 maiores empresas que operam no Brasil, apenas 4,7% dos postos de direção e 6,3% dos cargos de gerência são ocupados por negros.
  4. Profissões de alta qualificação: Engenheiros (90% brancos), pilotos (88% branco), professores de medicina (89% branco), veterinários (83% branco) e advogados (79% branco).
  5. Apenas 10% dos livros publicados no Brasil entre 1965 e 2014 são de autores negros e dos filmes nacionais produzidos entre 2002 e 2012, apenas 2% são negros.
os dados do texto foram retirados do livro Escravidão de Laurentino Gomes

Será que realmente não precisamos falar de REPRESENTATIVIDADE? Como um jovem negro vai querer seguir por uma carreira promissora se não os vemos lá?

Voltando para o mundo do café, o mais curioso é saber que o café nasceu na África e foi plantado no brasil com a mão-de-obra escrava negra.

A periferia hoje (na maioria negra) nem sequer sabe da existência do café especial. Ela não faz ideia que existe diversidade de grãos, e nem que o café comercial é de qualidade extremamente inferior.

Ela não sabe que existe uma profissão barista e torrador e não sabe nem quem foram os ancestrais dessa periferia negra que plantaram os primeiros grãos de café nesse país.

Podemos corrigir isso? Claro, oferecendo oportunidade de REPRESENTATIVIDADE.

É necessário usar nossos privilégios para falar com essas pessoas a respeito de cafés, ajudando na profissionalização e no conhecimento sobre a lavoura, torra e preparo, fazendo com que saibam que fazem parte desse universo das cafeterias e dos cafés especiais.

 Existem hoje alguns projetos que você pode conhecer e se envolver.

O projeto Quilombo, em parceria com o Academy Barista Wave, oferece cursos de profissionalização com descontos e condições especiais para restaurantes e cafeterias em regiões periféricas e com facilidades de pagamento.

Entendemos que é necessário abrir espaço, utilizar nossos privilégios e conhecimento para abrir as portas para essa população, e engana-se quem acha que isso é caridade…. Isso é amor, isso é reescrever a história. Ainda podemos consertar.

Fomos até o Vila Nova Parada de Taipas (zona norte de São Paulo) e conversamos com o Carlos André, um empreendedor que decidiu abrir uma cafeteria no meio de uma comunidade na cidade de São Paulo. A cafeteria do Carlos André é um dos pequenos negócios apoiados pelo projeto Quilombo.


CONHEÇA O PROJETO QUILOMBO


“A minha ideia foi trazer uma novidade para meu bairro. A gente só tem acesso aos cafés de qualidade quando vamos ao shopping ou bairros mais nobres e quando chegamos lá, não nos identificamos”.

Hoje a cafeteria do André ainda está em desenvolvimento, ela fica dentro de uma barbearia que também traz as novidades das barbearias das regiões nobres da cidade.

“Quando decidi abrir meu negócio, a primeira reação da comunidade foi de espanto, me chamaram de audacioso. As pessoas estão ansiosas para ter um local onde possam se encontrar, ligar o notebook e conversar sobre novos negócios para região”.

A maior parte dos clientes da barbearia e cafeteria do André são homens que sentem falta desses locais que estão acostumados a ver na região onde trabalham e não onde moram. O Adrian (sócio do André na cafeteria) é afrodescendente e trabalhou durante anos na manutenção de uma grande empresa de locação de máquinas. Agora chegou a hora dele estar na linha de frente de uma cafeteria e não mais nos bastidores. Bacana, né? 

E você, o que pretende fazer para acabar com o racismo?