fbpx
HISTÓRIA DO CAFÉ

UM POUCO DA HISTÓRIA DO CAFÉ NO BRASIL

Pinterest LinkedIn Tumblr

Um produto que faz parte da nossa história.

O café foi e ainda é um dos principais produtos geradores de receitas e impulsionador da economia.  Continuamos por décadas, mantendo o título de maior produtor e exportador do mundo.

Antes de entrar na nossa história cafeeira, vamos a um breve resumo de onde surgiu e como chegou Brasil.

O início de tudo nos leva a atual Etiópia, onde era usado como estimulante para rebanhos de cabras realizarem longa viagens. Embora nativa da África, foi no Iêmen que se tornou um produto rentável. Ninguém sabe se a lenda é verdadeira, ou qual a real história da origem, mas o que se sabe é que o café começou a ser cultivado em monastérios islâmicos onde monges bebiam a infusão do fruto.

O ocidente sempre se interessou pela excentricidade e apelos exóticos dos produtos do oriente, e quando o café chegou a Constantinopla, levado pelo Império Otomano, conheceram o que chamavam de “Vinho da Árabia”.

Até o século XVIII os Árabes eram os únicos que dominavam o cultivo da planta, a produção da bebida e a venda do grão, que era comercializado já torrado para não germinarem e manter o monopólio nas mãos do oriente.

E como o café chegou ao ocidente?

Dizem que foi pela Holanda… Os holandeses conseguiram levar mudas, que foram cultivadas em estufas e depois levadas para suas colônias.

Por volta de 1700 a Holanda presenteou o rei Luiz IV da França com uma muda de café que foi plantada nos jardins de Versalhes. Mais tarde um ambicioso soldado francês enxergou o potencial econômico e levou mudas para as colônias francesas na América. A aventura do soldado foi de tal sucesso que mereceu a parabenização do rei.

E o Brasil?

Bem, é aqui que entra o nosso país. Já conhecendo o produto e sua fama, foi delegado ao sargento-mor, Francisco de Mello Palheta, a missão de conseguir uma muda. Com a “desculpa” de exigir o cumprimento do tratado de Utrechet, Palheta consegue o que foi buscar, iniciando então a história de sucesso do café no Brasil.

Existem algumas fofocas históricas que dizem que ele chegou a seduzir a esposa do governador da Guiana Francesa, por volta de 1727, para conseguir algumas sementes e mudas da planta que já era reconhecida como um cultivo de alto potencial econômico.

O Café nos tempos do império

Em meados do século XVII o Brasil passava pela crise da economia açucareira e em meados do século XVIII era o ciclo do ouro que se esvaia. Nesse período, por volta de 1750, o café já era considerado uma especiaria entre os consumidores europeus e, mais tarde, ganharia o público dos Estados Unidos.

As primeiras mudas foram plantadas no Pará, e de lá o cultivo foi descendo pelo território brasileiro até chegar no Rio de Janeiro onde se desenvolveu o plantio sistemático em meados de 1760.

A crise chegaria em meados do século XIX com o empobrecimento do solo, problemas hídricos e o fim da escravidão. Mas onde uns vêm problemas, outros vêm oportunidades. E assim a produção do café tomou o rumo do oeste paulista.

O Empreendedorismo dos cafeicultores

Os cafeicultores paulistas deram outra dinâmica à produção do café, incorporando a ele diferentes parcelas da economia capitalista vigente.

O empreendedorismo desses fazendeiros introduziu novas tecnologias e formas de plantio favoráveis a uma nova expansão cafeeira como: inspeção sistemáticas em lavouras, renovação de técnicas de plantio e manufaturas para confecção de sacas e roupas para os trabalhadores.

Muitos desses senhores do café investiam parte de seus lucros no mercado de ações e também se dedicavam a atividades comerciais urbanas e industriais.

Para suprir a falta de escravos, atraíram mão-de-obra de imigrantes europeus e recorreram a empréstimos bancários para financiar as futuras plantações. 

No curto espaço de tempo em que o café se estabeleceu na região sudeste, foi suficiente para conter as constantes crises econômicas do primeiro reinado. 

Além disso, essa nova dinâmica da economia do café trouxe investimento em infra-estrutura (estradas, ferrovias, rodovias, portos…) e modernização dos centros urbanos, contando com mais estabelecimentos comerciais, bancos, iluminação, telégrafos, um novo traçado das ruas, além da presença de bondes elétricos, em substituição aos de tração animal.

Sem sombra de dúvidas, à medida que o produto deixava de ser um artigo de luxo para se incorporar à cultura e ao consumo cotidiano das populações, o café impulsionava a dinâmica da economia interna e expandia as receitas das exportações do Brasil, contudo nada vem de graça e quanto mais os barões do café fomentavam o fluxo financeiro, mais o país ficava dependente desse produto, e é na velha república que a crise do café bate no Brasil, favorece os cafeicultores e cobra da população mais humilde.

O café na república

Nos anos 90 do século XIX o preço do café cai e isso diminui consideravelmente a entrada de libras. Esse cenário era cômodo para os cafeicultores que mantinham suas rendas preservadas. Se por um lado entrava menos libras, por outro entrava mais mil réis por libra, mas a sociedade continuava pagando mais caro pelos produtos manufaturados importados.

Brazão da República possui um ramo do café.

Então o império caiu e a república nasceu. Com a abolição dos escravos e os imigrantes chegando ao Brasil, o governo criou uma expectativa da demanda por papel moeda infundada, pois esses imigrante e libertos não possuíam renda, então não aumentaram a necessidade de dinheiro em circulação.

Todo o investimento do governo acabou sendo um tiro no pé que aumentou a inflação e endividou o país.

Mas é o café? 

O governo de Campos Sales foi altamente impopular, porém extremamente eficaz para salvar a economia do país com altos empréstimos, carência estendida para quitar débitos, corte de gastos e aumento de impostos. A retração do crescimento foi inevitável, mas os mil reis, a moeda nacional vigente na época, se valorizaram. Isso desagradou os cafeicultores e criou uma situação para o governo.

Com os Mil Réis valorizados os cafeicultores recebiam menos libras pelo produto, reduzindo suas margens de lucros. A situação piorou quando o preço do café caiu novamente no mercado internacional.

Produtores começaram a ter prejuízo e se o mercado do café quebra, leva a economia do Brasil junto. A renda familiar vinha do trabalho do café, investimentos eram para melhorar a produtividade das plantações de café, gastos públicos provinham de impostos do café. A economia do país era sustentada pelo café e, para que os senhores do café não quebrassem, levando o país junto, foi criado o programa de defesa do café, que era federal, foi estadual, voltou para o federal e gerou medo caso fosse extinto.

A política café com leite

O poder da cafeicultura era tão grande que não só movimentava a economia como a política. A famosa política oligárquica do café com leite, que dominou o cenário brasileiro, era regida pelos barões do café de São Paulo e Minas Gerais. 

Esse cenário de troca de poder entre representantes de Minas Gerais e representantes de São Paulo durou até Getúlio Vargas alcançar a presidência.

Getúlio continuou o programa de defesa do café, mas ao invés de pagar os cafeicultores com libras, o governo comprou as sacas com Mil Réis, mas o que fazer com essas sacas que não teriam compradores? Como já não havia onde estocar, o governo queimou muito café.

A imagem e atitude chocou o mundo, diminuiu a oferta do mercado e aumentou o preço do café.

Para o Brasil foi uma boa estratégia, pois os cafeicultores não teriam mais a garantia de sempre receberem altos valores pelos seus produtos, então ao invés de comprar mais terras para plantar mais, começaram a investir em equipamentos e fábricas, contribuindo para a industrialização no Brasil.

A história do café não termina aqui e continua se desenhando com o passar dos anos.

Esse produto bem brasileiro, atualmente está entre os 10 mais exportados do Brasil e se não fosse por ele, nossa industrialização e avanço demorariam muito mais a chegar onde chegaram.


CONHEÇA A FORMAÇÃO MASTER BARISTA


×