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SAIBA COMO ESCOLHER CAFÉ PELA EMBALAGEM

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Em uma gôndola de supermercado ou em uma loja virtual, o que o consumidor deve considerar para escolher seu café pela embalagem? 

Com a chamada terceira onda de consumo, o café deixou de ser algo generalizado. O mercado de cafés de qualidade vêm se esforçando para educar cada vez mais o consumidor, sobre as diversas origens, variedades e características que resultam em infinitas particularidades de sabores, aromas e experiências que o café pode proporcionar.

São informações que traçam um caminho para o entendimento da qualidade do produto e sua singularidade.

Similarmente ao contexto dos queijos, vinhos e chocolates na gastronomia, as características dos cafés têm sido valorizadas nos rótulos.

De um lado, estão os produtores e torrefações, querendo contar cada detalhe sobre seu valioso produto, cafés de origem, que foram cuidadosamente processados para oferecer o melhor aos seus clientes, cafés que têm identidade. Do outro lado, estão consumidores, com diversos níveis de entendimento sobre o que essas informações representam na bebida que irão consumir.

Mas, como um consumidor que não está acostumado a essas informações, pode interpretar esse tipo de mensagem? Saiba como traduzi-las neste artigo. Continue a leitura para descobrir!

Classificação

Indica a qualidade sensorial e percentual de grãos defeituosos ou de impurezas. As mais comuns encontradas nos cafés comerciais, são determinadas por padrões estabelecidos pela ABIC e SCA (Specialty Coffee Association) , essa última no caso dos cafés especiais). As categorias são: 

Extra-forte e Tradicional : de custo menor, maior percentual de defeitos e qualidade de bebida de menor pontuação, os extrafortes se diferenciam pela torra mais acentuada.

Superior: seria o nível intermediário, mas ainda permite a presença de defeitos, a torra é escura.

Gourmet: na classificação ABIC é a qualidade máxima, com torra menos escura e a qualidade sensorial da bebida melhor avaliada.

 Especiais: respeitam a classificação SCA, que pontua em uma escala de 0 a 100, e somente os acima de 80 pontos são considerados especiais. Algumas marcas indicam qual foi a pontuação obtida. Se comparados à classificação da ABIC, podemos dizer que os especiais são o topo da pirâmide na qualidade dos cafés, já que não são permitidos defeitos nessa categoria.

Data da torra

Quanto mais recente a torra, mais fresco o café, condição que pode trazer boas experiências ao consumidor. É importante dizer que café não é como vinho, cafés velhos perdem qualidade. Apesar disso, a torra recente não é fator determinante do melhor sensorial que o café pode oferecer.

Mesmo que não seja comum, alguns cafés têm seu pico de qualidade de sabores com prazos maiores que 30 dias.

Moído ou em grãos

Algumas torrefações e cafeterias oferecem a opção do café moído, o que facilita a vida do consumidor que não tem um moedor à disposição. Mas o processo de moagem acelera a oxidação do café e se perde um pouco dos aromas.

Sem dúvida, o café especial, mesmo que moído, será livre de defeitos, condição que não é garantida nas demais classificações. Mas ao adquirir café em grãos e moê-los na hora do preparo, o consumidor terá uma melhor experiência, e para isso pode contar com moedores domésticos.

embalagem de café

Nível de torra

Não existe um padrão para definir a intensidade da torra do grão, com exatidão, sendo o mais comum graduá-las como torra clara, média ou escura.

Existem muitas variações entre as colorações de torra e o sensorial que conferem é relativo. Mas, de uma maneira geral, as torras claras apresentam cafés mais delicados e suaves, a acidez é uma característica comum. As torras médias são as que trazem maior equilíbrio de acidez, doçura, amargor e corpo. As torras mais escuras tendem a contribuir para bebidas com amargor e corpo mais pronunciados.


CONFIRA: RÓTULOS NOS CAFÉS ESPECIAIS, O QUE É PRECISO INFORMAR?


Espécie

As mais comerciais são Arábica e Canephora, que diferenciam-se em algumas características sensoriais e níveis de cafeína, mas ambas produzem cafés de qualidade. O que determina a qualidade do café é seu processamento e seleção dos melhores grãos nas diversas etapas e não somente a sua espécie.

Variedade

Dentre as espécies acima, existem inúmeras variedades. Dos Canéphoras, as mais comuns são Conilon e Robusta. Dos Arábicas, são várias, como Bourbon, Mundo Novo, Catuaí, Acaiá, Obatã, Pacamara, Laurina, Maragogipe, e muitas outras. 

Indicam sensoriais e níveis de cafeína diferentes entre si. No entanto, o terroir (região, clima, solo, altitude) e processamento também influenciam na característica do sabor. Ainda assim, algumas variedades são reconhecidas por suas peculiaridades, como por exemplo, o Geisha que costuma trazer notas florais.

Terroir de café
Terroir influencia no sabor do café

Peneira

É a medida do tamanho dos grãos dos cafés, quanto maior o número da peneira, maior o grão. Já foi um dado mais valorizado nos rótulos, hoje não vemos com tanta frequência. A separação dos grãos em peneiras de diferentes tamanhos é importante para padronização e para que a torra seja uniforme. Os grãos de peneiras superiores tendem a ser mais complexos, mas também é um fator relativo, já que grãos menores podem ser muito ricos.

Região

O Brasil tem 32 regiões produtoras de café. A região está relacionada ao terroir, o conjunto formado por clima, relevo, altitude, solo, que interferem diretamente nas características dos cafés.

Sendo assim, a dica é experimentar cafés de diferentes regiões para ver qual costuma lhe agradar mais. Algumas dessas regiões possuem a Indicação Geográfica (Denominação de origem ou Indicação de Procedência), que atestam que os produtos daquela região são reconhecidos por suas características exclusivas.

Altitude

Está dentro do conjunto do terroir, porém faz parte de uma mesma região. Podem ser encontradas diferentes altitudes no relevo. Quanto maior a altitude, maior a densidade e complexidade do grão, pois o processo de maturação do fruto acontece em um período mais longo, se comparado aos produzidos em baixas altitudes.

Produtor

O mercado de cafés especiais tem como suas bases, a rastreabilidade, ou seja, conhecer a procedência de onde são produzidos os cafés, e principalmente, valorizar os pequenos produtores. Observe se os cafeicultores são mencionados pelas marcas. As pessoas por trás do seu café contam sua trajetória, seja por tradição familiar, projetos que inspiram, ou premiações de qualidade.

Mestre de torra

Algumas marcas destacam o mestre de torra em suas embalagens, sendo uma etapa muito importante para a qualidade do café. Existem também competições que premiam esses profissionais e também as torrefações.

A qualidade do café está relacionada à matéria-prima em si, afinal, a torra não é capaz de conferir atributos os quais o café não tenha. No entanto, é uma fase transformadora e crucial para ressaltar os predicados dos grãos. No Brasil, temos mestres de torra consagrados, que contribuem muito no desenvolvimento do café especial.

torra de café
Torra de café

Perfil sensorial

Os cafés são únicos, mesmo que sejam da mesma variedade e origem, modificam-se a cada safra e a cada perfil de torra. Para orientar o consumidor sobre o que ele pode esperar perceber na bebida, as marcas trazem os aspectos sensoriais como os níveis de doçura, acidez, amargor, corpo e finalização (aftertaste).

Alguns orientam sobre as notas sensoriais, os aromas que podem ser encontrados, como frutados, chocolate, florais, especiarias, etc.

Lembrando sempre que, as impressões sobre aroma e sabor dos cafés dependem muito do tempo de vida do grão, do método de preparo, da receita, e da percepção sensorial individual do consumidor.


LEIA TAMBÉM: COMO DESENVOLVER ANÁLISE SENSORIAL PARA O CAFÉ


Origem única/Blend

Origem única significa que naquele pacote, os grãos são da mesma fazenda produtora e mesma varietal, e como não foi misturado a nenhum outro café, é possível identificar suas especificidades. Blends, literalmente traduzido do inglês, são misturas, de dois ou mais grãos já torrados, com o intuito de equilibrar ou conferir uma melhor harmonia sensorial. Podem ser grãos de diferentes regiões, varietais, ou processamentos diferentes.

Microlote

São pequenos lotes de café de origem única (no máximo 30 sacas), que se destacam sensorialmente comparados a outros grãos cultivados pelo mesmo cafeicultor.

O desenvolvimento de um talhão ou de uma pequena área dentro da propriedade, assim como um outro processamento no pós colheita, pode colaborar para essa diferenciação.

Naturalmente, sua qualidade superior traz perfis mais exóticos para a bebida e como são produzidos em pouca quantidade, seriam como uma “edição limitada” daquele café excepcional. Nanolotes seriam lotes ainda menores, até uma saca (60 kg).

embalagem de café

Processamento 

Natural, lavado, CD, honey, fermentado, o que é isso?

O processamento de pós colheita que o café passa interfere diretamente no resultado que ele apresenta. Alguns produtores, destinam o mesmo grão para processos diferenciados, oferecendo aos consumidores a oportunidade de verificar essas alterações na bebida. Na via seca, ou natural, o café é seco inteiro, com casca. Na via úmida, têm a casca e mucilagem retiradas, são os chamados cereja descascado (CD), lavado, honey.

Os chamados honey, são os que permanecem com parte da mucilagem aderida às sementes, durante a seca. Nestes, conforme o percentual de mucilagem presente, apresentarão cores diferenciadas nos grãos crus, por isso existem as categorias de honey : black, red ou yellow.

Os fermentados, como o próprio nome diz, passam por processos controlados de fermentação induzida, por meio de microorganismos, que podem beneficiar ainda mais o grão, ou lhe conferir outras características. Cada um desses tipos de processamentos, alteram quimicamente e modificam a estrutura celular dos grãos, de formas distintas.

Selos e premiações

Para ter direito aos uso de selos nas embalagens, a produção do café ou a marca precisam estar de acordo com os programas das certificações, como os selos Orgânico, Rain Forest Alliance, selos de materiais recicláveis, entre outros.

Da mesma forma, as premiações e indicações geográficas qualificam ainda mais o café. Para ter o direito ao uso dos selos de Denominação de Origem e Indicação de Procedência, não basta que a fazenda produtora esteja localizada na região. É preciso estar dentro dos padrões de qualidade nos quais a indicação geográfica se destaca. Portanto, os selos são símbolos que revelam valores do produto ou da marca.

Cerrado Mineiro – Créditos: Indicação geográfica

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Material da embalagem

A embalagem também comunica sobre o produto, por meio do material empregado, design e cores. A função primária da embalagem é proteger e prolongar a vida útil do alimento. Portanto é importante que sejam produzidas a partir de materiais que permitam essa condição, protegendo seus grãos da ação do oxigênio e da luz. 

Podem conter dispositivos utilitários como a válvula desgaseificadora, que permite a saída dos gases liberados no pós-torra. Algumas marcas procuram trazer funcionalidade à embalagem, como fecho apropriado, latas reutilizáveis e também colecionáveis.

Todas essas informações são imprescindíveis em uma embalagem de café?  Não, mas é preciso que a linguagem e o tipo de informação estejam claras e adequadas ao público alvo. No entanto, é vital que sigam os parâmetros das legislações de rotulagem, evitando comunicação que possa induzir o consumidor ao engano ou confusão.

O que os produtores e torrefações devem refletir é que o consumidor tende a levar seu olhar para informações claras e objetivas e que a comunicação se dá muito além do texto no rótulo. E o consumidor, consciente das informações claras, poderá exercer seu direito de escolha com mais segurança.

Como apresentado, a escolha de um café pode ser feita a partir de diferentes informações, desde a classificação do grão no rótulo até o design da embalagem.  Está pronto para sua próxima compra cafeinada? Compartilhe esse conteúdo com seus amigos.


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