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Raquel Lopes

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Fortaleza é uma cidade de muitas belezas e atrações.

Nos últimos anos, a cidade vem ganhando destaque em projetos criativos e inovadores que estão para além do antigo cenário econômico de turismo e comércio tradicionais.

Bons exemplos desses projetos criativos ocorrem em uma gama de setores ligados ao desenvolvimento social da cidade, como por exemplo, o Instituto Iracema, que promove ações culturais, sociais, urbanísticas e de economia criativa.

Dessa forma, é possível perceber o surgimento de novas demandas para atender essa onda de consumidores, digamos assim,  com um “Q” a mais de criatividade: um público com novos ideais e com uma instigação pra lá de especial, independentemente de idade, gênero ou classe social.

Vamos entender um pouquinho como essa transformação está acontecendo e como influencia o mercado de cafés especiais dessa região.

AS TRANSFORMAÇÕES NA CIDADE

A capital cearense passa por uma renovação urbanística recente, pensada para que os fortalezenses e demais visitantes tenham mais conforto nas ruas e nos espaços públicos, associando requalificações urbanas, medidas socioeconômicas e ações culturais. O projeto é de longo prazo e tem perspectivas de conclusão total em 2040.

Assim está sendo desenvolvida uma Fortaleza mais resiliente, que recebeu o título pela UNESCO, de CIDADE CRIATIVA EM DESIGN, em 30 de outubro de 2019, título que apenas 66 cidades pelo mundo receberam.

Com essas transformações em curso, a cidade vem ganhando novos costumes e repaginações de antigas tradições. 

Assim, surgem as novas “padocas” (nome carinhoso para padarias) de fermentação natural, os restaurantes veganos e de comida afetiva, o mercado de orgânicos, lojas colaborativas, entre outros, mas, sem tomar o espaço do bom e tradicional cafezinho coado no pano e bem forte, ou mesmo das confeitarias parisienses arrojadas ao melhor estilo “Belle Époque” cearense.

Pra quem não sabe, Belle Époque é um termo francês cunhado para traduzir a euforia e historicamente foi o nome dado a um movimento que ocorreu no Ceará, por volta do início do século XX,  também de mudanças urbanas e socioculturais, porém, neste período, baseadas na cultura francesa. 

O CAFÉ ESPECIAL

Em 2019, tive a oportunidade de conversar com diversos profissionais reconhecidos no ramo do café, durante a SIC (Semana Internacional do Café), ocorrida em Belo Horizonte.

Toda vez que o assunto “café especial no Ceará” surgia, muitos pensavam que, pelo fato de o Ceará ter um clima quente, os cearenses não tinham o costume de beber muito café.

Então, decidi que seria importante escrever para quebrar esse falso mito sobre os nossos costumes.

SIM, NÓS BEBEMOS CAFÉ

Nossa cultura local combina cotidianamente café com tapioca, queijos, cuscuz e até mesmo o tradicional croissant francês.

É notável que o mercado de cafés especiais que se constrói em Fortaleza mistura costumes históricos e tradicionais com novos costumes contemporâneos e acredito que é isso que caracteriza esse mercado por aqui.

Por isso, listo abaixo três endereços de cafeterias para conhecer na terrinha da luz, como carinhosamente é chamada nossa Fortaleza, que contribuem para o movimento local de cafés especiais.

1. AMIKA COFFEHOUSE

A primeira micro-torrefação de café especial de Fortaleza, o Amika Coffeehouse se destaca por sua qualidade e excelência em todos os seus produtos, especialmente o café!

Espaço interno do Amika. Crédito: Amika Coffeehouse

Comandada pela barista, mestre de torra e educadora Danielly Soares, a casa conta com uma escola de baristas, que auxiliou na proliferação de conteúdo sobre cafés especiais no estado. 

Danielly Soares e Sarah Anne ministrando curso. Crédito: Amika Coffee House

O estabelecimento conta com uma carta de drinks de café assinada e diversos métodos de extração. Todos os grãos utilizados são selecionados e muitos foram diversas vezes premiados.

Outro ponto de destaque é o chá!

Chá Oolong. Crédito: Amika Coffee House

A sócia da empresa, Sarah Anne, coordena o setor dos chás e traz pro cardápio, as novidades das terras orientais. A empresa também oferece cursos para quem quer entender mais sobre o universo dos chás.

Menu Espresso. Crédito: Amika Coffee House

O Amika é um lugar para chamar de favorito, com ambiente descontraído e confortável, onde o consumidor sabe que vai beber um café maravilhoso e fresquinho!

Mesa posta no Amika. Crédito: Amika Coffee House

Endereço do Amika Coffee House: Rua Ana Bilhar, 1136-B e C – Meireles – Fortaleza-CE.

2. ÚRBICI

Muito frequentado pela nova geração de coffee-lovers,  essa cafeteria alia modernidade e praticidade com um toque suave de “bairrismo”. O Úrbici nasceu numa banquinha de revistas bem autêntica. 

Banquinha Úrbici. Crédito: Café pra Gente

Atualmente, está em um lugar com mais conforto e espaço para atender a uma clientela maior. O Úrbici se destaca por aliar boas práticas de hospitalidade ao mundo do café. Lá, a água é de graça e um cliente pode deixar um cafezinho pago pro próximo, estimulando a cortesia entre os frequentadores.

Entrada Úrbici. Crédito: Café pra Gente

Conhecida como café SOLIDÁRIO, a prática que já é bastante conhecida em locais com a cultura do café mais sólida, virou marca registrada do Úrbici e foi trazida pelo barista, Diego Hermys, fundador e idealizador da cafeteria. 

Barista Diego Hermys. Crédito: Café pra Gente
Café Solidário. Crédito: Café pra Gente

Com um ambiente minimalista e urbano, o local, que é frequentado por muitos ciclistas, conta com um cardápio de opções tradicionais e contemporâneas, como por exemplo o cuscuz vegano e o cold brew com leite de coco feito no local. O Úrbici trabalha somente com cafés especiais.

Cuzcuz Vegano. Crédito: Café pra Gente

Pra animar e ser um excelente ponto de encontro, o local conta com atrações musicais periódicas, que casam com todo esse conceito jovem e livre. 

Happy Hour no Úrbici. Crédito: Café pra Gente

Então, se quiser descontração, o Úrbici é o lugar certo! 

Endereço do Úrbici: Rua Barbosa de Freitas, 951 – Aldeota – Fortaleza-CE.

3. ATELIER 1913

Essa cafeteria carrega uma história linda! Nasceu como torrefação em 2015, pelas mãos da 4ª geração da família Farias, com o objetivo de perpetuar o nome daqueles que fizeram a história dos 106 anos do Sítio São Roque: Alfredo, Amélia e Gerardo Farias.

Festa da Colheita. Crédito: Sítio São Roque

Lá, eles cultivam a espécie Arabica Typica, que é uma variedade “primitiva” do café, geneticamente e culturalmente uma das variedades mais importantes no mundo.

Arábica Typica. Crédito: Sítio São Roque

No sítio nossa relação é ainda mais próxima com essa variedade, a história da família começa quando Sr. Alfredo Farias compra o Sítio num leilão. Já tendo vasta experiência na lida com a terra, ele já sabia que pra nascer um cafezal era necessária uma floresta. Hoje o Sitio é uma APA com resquícios de Mata Atlântica que sombreia e cria o microclima ideal para o desenvolvimento dos nossos cafés.” conta Isabelly Giffony,  barista e mestre de torra do Atelier 1913. 

Barista Isabelly Giffony. Crédito: Sítio São Roque

A cafeteria  criou dois perfis de torra baseados na personalidade de seus antecessores, Dona Amélia e Seu Alfredo, que tem sabores bem diferentes, porém, em igual escala de qualidade!

Perfis de Torra do Atelier 1913. Crédito: Sítio São Roque

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A casa conta com um cardápio de dar água na boca, assinado pela confeiteira Lua Santos. O local conta com opções típicas somadas à gastronomia contemporânea, misturando o presente com o passado, num mix de criatividade e sensação de pertencimento.

Mesa Atelier 1913. Crédito: Sítio São Roque

O Atelier 1913 é um pedacinho da história do café no Ceará! 

Produtos do Cardápio Atelier 1913. Crédito: Sítio São Roque

A cafeteria está no sul da cidade que conta com restaurantes, bares, cervejarias artesanais e shoppings, vale a pena visitar.

Endereço do Atelier 1913: Rua Antenor Rocha Alexandre, 250 – loja 01 – Fortaleza-CE.


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