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Aula gratuita com a barista e nutricionista Andrea Menocci
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Ramon Carrocino

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Café e queijo, uma combinação deliciosa, que é sempre bom ter em casa, para um café da manhã, um final de tarde ou receber visitas, mas e no seu estabelecimento? Já pensou em oferecer para o seu cliente café harmonizando com queijos?

Tábua de Queijos
Tábua de queijos

Pois saiba que isso é possível! Com um tipo de  queijo, harmonizado com um tipo de café ou com o método de extração mais pedido na sua cafeteria, você já pode criar um simples combo no seu cardápio. Se forem mais queijos e mais perfis de café, melhor ainda.

Como inovar com opções de cafés e queijos no seu estabelecimento?

Não tem jeito, clientes estão sempre ávidos por novidades. Então talvez esteja na hora de buscar novidades que vão além do tradicional pão de queijo com café, sem abrir mão do queijo e do café.

A seguir vamos listar 6 maneiras de você oferecer café e queijo na sua cafeteria ou restaurante.

Veja qual delas você pode testar e quem sabe, oferecer de maneira definitiva no seu cardápio.

1. OFERECER OS QUEIJOS COMO COMBO SOBREMESA + CAFÉ

Que tal lascas de queijos de diferentes tipos e um café filtrado como um combo “sobremesa + café” depois do prato principal do seu restaurante?

Mas queijo como sobremesa? Você pode estar pensando…

Pois saiba que essa é uma tradição francesa. Sendo a França o lar de uma grande diversidade de queijos, criou-se a cultura de servir-los após o prato principal, onde é muito comum a utilização de queijos tanto nas sobremesas, quanto servidos puros ou com frutas.

Os queijos neutralizam a adstringências dos alimentos e preparam o paladar para a doçura e para quem não gosta de doces, esse combo, é uma ótima opção para finalizar a refeição.  Além disso, sobremesas tradicionais como cheesecakes, canollis, mascarpones e tiramisùs, são sobremesas clássicas que utilizam queijo como um dos principais ingredientes.

É claro que não poderíamos deixar de citar o brasileiríssimo queijo com goiabada, que todos sabem que combinam muito bem.

E se essas sobremesas já estivessem harmonizadas com o café em um combo, como sugestão para os clientes? Possivelmente haveria um incremento na receita do seu estabelecimento.

Obviamente que não poderia ser qualquer café. É importante que se utilize um café de qualidade para que seja possível a harmonização das notas mais sutis da extração daquele café.

Se quiser entender mais sobre análise sensorial de café, recomendo que também leia o artigo COMO DESENVOLVER ANÁLISE SENSORIAL PARA O CAFÉ.

2. OFERECER TÁBUA DE QUEIJOS COM GELÉIAS

Oferecer a degustação de uma tábua de fatias de queijo diferentes acompanhado de geleias, certamente pode ser um opção para duplas ou grupo de mais pessoas. Nessa caso pode ser conveniente utilizar um método de extração que possa preparar um volume de café maior e que sirva com conforto três pessoas, como por exemplo, a clássica Prensa Francesa ou uma Moka Italiana Grande.

Tábua de queijos - Dom Chás e Cafés
Tábua de queijos – Dom Chás e Cafés

Os empresários Carolina Pacheco Parrillo e Andre Parrillo da Dom Chás e Cafés na cidade de Patos de Minas-MG,  já oferecem queijos harmonizando muito bem com os cafés especiais da casa, oferecendo uma fatia de queijo artesanal, podendo ser acompanhado de geleia ou melaço.

Os proprietários dizem que o combo café e queijo é uma ótima harmonização. E como ambos são paixões dos mineiros, não poderia faltar em uma cafeteria mineira.

3. DA FORMA CLÁSSICA: QUEIJO + GOIABADA + CAFÉ

Que tal queijo e goiabada servido junto com um dos cafés filtrados da casa?

queijo, goiabada e café coado
Queijo, goiabada e café filtrado – Khas Café

É por isso que os empresários Roberta Aguilar, Julio Aguilar e Daniela Aguilar, da Khas Cafés, em Venda Nova do Imigrante-ES, fazem a harmonização de café com três queijos da região, Resteia, Robiola e São José.   O combo permite uma apresentação simples, irresistível e apetitosa.

“O queijo Resteia é sem dúvida o mais pedido, pois vem harmonizado com goiabada e servido junto com um dos cafés filtrados da casa.” afirma Roberta, sócia proprietária da cafeteria.

 

4. CAFÉ E QUEIJO, OFERECIDO COMO DRINK.

Pois é isso que o drink conhecido como Triângulo Mineiro faz. Mistura queijo, goiabada e café.

Abra seu caderninho de receitas e anote essa:

Ingredientes:

  • 1 copo de café gelado
  • 1 colher de sopa, de requeijão
  • 1 colher de sopa, de goiabada mole
  • Açúcar a gosto
  • Cubos de gelo
  • 1 goiaba vermelha para enfeitar (opcional)

Como preparar:

Misture a goiabada, o requeijão e o açúcar, se precisar de ajuda, use um mixer. Despeje o café sobre essa mistura. Coloque num copo ao seu gosto e acrescente o gelo. Para uma apresentação mais bonita, use uma goiaba para enfeitar o copo.

Drink Triângulo Mineiro. Fonte: Mexido de Ideias

5.  O CLÁSSICO QUEIJO QUENTE

Queijo quente já é um clássico em todas as cafeterias do Brasil. Mas e se fosse oferecido com diferentes tipos de pães e, é claro, diferentes tipos e combinações de queijo?

Se fazer criações na cozinha reforçam o perfil do seu estabelecimento, você pode se inspirar na Talk Cafeteria, em Pará de Minas-MG.

Raspas de requeijão em um pão Sourdough
Queijo Quente – Talk

As sócias Kelly e Bianca contam que foi com um lanche simples e  despretensioso,  que se revelou a ideia de buscar mais sabor naquela combinação. O resultado faz nascer o Queijo Quente da casa, uma fatia de Pão Sourdough Rústico com requeijão de raspa que agrada todos os paladares.

Assim como o Queijo Quente, outra criação original, é a Focaccia com queijo Ementhal e Cebola Caramelada na padaria Crosta Bakery, em Niterói, Rio de Janeiro.

Focaccia com queijo Ementhal e cebola caramelada
Focaccia com café coado – Crosta Bakery

A ideias é simples e de fácil implementação.

A dica é buscar fornecedores de queijos mais locais e exclusivos e exaltar a região de produção daquele queijo, ou o produtor, fortalecendo a relação entre micro e pequenos produtores, assim como normalmente se faz com cafés de alta qualidade no Brasil.

6. OFEREÇA EVENTOS DE CAFÉ COM QUEIJO.

A última, mas não menos importante, maneira de oferecer café com queijo no seu estabelecimento, seja uma cafeteria ou um restaurante, é oferecendo workshops de desgustação e harmonização.

Workshop de Desgustação de Cafés e Queijos

Imagine oferecer para seus clientes, pequenos eventos ou workshops de harmonização de café com queijo em seu estabelecimento e cobrar um ingresso por isso?

Se o que procura é uma experiência mais ampla em sua cafeteria, por que não fazer um evento de degustação, servindo queijos e cafés, com sensoriais diferentes, para um público limitado. 

É um evento para agregar visibilidade, movimento e valor ao estabelecimento. Eu mesmo costumo realizar workshops e palestras sobre harmonização de cafés e queijos, com direito a bate papo e degustação. 

Palestra harmonização 1
Palestra harmonização

O queijo é um alimento que todo mundo ama, é fácil de servir e gostoso de comer. Se harmonizado com um café que combine, é certeza de sucesso e indicação para os amigos. 

Então, pegue essas dicas, adapte para o perfil do seu estabelecimento e seja referência de novidades! 

Se quiser entender um pouco mais sobre esse universo, sugiro que leia o artigo  Harmonização de Cafés e Quejios.

 

Muitas pessoas pensam em vinho quando falamos sobre harmonização com queijos. Mas existe outra saborosa opção, ainda pouco explorada, de harmonizar queijos com café!  Quer saber mais sobre o assunto harmonização de cafés e queijos? Então vamos conhecer um pouco mais sobre essa deliciosa parceria.

Tipos de queijos

Você pode não ter percebido isso antes, mas existe uma infinidade de tipos diferentes de queijos, com os mais variados sabores, aromas, nível de sal e gordura. Uma mesma fazenda pode até mesmo produzir variações do mesmo tipo de queijo, dependendo da oferta de pasto ou mudança de clima.

O especialista em queijos e cheesemonger John Braga explica que os sabores presentes na terra, na grama, na água e até no ar passam pelo animal, chegam ao leite e se expressam no queijo. Há de tudo um pouco, até queijo com chá na massa.

Harmonização de café e queijos

O  processo de produção também determinará o tipo de queijo produzido. Uma escolha entre se irá pasteuriza-lo ou fazer um queijo de leite cru, como irá separar a parte sólida, que será utilizada para produzir o queijo, da parte líquida do leite, usando ou não coalho para acelerar o processo. 

Essas informações são importantes, já que existe também uma variedade imensa de cafés, com acidez, amargor, notas de sabores e doçura. Logo, você tem uma ótima desculpa para juntar uma caneca de café com mais um pedaço de queijo.

O que é harmonização

A harmonização é simplesmente combinar um alimento com outro. Quando você coloca queijo ralado no seu macarrão, está harmonizando, ao pedir um bolo de chocolate com seu espresso, o que será que está fazendo?

café e queijo

A ideia é juntar dois ou mais alimentos para realçar um ou criar algo novo. Pode gerar um sabor neutro, não é ruim, mas não é o que procuramos.

Também não esqueça de relaxar e aproveitar, procure um momento de descontração, aprendizado, bons alimentos e combinações inusitadas, é o que indica John.


CONHEÇA TAMBÉM HARMONIZAÇÃO DE CAFÉS E CHOCOLATES


Por onde começar

Os cafés e queijos possuem texturas e intensidades semelhantes, e muita opção dá uma sensação de exaustão. Mas, para iniciar a harmonização de cafés e queijos, é bem mais simples do que se pensa, é só ir provando!

O cheesemonger John diz para levar o que estiver ao seu alcance, seja um ou mais queijos. Escolha algo que você já conheça, mas permita-se trazer algo novo também. Compartilhe harmonizações que você já tenha experimentado e gostado. E divirta-se enquanto estiver degustando seus queijos.

Siga esse passo a passo, para potencializar sua experiência:

  1. Pegue o café que mais toma em casa e compre um queijo, um Brie, um Canastra, um Gouda, um Minas Frescal…
  2. Extraia o seu café e beba com um pedaço de queijo, depois com outro tipo queijo e assim sucessivamente, ou no intervalo que mais desejar.
  3. Beba e coma apreciando o que acontece na boca, a textura, os sabores, a intensidade de cada alimento e como tudo se mistura.

Depois desses passos, quando você se der conta, terá uma bandeja só com queijos na geladeira!

Semelhança ou contraste

A dica básica é juntar queijos suaves com cafés suaves e queijos intensos com cafés intensos, mas também podemos focar no doce com salgado e amargor versus gordura.

Vamos dizer que você goste de café com amargor bem presente, se bebê-lo acompanhado de um Gouda, por exemplo, terá o amargor do café suavizado e a doçura de ambos mais fáceis para sentir.

Também funciona com cafés ácidos, a não ser que adicione uma geleia cítrica, de menta ou de pimenta. Nesse caso, o Gouda serve como um catalisador e realça a acidez de tudo que está colocando na boca.

Brinde de café

E se seu café for um espresso? Bem se gosta de queijos azuis, a potência de um espresso com o gosto forte de um Gorgonzola preencherá sua boca com muita intensidade nos sabores.

Já se quiser uma combinação mais suave, mas não abre mão do cafezinho extraído na pressão, teste com um Minas Frescal ou Ricota de qualidade, e sinta como se adicionasse creme a sua bebida.

Se você não gosta muito de acidez ou amargor, fique tranquilo que você não será excluído, vá de Brie ou um Camembert e seu equilíbrio está garantido, com o toque macio e aveludado desse queijos de mofo branco.

Conclusão

Como apresentado, a harmonização de cafés e queijos pode acontecer de diferentes formas. Além disso, você pode explorar uma infinidade de queijos nessa combinação!

Não pare nesse artigo, compre cafés especiais e queijos artesanais. Prove e teste até chegar ao resultado desejado. Vamos mostrar ao mundo o poder que tem um café e uma lasca de queijo!

O que é o café solúvel?

Quando se fala em café solúvel logo você deve se lembrar dos potes de vidros com as “pedrinhas de café” com o rótulo da NESCAFÉ. Para alguns praticidade, para outros café ruim. Não vamos entrar nesse mérito, mas vamos explicar como nasceu e como é feito.  Continue a leitura para descobrir!

Origem do café instantâneo

O café instantâneo apareceu no mundo pelas mãos do cientista japonês Satori Kato em 1901 em Chicago. Kato expôs seu invento na Exposição Panamericana em Buffalo, Nova York. Após isto, em 1910, George Constant Louis Washington, inventor e empresário, desenvolveu seu próprio método para produzir e comercializar por sua empresa.

Mas o que poucos sabem é que o café solúvel foi criado pela empresa suíça Nestlé a pedido do Governo Vargas, para o estudo de uma forma de conservação que mantivesse o aroma e sabor do café, mesmo depois de muito tempo. 

A necessidade surgiu durante a grande crise mundial por volta de 1930, em que a produção de café brasileiro era muito superior à demanda de consumo. Sem ter para quem vender e com os estoques superlotados, o governo recebeu um duro golpe na economia, chegando a queimar toneladas de cafés ao ar livre.

A Nestlé foi escolhida para a tarefa pois já havia conseguido por meio da desidratação, criar o leite em pó, aumentando o prazo de validade de um produto perecível. O presidente da Nestlé na época, Louis Dapples, enxergou uma ótima oportunidade de negócio e, entusiasmado com a ideia, solicitou ao seu químico Max Morgenthaler que desenvolvesse a solução. 

Nescafé 

Morgenthaler pesquisou durante sete anos e, em 1937, a Nestlé apresentou a primeira marca de café solúvel da história, a Nescafé  sinônimo de café solúvel. A partir disso, a empresa criou a sua própria linha de produção tornando o produto popular na Europa e nos Estados Unidos. Durante a Segunda Guerra Mundial, o café solúvel fez parte da dieta dos soldados devido à sua praticidade e facilidade de preparo.

Apesar do uso em larga escala, o produto só ganhou fama anos mais tarde. No Brasil devido à pressão dos fabricantes de café torrado e moído o café solúvel só chegou em 1953. Nessa época o café solúvel se tornou febre mundial, sendo consumido em todos os países do mundo.

Fonte: Pinterest

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Café solúvel especial

E o café especial, qual o seu lugar no mundo dos cafés solúveis? Bem, primeiro temos que dizer que não se pode comparar o café torrado e moído com o café solúvel, pois são produtos com perfis e processos diferentes.

O que precisa ser dito é que as empresas buscam sempre comprar matéria prima de qualidade, para criar produtos de excelência, visando a satisfação de seu consumidor, além de possuírem normas e certificações de altíssimo nível para garantir sua credibilidade.

Destaquemos também que a nomenclatura é outra. Temos os cafés de excelência, diferenciados e convencionais, distribuídos em produtos e experiências diferentes de acordo com o consumidor final. E para que essa diversificação não fique somente no mundo do marketing de rótulo, a ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) e os representantes das empresas de café solúvel, deram início, em 2019, ao cupping de cafés solúveis, com o intuito de criar um padrão sensorial de qualidade a ser seguido.

Fonte: ABICS

Menor pegada ecológica

Eliana Relvas, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel — ABICS —  comenta que o processamento do café solúvel é muito perto do sustentável.

A barista e consultora para o mercado interno da associação, diz que a maior parte do processo é automatizado, minimizando o excesso e descarte de sobras. O produto recebe somente dois processos, pressão e temperatura, além dos insumos, café torrado e água. A borra que se forma é aproveitada como bioenergia. A água pode ser reutilizada, pois é filtrada atendendo a altos padrões de qualidade.

Já no produto final, temos o consumo do café deixando pouco ou nenhum pó na xícara, embalados em vidro, que podem ser reutilizadas, ou em pacotes de papel altamente biodegradáveis, por aproximadamente 6 meses.

Os Processos do Café Solúvel

Os produtos comercializados pelas indústrias associadas da ABICS são oferecidos em diversos formatos. O próprio site da associação apresenta esses processos e, dentre eles, destacamos três: Spray Dried, Aglomerado e Freeze Dried/Liofilizado 

Spray Dried

É o café solúvel em pó. No seu processo de fabricação o extrato de café é submetido a altas temperaturas e pressão. Em seguida, o material passa por pulverização e exposição ao ar quente que faz o produto perder a umidade e se converter em pó. 

Aglomerado

Fabricado a partir do café spray dried que passa por um processo de aglomeração em um equipamento específico que junta o pó e vapor. O produto final é uniforme e de fácil dissolução. 

Freeze Dried / Liofilizado

Para obter o café liofilizado, o extrato é congelado a -40°C e, em seguida, passa pelos processos de moagem, secagem à vácuo e sublimação, que é a passagem direto do estado sólido para o gasoso, desidratando o produto.  Fonte: ABICS

Além do café instantâneo, o processo de obtenção do extrato também abastece a indústria de alimentos e de cosméticos. A imagem abaixo explica as etapas de elaboração do solúvel.

Fonte: ABICS

A ABICS (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) trabalha com foco na expansão de mercados para o solúvel brasileiro, além de mobilizar esforços para a melhoria de qualidade. Se interessou e quer saber mais sobre o assunto? A ABICS elaborou um manual de café solúvel para baristas que apresenta todos os detalhes do processo de produção  do café solúvel.


 

Um produto que faz parte da nossa história.

O café foi e ainda é um dos principais produtos geradores de receitas e impulsionador da economia.  Continuamos por décadas, mantendo o título de maior produtor e exportador do mundo.

Antes de entrar na nossa história cafeeira, vamos a um breve resumo de onde surgiu e como chegou Brasil.

O início de tudo nos leva a atual Etiópia, onde era usado como estimulante para rebanhos de cabras realizarem longa viagens. Embora nativa da África, foi no Iêmen que se tornou um produto rentável. Ninguém sabe se a lenda é verdadeira, ou qual a real história da origem, mas o que se sabe é que o café começou a ser cultivado em monastérios islâmicos onde monges bebiam a infusão do fruto.

O ocidente sempre se interessou pela excentricidade e apelos exóticos dos produtos do oriente, e quando o café chegou a Constantinopla, levado pelo Império Otomano, conheceram o que chamavam de “Vinho da Árabia”.

Até o século XVIII os Árabes eram os únicos que dominavam o cultivo da planta, a produção da bebida e a venda do grão, que era comercializado já torrado para não germinarem e manter o monopólio nas mãos do oriente.

E como o café chegou ao ocidente?

Dizem que foi pela Holanda… Os holandeses conseguiram levar mudas, que foram cultivadas em estufas e depois levadas para suas colônias.

Por volta de 1700 a Holanda presenteou o rei Luiz IV da França com uma muda de café que foi plantada nos jardins de Versalhes. Mais tarde um ambicioso soldado francês enxergou o potencial econômico e levou mudas para as colônias francesas na América. A aventura do soldado foi de tal sucesso que mereceu a parabenização do rei.

E o Brasil?

Bem, é aqui que entra o nosso país. Já conhecendo o produto e sua fama, foi delegado ao sargento-mor, Francisco de Mello Palheta, a missão de conseguir uma muda. Com a “desculpa” de exigir o cumprimento do tratado de Utrechet, Palheta consegue o que foi buscar, iniciando então a história de sucesso do café no Brasil.

Existem algumas fofocas históricas que dizem que ele chegou a seduzir a esposa do governador da Guiana Francesa, por volta de 1727, para conseguir algumas sementes e mudas da planta que já era reconhecida como um cultivo de alto potencial econômico.

O Café nos tempos do império

Em meados do século XVII o Brasil passava pela crise da economia açucareira e em meados do século XVIII era o ciclo do ouro que se esvaia. Nesse período, por volta de 1750, o café já era considerado uma especiaria entre os consumidores europeus e, mais tarde, ganharia o público dos Estados Unidos.

As primeiras mudas foram plantadas no Pará, e de lá o cultivo foi descendo pelo território brasileiro até chegar no Rio de Janeiro onde se desenvolveu o plantio sistemático em meados de 1760.

A crise chegaria em meados do século XIX com o empobrecimento do solo, problemas hídricos e o fim da escravidão. Mas onde uns vêm problemas, outros vêm oportunidades. E assim a produção do café tomou o rumo do oeste paulista.

O Empreendedorismo dos cafeicultores

Os cafeicultores paulistas deram outra dinâmica à produção do café, incorporando a ele diferentes parcelas da economia capitalista vigente.

O empreendedorismo desses fazendeiros introduziu novas tecnologias e formas de plantio favoráveis a uma nova expansão cafeeira como: inspeção sistemáticas em lavouras, renovação de técnicas de plantio e manufaturas para confecção de sacas e roupas para os trabalhadores.

Muitos desses senhores do café investiam parte de seus lucros no mercado de ações e também se dedicavam a atividades comerciais urbanas e industriais.

Para suprir a falta de escravos, atraíram mão-de-obra de imigrantes europeus e recorreram a empréstimos bancários para financiar as futuras plantações. 

No curto espaço de tempo em que o café se estabeleceu na região sudeste, foi suficiente para conter as constantes crises econômicas do primeiro reinado. 

Além disso, essa nova dinâmica da economia do café trouxe investimento em infra-estrutura (estradas, ferrovias, rodovias, portos…) e modernização dos centros urbanos, contando com mais estabelecimentos comerciais, bancos, iluminação, telégrafos, um novo traçado das ruas, além da presença de bondes elétricos, em substituição aos de tração animal.

Sem sombra de dúvidas, à medida que o produto deixava de ser um artigo de luxo para se incorporar à cultura e ao consumo cotidiano das populações, o café impulsionava a dinâmica da economia interna e expandia as receitas das exportações do Brasil, contudo nada vem de graça e quanto mais os barões do café fomentavam o fluxo financeiro, mais o país ficava dependente desse produto, e é na velha república que a crise do café bate no Brasil, favorece os cafeicultores e cobra da população mais humilde.

Eleve suas habilidades sensoriais com queijo e café.

O café na república

Nos anos 90 do século XIX o preço do café cai e isso diminui consideravelmente a entrada de libras. Esse cenário era cômodo para os cafeicultores que mantinham suas rendas preservadas. Se por um lado entrava menos libras, por outro entrava mais mil réis por libra, mas a sociedade continuava pagando mais caro pelos produtos manufaturados importados.

Brazão da República possui um ramo do café.

Então o império caiu e a república nasceu. Com a abolição dos escravos e os imigrantes chegando ao Brasil, o governo criou uma expectativa da demanda por papel moeda infundada, pois esses imigrante e libertos não possuíam renda, então não aumentaram a necessidade de dinheiro em circulação.

Todo o investimento do governo acabou sendo um tiro no pé que aumentou a inflação e endividou o país.

Mas é o café? 

O governo de Campos Sales foi altamente impopular, porém extremamente eficaz para salvar a economia do país com altos empréstimos, carência estendida para quitar débitos, corte de gastos e aumento de impostos. A retração do crescimento foi inevitável, mas os mil reis, a moeda nacional vigente na época, se valorizaram. Isso desagradou os cafeicultores e criou uma situação para o governo.

Com os Mil Réis valorizados os cafeicultores recebiam menos libras pelo produto, reduzindo suas margens de lucros. A situação piorou quando o preço do café caiu novamente no mercado internacional.

Produtores começaram a ter prejuízo e se o mercado do café quebra, leva a economia do Brasil junto. A renda familiar vinha do trabalho do café, investimentos eram para melhorar a produtividade das plantações de café, gastos públicos provinham de impostos do café. A economia do país era sustentada pelo café e, para que os senhores do café não quebrassem, levando o país junto, foi criado o programa de defesa do café, que era federal, foi estadual, voltou para o federal e gerou medo caso fosse extinto.

A política café com leite

O poder da cafeicultura era tão grande que não só movimentava a economia como a política. A famosa política oligárquica do café com leite, que dominou o cenário brasileiro, era regida pelos barões do café de São Paulo e Minas Gerais. 

Esse cenário de troca de poder entre representantes de Minas Gerais e representantes de São Paulo durou até Getúlio Vargas alcançar a presidência.

Getúlio continuou o programa de defesa do café, mas ao invés de pagar os cafeicultores com libras, o governo comprou as sacas com Mil Réis, mas o que fazer com essas sacas que não teriam compradores? Como já não havia onde estocar, o governo queimou muito café.

A imagem e atitude chocou o mundo, diminuiu a oferta do mercado e aumentou o preço do café.

Para o Brasil foi uma boa estratégia, pois os cafeicultores não teriam mais a garantia de sempre receberem altos valores pelos seus produtos, então ao invés de comprar mais terras para plantar mais, começaram a investir em equipamentos e fábricas, contribuindo para a industrialização no Brasil.

A história do café não termina aqui e continua se desenhando com o passar dos anos.

Esse produto bem brasileiro, atualmente está entre os 10 mais exportados do Brasil e se não fosse por ele, nossa industrialização e avanço demorariam muito mais a chegar onde chegaram.


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