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Aula gratuita com a barista e nutricionista Andrea Menocci
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Andrea Menocci

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Quando pensamos em qualidade de produtos e serviços, você concorda que o nível de treinamento da equipe é diretamente proporcional ao nível da qualidade oferecida pela cafeteria?

Mas se o argumento for financeiro, você já fez a conta de quanto pode ser deixado de lucrar por más performances em um estabelecimento, desde a manipulação de insumos, até atendimento e gestão? 

A qualificação profissional é um grande desafio da gestão de pessoas, mas também pode ser vista como a maior aliada no upgrade de qualidade e faturamento de um negócio.

MAS QUAIS TREINAMENTOS SÃO EFETIVOS?

Muitos são os aspectos a serem desenvolvidos pela equipe de um negócio em café, seja cafeteria, torrefação ou produção. Podemos citar a segurança do trabalho e ergonomia, higiene, procedimentos e operação, hospitalidade, padronização de serviços, vendas, e muitos outros.

Treinamentos com Preparação Estratégica. Crédito: Green Chameleon no Unsplash

É preciso começar pelo básico. Na seleção de um colaborador já se inicia o processo de avaliação da aderência do candidato ao perfil do negócio.

Após a admissão, é fundamental que haja uma integração. É importante que esse novo membro seja acolhido pelos demais, conheça a missão, visão e valores da empresa. A integração precisa envolver a apresentação às estruturas, equipamentos e procedimentos.

Neste momento, o colaborador necessita de informações claras de processos e da cultura, do jeito de ser do negócio e de tudo o que pode integrá-lo ao DNA da empresa.

Mesmo que seja um empreendimento pequeno, os colaboradores devem conhecer como ele funciona de forma holística, de onde vem e para onde vai o fruto do trabalho de cada um.

Implementar a Integração é o Start, um procedimento anterior ao início das atividades de um colaborador.

Fazer esse momento educativo de forma agradável e acolhedora traz a sensação de pertencimento ao novo integrante e isso proporciona melhor engajamento.

COMO PLANEJAR UM PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO?

O programa de desenvolvimento demanda criatividade, principalmente em pequenos negócios, mas listamos a seguir as definições fundamentais.

Levantamento das necessidades de treinamento

Um diagnóstico das necessidades do que precisa ser desenvolvido na equipe a curto, médio e longo prazo, desde a liderança até cada colaborador.

É importante identificar as falhas e antecipar o futuro que se deseja, definindo os objetivos desse aperfeiçoamento para que se atinjam os propósitos do negócio.

É importante refletir sobre o modelo de treinamento. Crédito: Ferenc Horvath no Unsplash

A partir dessa reflexão, o empreendedor poderá traçar seu plano de capacitação e desenvolvimento de pessoas. E esse plano precisa contemplar:

Tipo de treinamento

Técnico, operacional ou comportamental?

Em gestão de pessoas é muito utilizado o acrônimo CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes) para compreender as competências das pessoas e assim desenvolvê-las.

Conhecimento é “o saber”, é o que se aprende em sua formação (escolas, cursos, livros) no trabalho e na vida.

Habilidade é o “saber fazer”, é o quanto se é capaz de transformar a teoria em prática.

Atitudes é o “querer fazer”, é como a pessoa se comporta em relação a seus conhecimentos e habilidades.


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Como gestor, é preciso identificar e desenvolver o CHA de seu time. Há situações onde é preciso desenvolver técnicas e padrão de operação de forma mecanicista, porém o fator humano é o que faz tudo acontecer.

Precisamos ter um olhar para desenvolver também competências como motivação, trabalho em equipe, gestão de conflitos, inteligência emocional entre tantas outras.

Muitas vezes o instrutor será o próprio empreendedor, mas também é necessário avaliar a necessidade de buscar essa capacitação fora do seu negócio.

Equipe de Baristas em uma Cafeteria. Crédito: Pixabay

Além de consultorias especializadas (uma excelente opção, porém com um custo maior de investimento), parcerias são importantes e podem diminuir ou zerar esse gasto, contar com o apoio de fornecedores ou cada parte da cadeia produtiva do café também é uma boa estratégia.

Fabricantes e representantes das máquinas de espresso e moinhos, torrefação, fornecedores de insumos, e sistema de gestão de cafeterias podem ter material pronto para cursos e pessoal disponível para este fim.

Há muita oferta de cursos gratuitos online, mas lembre-se que treinamento é hora de trabalho, ao optar por curso online fora do horário de trabalho, o colaborador deve ter essas horas consideradas.

Público alvo

 Identificar que tipo de capacitação será melhor aproveitada, qual linguagem e metodologia serão mais eficientes, levando em consideração o perfil do treinado.

Metodologia

Diversas são as maneiras de proporcionar conhecimento. Desde cursos presenciais, sejam in company ou fora do estabelecimento, até cursos online ou vivências e dinâmicas.

Planejar visitas nas torrefações, nos produtores dos cafés pode ser uma experiência descontraída que pode trazer bons resultados, além de estreitarem as relações.

Nesse sentido, as práticas pedagógicas têm sido cada vez mais dinâmicas e inovadoras.

Custo x Benefício

É preciso levantar e planejar os custos que um programa de capacitação pode trazer. Treinar e desenvolver pessoas requer recursos financeiros e, principalmente, tempo.

Em um primeiro momento, esses valores podem ser considerados custos, mas de fato precisam ser entendidos como investimento.

Esse investimento é responsável pela integração os colaboradores, pelo reconhecimento, e valorização profissional, pela motivação da equipe e pela consequente retenção de talentos que resulta no encantamento dos clientes.


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Cronograma

O desenvolvimento de pessoas precisa ser compreendido como um programa abrangente, portanto deve ser sistêmico, planejado, organizado, com prazos e conter o onde, quando, como e porquê cada ação deve ser feita.

Ao fazer o planejamento estratégico da empresa, ou o plano de negócios, o planejamento de capacitação de pessoas deve estar incluído.

Registros

É importante documentar todas as ações realizadas.

É preciso ter uma cópia dos certificados nas pastas dos colaboradores e lista de presença nos cursos in loco.

Por mais simples ou informal que seja uma ação educativa, há de se estabelecer um protocolo para reforçar o propósito dessas ações.

Elaborar mini provas ou questionários também é uma maneira de registrar e mensurar se a mensagem do treinamento chegou aos treinandos como deveria.

Provas e Questionários de Avaliação do Treinamento. Crédito: Startup Stock no Pexels
Avaliação e Feedback

Após proporcionar meios para o desenvolvimento da equipe, o gestor sempre se questiona como medir o retorno desse investimento.

Essa percepção sobre o impacto do treinamento é tácita, requer observância, mas pode ser traduzida em números tais como redução de absenteísmo, elevação do faturamento e através de pesquisas de satisfação dos clientes.

“Se você acha que a instrução é cara, experimente a ignorância.” ― Benjamin Franklin

A percepção do clima saudável entre os colaboradores também é um indicativo, assim como melhor produtividade, redução de erros operacionais e otimização do tempo.

Precisamos compreender que capacitação da equipe é diferencial competitivo. É gestão da qualidade e busca pela melhoria contínua, portanto é preciosa no planejamento estratégico de qualquer negócio.

Diante da delicada situação pandêmica de coronavírus (COVID-19) e as medidas necessárias para sua contenção, o Ministério da Saúde comunica as devidas recomendações. Mediante tantas outras informações, muitas vezes confusas e inverídicas, é preciso estar atento às fontes dos dados e agirmos com sabedoria e responsabilidade.

Fato é que, estamos todos aprendendo a lidar com a contenção da pandemia em si, é tudo muito inicial e não imaginamos ainda os desdobramentos que virão, seja na própria saúde ou na economia. Por hora, vemos algumas mudanças na rotina começando a se estabelecer. Mas a vida e os negócios, principalmente o de pequenos empreendedores como os de cafeterias não pode esperar e então surge a dúvida: o que fazer agora?

SEJA RESPONSÁVEL, CRIATIVO E COMUNIQUE-SE

Nesse momento, antes de qualquer ação compulsória do Estado, manter ou não as operações de uma cafeteria é uma decisão pessoal do empreendedor, mas que seja coerente e principalmente responsável.

Seguindo as recomendações do Ministério da Saúde sobre higiene e evitar aglomeração de pessoas, é possível manter os serviços de uma cafeteria, porém é indiscutível praticar mudanças.

A lavagem de mãos com água e sabão pelos trabalhadores da cafeteria precisa ser feito a cada 30 minutos e o uso de um timer (cronômetro) é de grande ajuda para esse monitoramento.

Reforçar a higiene de tudo o que entra em contato com os clientes também de forma sistemática e periódica, incluindo assentos, mesas, banheiros, maçanetas e tudo o que o cliente mais tem contato.

Procurar evitar balcões tipo self-service ou qualquer item que fique à disposição para que os clientes se sirvam, minimizando assim o contato de pessoa para pessoa, se possível utilizar-se de materiais descartáveis. Evite guardanapos, açucareiros e sachês nas mesas. Entregue o necessário para o uso e dê preferência aos guardanapos e embalados individualmente. Caso a embalagem seja aberta ou violada, faça o descarte.

Intensificar a higiene dos utensílios de contato com os clientes, com hipoclorito ou álcool 70%, mantendo o colaborador o cuidado ao recolher esses materiais.

Afastar e reduzir o número de mesas e cadeiras para que haja um maior distanciamento entre as pessoas e manter as janelas abertas para melhor ventilação.

Orientar a equipe em relação ao tratamento pessoal, mantendo a educação, porém à uma distância segura, sem os cumprimentos calorosos que tanto gostamos.

É preciso adotar outras práticas simpáticas. Procurar tranquilizar os clientes, comunicando quais medidas estão sendo tomadas, seja pelas redes sociais ou em cartazes no local, pode ser uma boa maneira de reforçar o respeito que se tem por eles.

DISPONIBILIZE ALCOOL GEL PARA FUNCIONÁRIOS E CLIENTES

Ao receber os clientes, é uma boa ideia sugerir a lavagem de mãos e uso do Álcool Gel 70% na entrada e na saída da Cafeteria. E na falta do álcool gel, considerar que a lavagem de mãos com água e detergente neutro é muito eficiente, portanto, deixar sempre disponível uma pia abastecida desses itens, além de papel toalha.

 

Ao apresentar os sintomas como coriza e febre, ou caso seja próximo a alguém comprovadamente contaminado, o colaborador deverá ficar em isolamento em sua residência.

Dessa forma fica claro que a redução na mão-de-obra, muitas vezes a única, compromete o funcionamento da cafeteria, mas é preciso estar preparado e os clientes terão essa compreensão. Afinal esse é um problema de todos.

GESTÃO DO NEGÓCIO EM TEMPOS DE CRISE

Nos aspectos sobre a gestão do negócio, é preciso avaliar sobre alteração dos horários de funcionamento, remanejamento ou escala de funcionários, talvez até mesmo férias ou folgas para alguns deles. Analisar a viabilidade de adotar ou intensificar o sistema delivery, criar promoções, ajustar estoques, mexer no cardápio a fim de aproveitar melhor os itens ou trabalhar com gêneros menos perecíveis possíveis. Lembrando que toda a cadeia de fornecimento também será afetada, portanto conversar com os fornecedores sobre como será essa dinâmica é fundamental.

E na hipótese de não abrir as portas, aproveitar esse momento para dar aquela ajeitada na casa, colocar em ordem os papeis, fazer uma limpeza pesada, talvez uma pequena reforma, organizar estoques e geladeiras ou replanejar o layout.

Precisamos lembrar que são nas crises que surgem grandes oportunidades e o importante neste momento é manter a serenidade, e agir com zelo em todos os sentidos.

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Segurança alimentar é responsabilidade do produtor, distribuidor ou comercializador de alimentos na preservação da qualidade dos produtos, evitando qualquer tipo de contaminação, garantindo o direito primário do consumidor: adquirir alimentos seguros.

É corrente que alimentos contaminados podem trazer sérios prejuízos às pessoas, podemos citar desde a quebra de um dente na mastigação de algum objeto estranho, até infelizmente, a morte.

Cafeterias, assim como outros serviços do ramo de alimentação, além de planejarem minuciosamente toda a experiência a ser proporcionada aos seus clientes, como o conceito trabalhado, o tipo de serviço e o cardápio, precisam garantir a segurança alimentar, que engloba desde a higiene (das instalações, equipamentos, utensílios e manipuladores), até procedimentos de manipulação, cuidados com o tempo e temperatura no armazenamento, preparo e exposição dos alimentos.

Montagem de Pratos em um restaurante. Crédito: Fabrizio Magoni no Unsplash

A ANVISA é o órgão regulamentador dessas normas e a Lei federal é a RDC 216/2004, Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação.

LEIS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS

Cada Estado ou município pode ter sua própria legislação, as quais serão mais específicas, mas nunca divergentes em relação à lei federal. Nestas legislações estão todas as diretrizes que uma cafeteria deve cumprir, desde condições estruturais, procedimentos, documentação e registros obrigatórios.

Ao empreendedor, é essencial conhecer e aplicar essas normas, capacitando sua equipe para tanto. Mais do que atender a uma legislação e fugir das penalidades, é ser responsável com seus clientes e com a qualidade de seus serviços.

O responsável técnico pelo empreendimento deve realizar um curso de Boas Práticas para compreender esses procedimentos; existem alguns cursos gratuitos online e todos os manipuladores de alimentos também precisam ser capacitados. Listaremos alguns no final do artigo.

Consultorias podem ser contratadas, principalmente para a elaboração do Manual de Boas Práticas, um documento obrigatório onde estarão os POP’s (Procedimento Operacional Padronizado), um descritivo de cada atividade operacional.

O QUE É CONTAMINAÇÃO?

É a presença indesejada de fatores biológicos, químicos ou físicos nos alimentos que possam ou não acarretar prejuízos à saúde do consumidor.

CONTAMINAÇÃO FÍSICA

Partículas estranhas ao alimento são os fatores físicos, como pedras, cabelo, fiapos, farpas, plástico, presença de insetos etc. A equipe precisa estar atenta para evitar ou detectar os objetos estranhos que acidentalmente possam estar presentes. Concentração sempre, e alimentos devidamente protegidos em todas as etapas até o consumo.

CONTAMINAÇÃO QUÍMICA

Contaminação química, é a presença de produtos em contato com o alimento ou utensílios com resíduos de produtos como detergente, hipoclorito, sabonete, entre outros. É fundamental que produtos de limpeza sejam armazenados de forma protegida, o mais distante possível da área de manipulação de alimentos e quando isso não for viável, estarem devidamente acondicionados em recipientes seguros, sem riscos de vazamentos.

Higienização dos utensílios. Crédito: Marek Studzinski no Unsplash

Enxaguar muito bem os utensílios após o uso de detergente e hipoclorito também é indispensável. O uso de perfume por manipuladores é uma contaminação química, pois pode passar ao alimento pelo contato. A higienização de mãos deve ser feita com sabonete bactericida apropriado, sem fragrância.

CONTAMINAÇÃO BIOLÓGICA
Higienização de alimentos. Crédito: Louis Hansel @shotsoflouis no Unsplash

Fator biológico de contaminação são os microrganismos (bactérias, fungos ou vírus), alguns nocivos à saúde humana. Quando o alimento se deteriora e suas características são visivelmente alteradas, obviamente o descarte deverá ser imediato. O grande risco é que nem sempre é possível perceber a contaminação microbiológica, o alimento pode estar sensorialmente perfeito: sem cheiro, cor, nem sabor de “estragado”, nem alteração da textura, porém, caso tenha sido exposto à condições que favoreçam o crescimento microbiológico (tempo e temperaturas propícias) pode trazer prejuízos à integridade do consumidor, causando as chamadas D.T.A.s (Doenças Transmitidas por Alimentos).

Para eliminar este risco, os procedimentos são preventivos, pois uma vez que o alimento esteja contaminado, não existem meios para deixá-lo próprio para consumo novamente.

O estabelecimento que trouxer danos aos consumidores é passível de multas, indenizações às vítimas ou cassação do alvará e o prejuízo não será somente o financeiro, mas também sobre sua credibilidade.

A DIFERENÇA ENTRE LIMPAR E HIGIENIZAR

A primeira associação que fazemos é com a limpeza, porém esta é uma das etapas da higienização. Um objeto pode estar visivelmente limpo, porém só estará higienizado quando for aplicada também uma desinfecção. Este conceito serve para absolutamente todas as áreas, utensílios e equipamentos de uma Cafeteria.

Limpeza, é a remoção de resíduos, por ação mecânica (esfregar, varrer, lavar) com auxílio ou não de produto químico (detergente). Desinfecção é remoção de microrganismos e pode ser feita por produtos químicos permitidos para uso em serviços de alimentação, como hipoclorito, álcool 70% ou pelo uso de altas temperaturas (estufas ou autoclave). Mas a desinfecção não será eficaz sem a limpeza adequada anteriormente. O processo se inicia na limpeza e finaliza na desinfecção.

O uso de panos, madeira ou materiais porosos são proibidos pela ANVISA, pela dificuldade de higienização. Varrer a seco e uso de esponja de aço também não são recomendados.

HIGIENE AMBIENTAL

Nos cuidados a serem tomados em relação à estrutura física do estabelecimento, está a higienização do teto até o piso, incluindo os equipamentos, bancadas e utensílios de todos os setores. Para isso, é preciso ter instalações adequadas e sabemos que muitas Cafeterias não passam por um planejamento estrutural antes de abrirem. Porém a lei vale para todos e é preciso se adequar.

O manejo do lixo deve ser feito de modo não cruzar com alimentos e armazenado de forma apropriada até seguir o destino correto, e a higienização das lixeiras é diária.

O Controle de Pragas se dá por barreiras físicas (telas nas janelas, rodapés, portas etc.) e por dedetização e desratização periódicas, realizadas por empresas licenciadas e com os devidos registros.

Para um melhor controle, é importante estabelecer um cronograma de execução das tarefas de higienização, orientar os colaboradores e checar a sua eficácia.

HIGIENE DOS ALIMENTOS

Alguns alimentos devem passar por higienização, como é o caso de frutas, verduras e legumes, e os alimentos prontos para consumo precisam ser preservados ao máximo, estando devidamente protegidos (caixas ou sacos plásticos próprios para alimentos) e armazenados corretamente.

Contaminação cruzada é o contato de um alimento ou utensílio sujo ou contaminado com um alimento ou utensílio limpo ou pronto para consumo. São muitos os riscos de contaminação cruzada em uma cafeteria, mas podemos citar o bico do vaporizador, que sem a devida higiene, pode acumular resíduo de leite, fermentando-o.

Montagem de prato na cafeteria. Crédito: Louis Hansel @shotsoflouis no Unsplash

Ao inserir o bico sem higienização em um leite fresco, contaminaremos esse leite. Outro exemplo é guardar na parte inferior da geladeira algum alimento pronto (como Tortas, Bolos etc) e na parte superior, armazenar frutas não higienizadas; a sujidade das frutas pode desprender-se e contaminar os alimentos que estão abaixo.

Selecionar bons fornecedores e matéria prima com procedência, ter cuidado com o armazenamento, evitar a contaminação cruzada e manter os alimentos em temperaturas adequadas são os passos para a segurança dos alimentos.

HIGIENE PESSOAL E COMPORTAMENTO HIGIÊNICO

O agente mais contaminante em uma cafeteria são as pessoas. A higiene pessoal contempla o comportamento higiênico do colaborador em relação à higiene corporal, ao não uso de adornos, cabelos protegidos, unhas curtas e sem esmalte.

Higienizar as mãos é obrigatório ao iniciar o trabalho e em cada troca de tarefa ou a cada 30 minutos na mesma função, após utilizar o sanitário e após manusear produtos contaminantes. Todo estabelecimento deve ter uma pia para esse fim, abastecida com sabonete apropriado e álcool gel.

O uniforme é para uso restrito dentro da operação E precisa ser trocado e lavado diariamente, não se esquecendo da limpeza dos calçados e principalmente dos aventais.

A saúde do funcionário precisa ser obrigatoriamente comprovada através do ASO (Atestado de Saúde Ocupacional), emitido por um médico do trabalho homologado.

O atestado deve ser obtido no ato da admissão e com regularidade periódica, a cada semestre ou anualmente, conforme legislações específicas.

Funcionários portando enfermidades que possam comprometer a higiene dos alimentos devem ser afastados da atividade enquanto persistirem nessas condições.


LEIA TAMBÉM: RÓTULOS NOS CAFÉS ESPECIAIS: O QUE É PRECISO INFORMAR?


ITEM BÁSICO: ÁGUA

Item básico no preparo de cafés, alimentos e bebidas, a contaminação da água compromete toda a cadeia produtiva do estabelecimento.

A água deve ser tratada e quando for proveniente de poço artesiano, é necessário um laudo de potabilidade. O uso de filtro para água também é obrigatório para toda e qualquer água utilizada para preparo de alimentos e bebidas (inclusive para gelo) e a manutenção e troca destes deve ser periódica. A limpeza das caixas d’água necessita ser feita sistematicamente a cada 6 meses.

Lavagem das mãos. Crédito: Pexels

É indiscutível que, para a eficácia de todos esses procedimentos, são necessários treinamentos e reciclagens constantes em toda a equipe e este é o desafio!

A cafeteria, como um negócio responsável, além de planejar o faturamento oferecendo uma boa experiência a seus clientes deve garantir que seus produtos tenham a qualidade sanitária compatível com o nível de excelência que toda cafeteria deve ter.

CURSOS ONLINE E GRATUITOS

Listamos dois cursos online que podem ser realizados por todos os colaboradores da cafeteria. Não é uma tarefa complexa buscar no google cursos gratuitos complementares. Quanto mais informação e treinamento, menor será o risco de problemas na manipulação dos alimentos e melhor será o serviço prestado.

CURSO GRATUITO DE MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS (ANVISA)

BOAS PRÁTICAS NOS SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO (SEBRAE)

Referências (acesso em 05/02/2020)

RDC 216/2004 

Portal Vigilância Sanitária em Foco 

Diante de consumidores cada vez mais antenados e da ampla oferta de produtos no mercado, além da funcionalidade e de um design atrativo, a informação nos rótulos das embalagens passa a ser também um fator chave para a decisão de compra.

homem pagando café no balcão de uma cafeteria
Crédito: Blake Wisz no Unsplash

A embalagem é um dos elementos de conexão com o produto e por isso é muito importante na construção da relação entre produtor e o consumidor final. Atrair o comprador pode ser apontado como um dos principais objetivos do produtor na hora de confeccionar a sua embalagem.

Nesse sentido, a indústria utiliza esses recursos de forma a agregar valor e com a mesma força induzir o consumidor na tomada de decisão. Por esse mesmo motivo, o cliente também precisa estar atento à que tipo de informação é veiculada, seja no café ou em qualquer outro tipo de produto.

 O QUE DIZ A LEI

No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078-90), no Art. 31, determina

“A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, […} sobre suas características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade e origem, […], bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores”.

Tratando-se de Informações sobre alimentos e bebidas, o rótulo da embalagem merece atenção especial, sendo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o órgão regulamentador sobre essas informações. 

A Resolução RDC nº 259 /2002, determina que algumas informações são obrigatórias nos rótulos, tais como:

  •         Denominação de venda (o nome do produto)
  •         Lista de Ingredientes (exceto quando seja de um único ingrediente, como café, açúcar etc.)
  •         Conteúdos Líquidos (peso ou volume)
  •         Identificação de Origem (Razão Social e endereço completo do produtor e do distribuidor, e país de origem)
  •         Identificação do Importador (quando for o caso)
  •         Identificação do lote (que no caso do Café, pode ser a data de torra)
  •         Prazo de validade
  •         Instruções sobre o preparo e uso do alimento, quando necessário.
  •         Modo de conservação do produto

Além disso, a lei 10674/2003 diz que todos os alimentos industrializados deverão conter em seu rótulo e bula, obrigatoriamente, as inscrições “contém Glúten” ou “não contém Glúten”, conforme o caso.

O glúten é uma proteína presente em grãos como trigo, cevada, aveia, e a informação nos rótulos tornou-se obrigatória para a proteção dos portadores de doença celíaca.

Naturalmente o café é isento de glúten, mas há que se ter atenção e informar no rótulo caso haja possibilidade de contaminação cruzada com algum dos alimentos fontes de glúten durante a cadeia produtiva, pelo compartilhamento de maquinário ou até o mesmo ambiente de armazenamento. A mesma responsabilidade deve considerar o possível contato com alimentos alergênicos , que também deverão ser informados.

Descumprir essas regulamentações nos rótulos implica em advertências, autuações e até mesmo recolhimento dos produtos, prejudicando assim a imagem do produtor e do comercializador.

O QUE É PRATICADO NAS EMBALAGENS DE CAFÉS

Frente de caixa de uma cafeteria com produtos visíveis
Crédito: Siyan Ma no Unsplash

Especificamente nas embalagens de cafés, dentre eles os Cafés Especiais, além do que é imposto pela ANVISA, algumas informações são significativas, tanto para a valorização do produto como para auxiliar na decisão de compra do consumidor.

Alguns selos e certificações da indústria (ABIC, BSCA, UTZ, Biodinâmicos, Orgânicos, Denominação de origem, premiações etc.) são utilizados também como informativos sobre a qualidade do café e colaboram para a credibilidade da marca.

INFORMAR SIM, CONFUNDIR NÃO!

Com o inquestionável crescimento do mercado de cafés especiais no Brasil, o consumidor está atento sobre o que esperar do perfil sensorial do grão que estará adquirindo e tem observado dados de rastreabilidade como:

  • procedência (nome do produtor, fazenda ou região)
  • terroir (altitude e clima)
  • variedade do grão
  • tipo de processamento
  • nível e data de torra (algumas vezes até o mestre de torra conta como atributo)
  • pontuação
  • notas sensoriais

As possibilidades são muitas na utilização dessas referências. Contudo é importante estar atento ao excesso de informações com dados demasiadamente técnicos ou termos subjetivos que podem, em alguns casos, acabar confundindo o consumidor.

Por outro lado, muitos produtores desconhecem a consistência necessária aos rótulos de alimentos, ou optam por uma arte ou design minimalista na embalagem e por isso, acabam não informando o suficiente, deixando de incluir o que é regulamentado como informação obrigatória.

Temos visto também o aumento da utilização de QR Codes, para que o consumidor acesse dados mais específicos, mas será que esse é um meio eficiente para o comprador?

biscoitos em primeiro plano e pacote de café em segundo plano
Crédito: Sara Dubler no Unsplash

Infelizmente a observação e leitura de rótulos não é uma prática habitual nos brasileiros e talvez por isso ainda não haja um movimento para a padronização dessas informações nas embalagens de cafés.

Com a evolução e consolidação desse mercado no Brasil, há uma clara perspectiva de que o consumidor provoque em toda a cadeia produtiva, um olhar mais atento  sobre a questão.

Nessa lógica, os produtores valorizam seus produtos ao mesmo tempo em que valorizam a opinião de seus consumidores finais, oferecendo informações relevantes e padronizadas em suas embalagens.